Beagá, Quarta, 29 de novembro de 2000 d.C.

Patti Smith
Horses
Arista Records, 1975

Por El Jako
E-mail: eljako@abacaxiatomico.com.br

Horses é o primeiro álbum de Patti Smith, um dos ícones do movimento punk. Sem ela, certamente não existiriam Siouxie and the Banshees e P. J. Harvey. Mesmo este sendo seu disco de estréia, Smith não era nehuma garotinha em 1975: tinha 29 anos e já estava envolvida com uma série de trabalhos, digamos, "artísticos". No ano anterior, havia lançado um compacto Piss Factory ("Fábrica de mijo"), desde 71 trabalhava como crítica musical em revistas especializadas como Creem e Rolling Stone. Além disso, a cantora também atacava de escritora: tinha três livros de poesias publicados, haja fôlego!!

Seus poemas eram totalmente alucinados e suas músicas não ficavam para trás: remetiam desde a Lou Reed, que conveceu a gravadora Arista Records a contratá-la, até Van Morrison. A produção do disco ficou a cargo de John Cale, ex-Velvet Underground. Reza a lenda que os dois quase saíram no tapa, devido às maluquices de ambos, durante as gravações. A faixa de abertura do disco, "Gloria", a princípio parece um hino bem anos 70, meio hippie e contestador; aos poucos, o piano calmo e tranqüilo dá lugar à boa e velha (na época nova) guitarra punk. "Redondo Beach" é totalmente oposta, com influências de reggae é daquelas músicas autênticas de praia com muito sol. "Birdland" é um delírio alucinante com várias vozes remixadas e conta a história da vida de um fazendeiro, doideira total. "Land", uma música de três partes e quase 10 minutos, fala de Johnny e suas experiências malucas - comuns, no entanto, para a geração que descobria a tríade sexo, drogas & rock'n'roll.

A banda, por sinal de primeira linha, era formada por Richard Sohl no piano, Lenny Kaye nas guitarras (este era companheiro de Smith nos tempos de jornalistas e fã de Bob Marley com toda certeza), Jay Dee Daugherty na batera e Ivan Kral no baixo. Horses é um disco fundamental para quem quer entender melhor o que aconteceu com a música antes, durante e depois do estouro do punk rock: é muitíssimo inspirado, é Patti Smith no seu auge.

F.F.F.

 

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