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| Beagá,
Quarta, 07 de fevereiro de 2001 d.C. |
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The
Young Gods Por El Jako
A primeira faixa do álbum, "La Fille de la Mort", começa com uma orquestra sampleada (na época, uma "coisa" do outro mundo). Dava a impressão de que o som da banda era leve e tranqüilo, ainda mais com um vocal em francês. Só que, de repente, a voz de Trechler ficava mais grave e devastadora e um som punk-noise-eletrônico tomava conta do ambiente, era o Young Gods mostrando a sua cara e seu estilo caótico. "Rue des Tempêtes" tem uma estrutura parecida com a faixa anterior, com violinos sampleados, mas também uma presença maciça de guitarras, o que tornava a banda muito mais roqueira que eletrônica - é um punk rock visionário, gutural e sombrio. Já "L'eau Rouge" mostra o Young Gods abusando dos samplers, é uma música de trilha sonora de filme de terror: um caos total, guitarras, baixo, bateria, violino e tudo mais sem harmonia alguma, verdadeira salada musical destemperada. "Charlotte" parece música dos anos 30, 40 ou 50? Não sei, mas é diferente de tudo que há no disco, a não ser a voz de Trechler, soando como a de um drácula de ressaca. A música está meio deslocada no álbum, o que no fundo é ótimo, quebra o ritmo e amplia os horizontes de roqueiros mais ortodoxos, embora nunca vai se saber se era essa realmente a intenção dos caras. "Longue Route" é uma pauleira incrível, música para show, música para mosh, coloca qualquer Nine Inch Nails no bolso e mostra que o Young Gods estava à frente de seu tempo. A batida seca e rápida se unia a riffs de guitarra poderosos e aquele vocal característico, que garganta!!! "Crier les Chiens" é talvez a música mais inspirada do disco, com a mistura rítmica chegando ao seu auge. O Young Gods realmente se tratava de uma das bandas mais criativas dos anos 80, década tão fraca em se tratando de criatividade. As duas últimas faixas do disco ("Ville Nôtre" e "Pas Mal") seguem à risca o projeto da banda, ou seja: muitos violinos, guitarras e vocais potentes, tudo isso com apoio de samplers, recursos moderníssimos naquela década. L'eau Rouge foi o melhor e mais importante disco do Young Gods, talvez tenha sido mais relevante para o mundo da música do que para a própria banda, que nunca saiu do submundo underground europeu. Com certeza, este álbum está entre os 10 melhores de todos os tempos, devido a sua originalidade, peso e coragem de misturar estilos musicais tão antagônicos. A impressão que se tem ao ouvi-lo é a de que você está assistindo um filme de suspense, ou então uma orquestra caótica, ou ainda se preferir uma banda punk do ano 3085. Mesmo depois de 14 anos de lançado, L'eau Rouge continua sendo um disco visionário, utópico, puro devaneio, muito mais importante que outras modernidades que aparecem a cada momento neste mundo onde tudo já está ultrapassado um segundo depois. |
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