Beagá, Quarta, 10 de janeiro de 2001 d.C.

Led Zeppelin
Led Zeppelin I
Atlantic Records, 1969

Por El Jako
E-mail: eljako@abacaxiatomico.com.br

Já está todo mundo careca de saber que o Led Zeppelin é um monstro sagrado do rock, que era uma continuação dos Yardbyrds, que John Boham morreu asfixiado no próprio vômito etc e tal. Mas poucos dão o real valor para o primeiro disco dos caras. Led Zeppelin I é um daqueles discos históricos que mostrou para o mundo músicos raivosos que faziam sons pesados e autênticos.

O disco começa com "Good Times Bad Times", um blues mais pop, onde Jimmy Page mandava ver na guitarra e Robert Plant cantava com uma voz de impressionante potência, embora um pouco desafinada; mais tarde, ele aprenderia a controlar melhor seu dom. "Babe I'm Gonna Leave You" é um blues mesmo, real, daqueles puros, com influência marcante dos grandes nomes, mas com uma diferença fundamental: tinha peso como nunca. Havia atrás da bateria um instrumentista que soltava o braço como ninguém antes havia feito: John Boham tinha um estilo único de tocar e, por mais que tentaram, nunca conseguiram imitá-lo. Em "You Shook Me" e "I Can't Quit You Baby", o Led Zeppelin fazia uma releitura de Willie Dixon, que mais tarde ficaria furioso com a banda, acusando-a de plágio de suas composições. Mas o que interessava mesmo é que o Led dava mais corpo à música do "blueseiro"; na época, soava moderno, hoje nem tanto.

Em "Dazed and Confused" os integrantes da banda viajavam: John Paul Jones ficava ali, como sempre na dele, tocando seu baixo com sutil e inteligente discrição. A música é sombria e muitos rumores surgiram na época, dizendo que Page estaria envolvido com magia negra. Em "How Many More Times" o Led mostrava uma das melhores cozinhas do rock'n roll: o entrosamento Jones/Boham era impressionante, era como se os dois tocassem juntos há 2 mil anos. "Your Time is Gonna Come" é a mais pop do álbum e a mais "hiponga", revelava Jones como um grande arranjador e tecladista. Em seguida, colada na música anterior, está a instrumental "Black Mountain Side", onde Boham toca bongôs e outros instrumentos percussivos com criatividade e leveza, o que provava seu domínio do instrumento e sua versatilidade.

Mas a melhor do disco e talvez a mais impactante música da história do Led Zeppelin é "Communication Breakdown". O que era aquele som em fins da década de 60? Um barulho daqueles, uma mistura de MC5 com o melhor do blues, que resultaria anos mais tarde no que muitos chamariam de heavy metal. A música mais marcante da carreira destes ingleses, e que poucos conhecem profundamente, "Communication Breakdown", era a verdadeira revolução do rock: nunca havia se tocado tão alto e de forma tão despudorada. Se não fosse esta música, o Led não seria a mesma banda. E, se alguém aí ainda não gosta deles, escute a faixa e depois dê o seu veredicto, os caras realmente eram demais.

Bob Dylan

 

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