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| Beagá,
Quarta, 30 de janeiro de 2002 d.C. |
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Queens
of the Stone Age Por El Jako
A influência do deserto californiano está presente em cada acorde do álbum de estréia do QOTSA, até no próprio encarte escrito em espanhol, mostrando que a conexão México-Estados Unidos foi uma das maiores inspirações da banda. O som tirado das guitarras de Homme é totalmente influenciado por bandas dos anos 70, como Black Sabbath, e dos 80, como Screaming Trees: é grave, forte e bem encorpado. As letras não fogem à temática do mais conhecido álbum dos caras (R), falam de drogas, sexo e muita viagem às vezes sem sentido, mas que se encaixam perfeitamente com os ruídos extraídos dos instrumentos dos membros do QOTSA. Uma das grandes diferenças do último álbum para o primogênito é a avalanche sonora que sai da bateria de Alfredo Hernandez, muito melhor baterista que Nick Lucero. Queens of the Stone Age é daqueles discos em que todas as faixas agradam aqueles que são fãs do rock simples, sem firulas e cabecices tão comuns nos dias de hoje. Em "Regular John" a voz de Homme é discreta, baixa, quase sussurante, enquanto a banda destrói o ouvido do ouvinte com um estrondoso som feito para dirigir nas altas estradas americanas. "Avon" começa parecendo uma autêntica música de banda de heavy metal dos anos 80, mas com o passar dos minutos se torna uma bela canção que lembra os bons tempos de Seattle e Sub Pop. A viagem psicodélica começa com "If only" e junto com ela Alfredo Hernandez mostra que nunca deveria ter deixado a banda: a precisão do baterista choca e mostra que o virtuosismo simplesmente não faz sentido quando se trata das baquetas. A referência a Black Sabbath está em todas as faixas, mas em "Walkin'on the sidewalks" Tommy Iommi está ali, presente de corpo e alma, não se trata de uma cópia mas sim de uma bela revisitada no que de melhor há nos anos 70 - essa é uma das melhores qualidades do QOTSA. A banda começa a mostrar personalidade própria com a fantástica faixa "Mexicola": a guitarra de Joshua Homme é simples, venal e direta; a harmonia sonora da banda também é de impressionar, Nick Olivieri e Hernandez se entrosam na cozinha com perfeição. Uma das faixas mais esquisitas e malucas do álbum é a instrumental "Hispanic impressions", é um verdadeiro petardo sonoro quase ensurdecedor e próprio daqueles que tomaram umas a mais para compor, a banda se mostra compenetrada e muito concentrada na execução da música. "You can't quit me baby" (que nada tem a ver com "I can't quit you baby", de Willie Dixon, interpretada no primeiro disco do Led Zeppelin) pode ser relaxante, viajante, mas a banda não perde seu peso inicial e muito menos a potência. As duas últimas faixas do álbum são uma viagem só: "Give the mule what he wants" tem uma letra pra lá de tresloucada e um som que mistura anos 70 e o rock simples tirado dos anos 90, resultado: bomba! A última música do álbum, "I was a teenage hand model", é uma viagem sem maiores explicações e comentários: é lenta, sonolenta, típica de quem está numa ressaca daquelas, com um vocal estranhíssimo de Fred Drake (quem é esse cara?) e um piano "safado" e irônico ao fundo. Está fechado o álbum de estréia do QOTSA, muita energia, muitas drogas, muita vontade de tocar rock'n roll e ao mesmo tempo uma displicência que falta nas bandas atuais, que produzem discos limpinhos e cheios de retoques. Este não: Queens of the Stone Age é um álbum tosco, low fi, gravado sem frescuras e com muita simplicidade - característica rara de se encontrar nas atuais bandas do mercado fonográfico. Onde navegar: http://www.qotsa.com/ (site oficial da banda). http://www.qotsa.net/ (site de fã-clube). http://www.regularjohn.cjb.net/ (site de fã com fotos, discografia, informações). http://tinpan.fortunecity.com/metal/468/ (história da banda, tablaturas, etc). http://www.efestivals.co.uk/readingleeds/2001/pics-qotsa-r.shtml (site de fã com fotos, discografia, informações). |
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