Beagá, Quarta, 17 de janeiro de 2001 d.C.

The Smiths
The Queen is Dead
WEA, 1986

Por El Jako
E-mail: eljako@abacaxiatomico.com.br

"A única coisa que poderia salvar a política britânica seria o assassinato de Margaret Tatcher". Com esta frase, Morrissey deixava às claras a intenção do quarto álbum de sua banda: chocar a tradicional sociedade inglesa e sua monarquia antiquada. The Queen is Dead foi o álbum mais polêmico destes ingleses de Manchester. O ataque explícito ao regime político britânico colocou os Smiths no centro das atenções do mundo pop. Depois de serem saudados com entusiasmo pela mídia inglesa com seus três primeiros álbuns, pelo casamento perfeito dos dedilhados de guitarra vibrantes de Johnny Marr e o lirismo angustiado das composições de Morrissey, a banda agora tomava o rumo definitivo do sucesso.

A faixa título do álbum começa com uma canção tradicional inglesa que é interrompida por uma bateria ensurdecedora que lembra tambores de percussionistas africanos. "The Queen is Dead" tem uma letra pesada e um som marcante, com o baixo forte e aqueles riffs de guitarra de Johnny Marr. Logo em seguida, para dar uma quebrada no ritmo, uma baladinha pop e com nítidas influências rítmicas jamaicanas que apareceram muito no início dos anos 80 em toda a Inglaterra: "Frankly, Mr. Shankly" se destaca pela simplicidade. "I Know it's Over" é uma daquelas músicas que, de tão deprê, chegam a ser bregas - chegam a lembrar aqueles bêbados de fim de noite que afogam suas mágoas nas garrafas de uísque e nos coitados dos garçons. Morrissey chora angustiado com sua vida, onde tudo dá errado, sem exceções.

"Cemetery Gates" é a melhor da álbum: violões bem colocados, uma letra primorosa e um resultado final irretocável, é a prova de que os Smiths estavam atravessando a melhor fase de sua curta carreira (a banda acabou em 87). Seguem-se ainda o sucesso pop "Bigmouth Strikes Again", a bela canção "The Boy With the Turn in His Side" e a mais uma vez chorosa "There is a Light That Never Goes Out". Estas estão em quase todas coletâneas que a banda lançou e mostram o lado FM dos Smiths com músicas assobiáveis. Para terminar o álbum em grande estilo, a faixa "Some Girls are Bigger Than Others", que tem um refrão marcante e é musicalmente das melhores que a banda já tinha feito até então.

The Queen is Dead tem uma importância singular na trajetória dos Smiths. Foi o penúltimo álbum de estúdio dos caras e o mais inspirado, pois daí para frente a banda demonstrou muito desgaste e cansaço (uns dos outros). Johnny Marr, um dos mais geniais guitarristas dos anos 80, pulou de banda em banda com participações especiais em discos de vários amigos. Já Morrissey partiu para a carreira solo, sem o mesmo sucesso da sua ex-banda, mas com o mesmo carisma e baixo astral que arrasta milhares de fãs topetudos pelo mundo afora.

Velvet Underground

 

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