Beagá, Sábado, 11 de agosto de 2001 d.C.

Gang of Four
Entertainment!
Infinite Zero Arquive, 1979

Por El Jako
E-mail: eljako@abacaxiatomico.com.br

Definir o estilo de uma banda na maioria das vezes não é uma das tarefas mais fáceis; a situação fica ainda mais grave quando se trata dos ingleses do Gang of Four. Formada em 1977 por quatro estudantes da cidade de Leeds, a banda sempre se caracterizou por um som bombástico, com letras que misturavam política e sentimentos amorosos pra lá de quentes. Quanto a parte musical, Dave Allen (baixo), Hugo Burnham (bateria), John King (vocal) e Andrew Gill (guitarrista e grande gênio da banda) conseguiam fazer um som completamente novo no espetacular final de década de 70. A cozinha da banda tinha tudo para tocar numa boa com James Brown ou qualquer outra banda de funk/soul music e, surpreendentemente, as guitarras de Gill eram totalmente pós-punk: influenciaram, para se ter uma idéia, a dupla McKaye/Pisciotto do Fugazi - ao invés de solos, o cara viajava em momentos silenciosos. Isso sem falar no vocal esculachado e seco de John King, que cantava sem fazer a mínima questão de agradar quem quer fosse (até ele próprio). Na verdade, ele é um dos vocalistas mais descompromissados que apareceram em toda a história musical do planeta Terra.

Entertainment! é o álbum de estréia do Gang of Four. Lançado em 79, ficou anos como daqueles discos impossíveis de se achar em terras tupiniquins, e ele ainda continua importado e difícil, mas vale o investimento. O discurso anárquico da banda serviu de base para várias manifestações na Europa de grupos alternativos: suas letras falavam muito da exploração da classe operária e chamavam a atenção de muitos por terem uma "teoria política radical". O sarcasmo também fazia parte das músicas dos caras, eles brincavam com sexo e a sociedade burguesa de um modo geral, acabando por chocar os tradicionais, fato que não era raridade naquela época.

Entre as faixas mais interessantes do disco de estréia do Gang of Four estão "Damaged Goods", "Not Great Men" e "At Home He's a Tourist". Todas as músicas conseguem misturar um suingue incrível do baixista Dave Allen com a guitarra estridente e caótica de Andrew Gill, um dos mais habilidosos e inventivos guitarristas da sua geração. Um som que não deixa de ser punk, mas ao mesmo tempo é psicodélico e acena com o new wave (esta fase da banda viria mais tarde com a baixista Sarah Lee), além das já citadas influências funkeiras e dos sons pesados do início dos anos 70. Além de Entertainment!, o cd relançado pela Infinite Zero Records conta com o Yellow EP, lançado em 1980, com mais quatro faixas de cair o queixo que ilustram a melhor fase desses quatro britânicos. O grande destaque do EP é "It's her factory", com Gill mostrando toda sua técnica e originalidade.

Gang of Four é sinal de confusão sonora. Se você quer um som bonitinho e quadrado, corra deste disco como o diabo foge da cruz, não é essa a intenção dos caras. Em certos momentos, a barulheira feita em Entertainment! chega a incomodar, não pela intensidade, mas pela bagunça total produzida por apenas três instrumentos e um vocalista amalucado. Neste momento em que a música passa por crises (eternas) sem número, a grande solução é voltar no tempo e correr atrás de "antigas novidades" como esta, uma verdadeira prova de que a transição dos anos 70 para os anos 80 foi uma das melhores fases da música roqueira.

Onde navegar:

http://www.gillmusic.com/ (site do guitarrista Andrew Gill).

http://www.metal-tiger.com/delinquent/gangof4.html (informações sobre a banda no site do filme Delinquent - a banda participa da trilha sonora deste filme).

http://www.hiljaiset.sci.fi/punknet/gang4_e.htm/ (Punknet 77: Discografia detalhada da banda).

http://www.emdac.demon.co.uk/phil/gof/gof_indx.html (Not Great Men: informações diversas - incluindo letras da banda).

http://www.popnews.com/popnews/oldies/gangfour/ (resenha sobre a banda - em francês).

Bad Brains

 

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