Beagá, Quarta, 17 de janeiro de 2001 d.C.

Velvet Underground
White light / White heat
Polydor, 1968

Por El Jako
E-mail: eljako@abacaxiatomico.com.br

No final de 1965, Lou Reed, Sterling Morrison e Maureen Tucker começavam suas atividades musicais e artísticas em conjunto, sob a tutela de Andy Wahrol, rei da Pop Art. Wahrol se ofereceu para empresariar os jovens, que segundo o artista tinham talento saindo pelos poros. Logo, ele apresentou a turma para Christa Paffgen, Nico, que passou a fazer as vezes de vocalista da banda. No ano seguinte, eles lançavam seu projeto em Nova York, o Exploding Plastic Inevitable, que misturava performances, pintura, projeções, dança e música. Em 67, foi lançado o álbum clássico da banda, agora rebatizada de Velvet Underground. O álbum homônimo não fez o menor sucesso mas eles continuaram sua carreira pelos submundos da música.

No ano de 68, o Velvet Underground lançava seu segundo disco White light / White heat. Do mesmo modo que o primeiro, ele foi um fracasso de vendas, também pudera: o som sujo e barulhento dos avós do punk rock era um absurdo naquela época de paz e amor. Logo depois do lançamento deste disco, John Cale deixava a banda, sendo substituído por Doug Yule - foi um desfalque e tanto, sem dúvida.

As seis faixas de White light / White heat são densas, de difícil digestão e com letras depressivas, o que mostrava a falta de perspectiva da banda com tudo, menos com a música. A voz descompromissada de Lou Reed, as guitarras completamente desconexas e uma bateria que mais lembrava uma marcha fúnebre foram combinações que resultaram num disco único e original. Em "The Gift", John Cale declama um poema tendo como fundo musical uma viagem de quase 8 minutos com solos de guitarras que mostram o porquê do Sonic Youth citar esta banda tanto como uma das suas maiores influências. Já "Lady Godiva's Operation" é a faixa mais bela do álbum: calma e psicodélica, mostra que estava no auge o envolvimento com drogas pesadas dos integrantes da banda, é impossível alguém ter composto esta música caretão. "I Heard Her Call My Name" é punk rock visceral em fase embrionária. Junto com MC5 e Stooges, o Velvet mudava o conceito de música rebelde, sem precisar dar berros, como os dos reis do iê, iê, iê. Em "Sister Ray", a viagem é ainda maior: são quase 20 minutos de guitarras distorcidas e teclados muito parecidos com os de Ray Manzarek, dos Doors, que também mandava ver na época; os últimos minutos de música mais parecem uma orquestra que acabara de entrar em parafuso.

A combinação de Wahrol com quatro músicos totalmente anti-músicos foi bombástica e fundamental na história do rock. Nas frases de Lou Reed e John Cale ditas em entrevistas da época, fica claro o que era o Velvet Underground: "música é tudo. Só ela impede que fiquemos loucos". E tinha mais: "Quando Lou Reed e eu começamos, concordamos que era mais importante sermos originais do que fazermos sucesso". Raridade isso, não?

Ramones

 

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