Beagá, Quarta, 28 de fevereiro de 2001 d.C.

The Fall
Perverted by Language
Castle Records, 1983

Por El Jako
E-mail: eljako@abacaxiatomico.com.br

O The Fall é uma das poucas bandas sobreviventes do final dos anos 70 contemporâneas de Joy Division, Bauhaus e, porque não dizer, The Clash. Formada em 77 por Mark E. Smith em Manchester, Inglaterra, ela ficou marcada como uma banda que fazia um som bem mais que esquisito. Seus primeiros álbuns são bem alternativos e herméticos, não dá pra saber muito bem qual era a dos caras, parecia que estavam experimentando para ver no que ia dar o seu som. No início dos anos 80, mais precisamente em 83, entrou para a banda a esposa de Smith, Brixie Smith, que mudou a cara e o som da banda para algo mais pop, mas ainda muito obscuro.

Perverted by Language marca justamente a entrada da guitarrista e baixista Brixie na banda, o som fica mais redondo e digerível mas continua com as esquisitices e loucuras tradicionais que marcariam estes ingleses para sempre. A produção do álbum ficou a cargo de Steve Parker - este homem conseguiu fazer com que os inúmeros integrantes chegassem a um acordo e fizessem um som menos, digamos, corrosivo.

Em "Eat Y'Self Fitter" a impressão que se tem é a de que o The Fall é composto por um bando de loucos que não sabem se querem fazer teatro dos horrores ou música experimental: são 6 minutos de pura viagem ao mundo imaginário de Mark Smith. Já em "Neighbourhood of Infinity" a coisa vai ficando mais clara e límpida: a guitarra é anos 80, a bateria é pesada e, quando a gente começa a acreditar que os caras são normais, o caos chega e toma conta, a música vira uma confusão daquelas - mas muito bem conduzida, diga-se de passagem. "Garden" é, sem medo de errar, uma das músicas mais bonitas da banda, é meio deprê, lembra muito Lou Reed e seu Velvet Underground; é bem longa (cerca de 8 minutos) mas não dá para se cansar com as belas harmonias tiradas dos instrumentos dos caras, que pareciam viver mal na Inglaterra.

Alguns momentos do disco deixam claro que o The Fall dialogava de perto com Ian Curtis e Cia. Ltda., aquele belo som feito por alguém que está atolado na angústia e no desespero. O baixo de Steve Hanley em "I Fell Voxish" é um verdadeiro show e a percussão a cargo de Paul Hanley é diferente de tudo que se tinha ouvido até então. Em "Hotel Blöedel" o vocal discreto de Brixie lembra Kim Gordon e Patti Smith e é possível escutar violões ao fundo de um som totalmente alternativo e elétrico, bela integração do que para muitos era impossível e contraditório.

Muitos são os discos do The Fall que são básicos, como Bend Sinister por exemplo, mas Perverted by Language é um marco para a banda. A perfeita combinação de um som mais "escutável" com a pura experimentação anterior dá um resultado muito satisfatório. É possível ouvir sonoridades neste álbum que não estão presentes em nenhum dos álbuns anteriores ou posteriores destes malucos de Manchester: violões, teclados e sintetizadores combinam-se com perfeição e transformam o som da banda numa orquestra pós-punk de primeiríssima qualidade.

Onde navegar:

http://www.pipeline.com/~biv/FallNet/index.html (entrevista com Mark E. Smith, links para outras páginas)

http://www.freedonia.com/~jeff/fall/ (letras das músicas, discografia e links)

http://www.visi.com/fall/ (site oficial)

http://www.furious.com/perfect/fall/fall.html (resenhas sobre discos da banda, além de entrevista com Steve Hanley e Tommy Crooks)

http://home.worldonline.dk/~mattias/fall/ (My Fall Collection: discografia)

http://members.tripod.com/~GColeman/index.html (The Biggest Library Yet - versão online do fanzine da banda)

http://www.dcs.ed.ac.uk/home/cxl/fall/index.html (página de fã com discografia, entrevista, história da banda)

http://members.tripod.com/~the27points/lineups.html (história da banda, contada por um fã desde o tempo em que eles eram conhecidos por "The Outsiders")

Shellac

 

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