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| Beagá,
Quarta, 19 de dezembro de 2001 d.C. |
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The
Palace Brothers Por El Jako
A primeira aparição de Will Oldham no meio musical foi como fotógrafo do antológico álbum do Slint "Spiderland", de 1991 e já citado em indicações anteriores - sim, ele foi o responsável por aquela foto dos integrantes da banda dentro de um rio ou uma piscina. E existem outros fatos em comum com o Slint além da produção da foto: o clima sombrio das músicas, quase fúnebre, contrastando com algumas letras carregadas de ironias, além de um som que não tinha nenhuma preocupação com a produção ou com o fato de atingir um público maior. Não há polimento nas faixas de There Is No-One..., os violões às vezes são ouvidos de forma tão baixa que quase passam desapercebidos. A voz de Oldham, então, nem se fala: o desafinamento é tanto que dá pra desconfiar que é proposital, e assim vai durante toda a audição do álbum. As músicas do álbum primogênito do Palace soam quase todas de uma mesma forma: melancólica, chapada e muito simples. Em "Idle hands are the devil's playthings" a influência dos primeiros trabalhos do mestre Neil Young é nitída: uma guitarra quase acústica somada a uma percussão quase imperceptível e com uma voz deselegantemente fora do tom. Em "There is no-one what will take care of you" um tecladinho de igreja protestante surpreende ao lado de uma bateria e uma guitarra bem entrosadas; quanto à letra, um belo lamento amoroso que nada tem de poético ou fora do comum, não passa de uma música escrita após um porre daqueles. Por falar em bebedeiras e outras chapações, as faixas "I tried to stay healthy for you" (uma das melhores letras que já tive contato), "The cellar song" ("a canção da adega") e "(I was drunk at the) Pulpit" são músicas que poderiam muito bem terem sido escritas por Shane McGowan em sua melhor fase no Pogues: muito choro, ressaca e sons que vão do folk ao country do interior dos Estados Unidos. Mas a melhor do álbum é sem dúvida "Merida", uma faixa acústica com belíssimos violões e onde Oldham desafina com uma perfeição chocante. É nesta faixa que se tem a certeza que este álbum é antológico, feito por uma das melhores cabeças pensantes da história musical. Vale a pena procurar nas lojas o primeiro disco do Palace Brothers - e, se você gostar da brincadeira, Oldham também lançou discos solos geniais, ótimos para quem está afim de curtir uma boa ressaca de fim de ano, seja ela alcoólica ou mesmo emocional. Onde navegar: http://users.bart.nl/~ljmeijer/oldham/ (The Royal Stable: site dedicado a Will Oldham). http://pry.com/pulpit/ (site com tablaturas, discografia...). http://www.palace.free.fr/ (site francês com notícias sobre Will Oldham). http://www.ifrance.com/lostsongsandotherblues/oldham.html (outro site francês, com detalhes sobre uma recente turnê realizada por Will Oldham na França). http://www.voy.com/53341/ (site de fãs alemães - fotos, discografia, história, etc). |
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