Beagá, Quarta, 05 de dezembro de 2001 d.C.

Madness
One Step Beyond
Virgin Records, 1979

Por El Jako
E-mail: eljako@abacaxiatomico.com.br

No final dos anos 70 pipocavam pela Inglaterra algumas bandas que fizeram história no meio musical do mundo inteiro: era o movimento 2 Tone, que misturava o reggae jamaicano com o nervoso punk rock que invadia o Velho Mundo. Bandas como Specials, Selecter e Madness foram as maiores representantes deste movimento, antes de tudo divertido e dançante, que apontava para uma nova tendência dos anos 80: o new wave, que surgia concomitantemente com o B52's e Cia. Ltda.

Em 1976, três integrantes da banda se reuniam com o nome de Invaders; dois anos mais tarde o grupo crescia, não só em número de músicos como nominalmente: a banda passava a se chamar Morris and the Minors. Foi somente em 1979 que o Madness de fato surgiu: o nome é uma homenagem a Prince Buster, um dos jamaicanos mais criativos dos meios musicais dos anos 60 e um dos precurssores do chamado rocksteady.

One Step Beyond é um disco muito festeiro, daqueles que você coloca para tocar e não consegue parar ou ficar quieto em nenhum momento. O álbum foi na verdade uma coletânea de singles da banda que estouravam a cada lançamento nas paradas britânicas. A primeira faixa que dá o título ao disco é um ska perfeito, sem retoques, com tudo que se tem direito: metais bem colocados, guitarras alucinadas, baixo marcante e bateria firme e segura, é um dos melhores cartões de visita já feitos. "The Prince" é música de primeira, outra homenagem a Prince Buster - vale ressaltar aqui a cópia xerox feita pelo Skank em início de carreira, quando a banda mineira ainda soava simpática. O disco tem momentos pop típicos dos coloridos anos 80, como em "In the middle of the night" e "Swan Lake". É muita festa para uma banda só, muita inspiração, e com um detalhe primordial: um teclado bem tocado, coisa rara na música pop.

O Madness era composto por Graham McPherson "Suggs" nos vocais, Chris Foreman ("Chrissy Boy") nas guitarras, Mark Bedford "Bedders" no baixo, Mike Barson ("Monsieur Barso") nos teclados, Lee "Kix" Thompson nos metais e Woodie Woods Woodgate ("Dan Woodgate") na bateria. Além destes, havia também dois "penetras" (no bom sentido do termo), Chas Smash e John Hasler, que ajudavam na esculhambação e na alegria que brotava na veia da banda. O que se pode dizer é que poucos músicos tiveram a felicidade e a química presentes no Madness; nem mesmo a própria banda conseguiu manter o fôlego inicial, lançando discos bem menos inspirados no decorrer da carreira.

A conclusão que se tira em One Step Beyond é que é preciso muita harmonia e competência para se juntar tanta gente e fazer um som tão pândego como este. O ska é um dos estilos musicais mais bacanas que já surgiram - e porque não dizer, um dos mais injustiçados de todos os tempos: poucos têm acesso e não se sabe bem o motivo de ter se mantido por tanto tempo no submundo do rock. Mas talvez isso seja um dos pontos positivos do ska: nunca se tornou mainstream, sempre esteve ali, correndo à margem da indústria fonográfica, com seus poucos e fiéis adeptos que só tinham em mente uma pretensão, se divertirem. E quando se ouve um som deste tipo, é muito pouco provável que alguém fique parado. Música é antes de tudo diversão, tem que ser feita com prazer e isso não falta no som do Madness.

Onde navegar:

http://www.geocities.com/SunsetStrip/Studio/2149/index.html (história da banda).

http://www.jabba.demon.co.uk/mis/ (links para outros sites e informações sobre a banda).

http://www.countrybumpkin.ndo.co.uk/madlyrics.html (letras das músicas da banda).

http://www.euronet.nl/users/sjaak/Madness/Index.html (links, fotos e informações).

Mudhoney

 

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