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| Beagá,
Quarta, 28 de fevereiro de 2001 d.C. |
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Shellac Por El Jako
O encarte do álbum traz um texto intitulado "Ressureição em casos de mortes aparentes por choque elétrico": é uma aula de física para alunos do curso de Engenharia Elétrica e traz dicas e regras básicas para as vítimas destes acidentes recobrarem seus sentidos, elas parecem mortas mas revivem de uma hora para outra. O apêndice não deixa de ser uma viagem muito bem pensada da rapaziada, pois o som de At Action Park é um verdadeiro choque de 1 milhão de volts e afeta o sistema nervoso humano em cheio. Na música de abertura, "My Black Ass", os caras já mostram a que vieram: um baixo marcante, uma guitarra de primeira e um som punk rock urbanóide muito mais alto que o vocal, o final da música é completamente caótico. Na instrumental "Pull the Cop" a guitarra lembra os melhores momentos de Ian McKaye e Guy Pisciotto no Fugazi, o som é experimental ou alternativo, fica a sua escolha. Em "The Admiral" o som lembra o punk rock puro e simples dos anos 70, a faixa é curta e direta e o vocal retoma a voz irritante de John Lydon nos seus velhos tempos de Sex Pistols. A música mais rápida do disco é "A Minute", é daqueles hardcores tipo Black Flag, um soco na cara de tão potente e ligeira, seu impacto é, sem sombra de dúvida, visceral. "The Idea of North" tem um começo bem viajante e noise típico do Sonic Youth, é bem diferente das outras músicas e praticamente instrumental, pois as vozes são sussurros ao pé do ouvido e servem de pano de fundo para um som lisérgico-punk (é possível? Com o Shellac sim). "Il Porno Star" fecha o disco divinamente: quebrando tudo, os caras parecem que estão improvisando e Todd Trainer mostra sua versatilidade e potência com as baquetas, é demais. At Action Park é indicado para quem gosta de sons mais alternativos, o que chamam de "Indie Rock" em terras norte-americanas. A zoeira come solta e a inventividade dos integrantes da banda é de chocar. O som é alucinante, as guitarras ora estridentes, ora com riffs pesadíssimos, o baixo é daqueles para deixar qualquer cozinha morrendo de inveja, já a bateria lembra uma marcha fúnebre em ritmo de punk rock. Existem bandas que passam a vida inteira para lançar um disco fantástico: não é esse o caso do Shellac, que já de cara mandou ver em um dos melhores álbuns da música punk hardcore que se tem notícia. Onde navegar: |
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