Beagá, Sábado, 11 de agosto de 2000 d.C.

Talking Heads
Talking Heads' 77
Sire, 1977

Por El Jako
E-mail: eljako@abacaxiatomico.com.br

Hoje, quando vemos o David Byrne cantando ao lado de Marisa Monte aquela música insuportável de Tom Jobim, "Águas de Março", meio em inglês, meio em português, pensamos: "puxa vida, que babaquice!", ou "que cara chato, entediante!". Mas David Byrne já foi sim um cara legal, antes de descobrir a música "exótica" latina e perceber que ela poderia lhe render dividendos.

Em meados de 1976, o cara se juntou a Chris Frantz (baterista) e Tina Weymouth (baixista e vocalista), que eram colegas de escola, para formar uma banda. Assim nascia o Talking Heads, uma banda original que fazia, nos anos 70, uma música pop, dançante e, ao mesmo tempo, com um pé no punk rock. Mais tarde, se juntou aos músicos o tecladista Jerry Harrison, que vinha da desconhecida Modern Love. Os caras se apresentavam em clubes novaiorquinos, como o famoso CBGB, e o estilo agradava quem estava em busca de novos sons. As danças de Byrne (até hoje imitadas pelo pífio Arnaldo Antunes) empolgavam a galera. Em 1977, ocorreu o lançamento do primeiro disco, o clássico Talking Heads'77.

As canções deste álbum primam pela simplicidade e autenticidade. "Psycho killer" foi um hino durante muitos anos, e até hoje embala festas de época. Disco fundamental, músicas primordiais como "Don't worry about the government", "Tentative decisions", "The book I read" e "Who is it?" nos fazem entender um pouco o que rolava nas cabeças pensantes daqueles tempos. David Byrne já fez obras-primas para a música, acredite se quiser. Não se deve comparar a carreira dessa figura com os Talking Heads com o que faz como produtor e descobridor de talentos do Terceiro Mundo.

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