Beagá, Quarta, 05 de fevereiro de 2003 d.C.

System of a Down
Steal this Album

Por Indiegesto
E-mail: indiegesto@abacaxiatomico.com.br

Eis mais um disco legal que saiu aos 44 do segundo tempo de 2002. Steal This Album, do System of a Down, cheira à picaretagem. Isso porque as músicas deste disco são sobras de Toxicity, de 2001, e provavelmente não veriam a luz do dia caso algum espertinho não tivesse vazado as faixas pela internet. Como a gravadora não é boba, resolveu lança-lo antes que começasse a pipocar o disco em versão pirata. A capa já diz tudo.

É legal ver como a banda mescla temas sérios com bobagens monumentais, o que faz com que eles não fiquem carregando o peso de serem líderes de uma geração e ainda garante boas risadas. Esse dom de se auto-ironizar é coisa que pouca gente tem as manhas - e ultimamente anda fazendo uma falta danada no Bono Vox, por exemplo.

Steal this Album é um disco irregular, percebe-se que há idéias que foram aproveitadas em Toxicity, como a introdução de "Highway Song" parecida com "Deer Dance", a introdução de "Mr. Jack" lembra "Aerials", os arpejos de guitarra de "Streamline" quase iguais à introdução de "Toxicity". O doido do negócio é que, mesmo sendo picareta e irregular, o disco é bom pra cacete. Vamos ao que interessa, uma geral em Steal this Album:

"Chick n' Stu": essa música é bem velha e é tocada pela banda desde as turnês do primeiro disco. A música fala sobre consumismo desenfreado e tem um clima meio "Fuga das Galinhas", dá para causar estragos ao vivo e é bem humorada.

"Innervision": ótima música que, não se sabe porquê, não entrou em Toxicity. As famosas viagens transcendentais de Serj Tankian, embaladas pelos seus vocais poderosos, alternando momentos calmos e viajantes com peso. Uma canção clássica do System of a Down.

"Bubbles": outro grande momento do disco: um puta refrão e com os acentos orientais que a banda usou e abusou no primeiro disco.

"Boom": faixa que se tivesse entrado em Toxicity seria responsável por mandar a banda para o xilindró. Se você não se lembra, o disco da banda foi lançado uma semana antes dos atentados de 11 de setembro e o SOAD estava em primeiro lugar na Billboard. A primeira parte da música poderia ser um mantra cantado pelos terroristas. O Bush não vai gostar nada disso. Lá pelo meio da música, tem um riff que é Black Sabbath puro. Falar o quê?

"Nuguns": tem um belo solo de violão no meio, um refrão melódico e uma letra que não entendi nada. Mas a música é boa, deve funcionar ao vivo que é uma maravilha.

"ADD (American Dream Denial)": o bicho volta a pegar aqui, música pesadona - musicalmente e liricamente. Sente o drama: "Lutamos suas guerras com todos os nossos corações/Você nos mandou de volta em pedaços/ Você tomou nossos testamentos com a verdade que nos roubou (...) Uma luta injustificável e egoísta / como custo do sonho americano". Coincidência? Por mais que eles desconversem, a coroa do Rage Against the Machine cabe direitinho neles.

"Mr. Jack": essa música eu achei bem chatinha, fica melhor no final, mas não salva. Próxima.

"I-E-A-I-A-I-O": essa música é muito legal, a letra não faz sentido nenhum, parece mais um exercício fonoaudiólogo do que outra coisa. Mas é muito louco.

"36": o vocal desta lembra Ratos de Porão. A letra fala sobre TV, a música é curtinha. Não desanima nem empolga. Passa.

"Pictures": música engraçada, com inclusões de marchas de cavalaria no meio. E as já famosas dobradinhas de Serj com o guitarrista Daron Malakian.

"Highway Song": belo trabalho de guitarra, ótimos duetos de Serj e Daron.

"Fuck the System": mais uma letra no esquema "teste fonoaudiólogo", sem sentido. Música que não deveria nem ter visto a luz do dia.

"Ego Brain": bela balada com teclados, não entrou em Toxicity pois provavelmente iria fazer o SOAD carregar a alcunha de vendidos.

"Thetawaves": razoável, Serj abusa das melodias. Bom trampo de guitarra.

"Roulette": balada à la Led Zeppelin. De deixar os fãs radicais de cabelo em pé. Mas é muito boa.

"Streamline": fecha muito bem o disco, com uma linha de baixo matadora e as famosas montanhas russas musicais. Peso, melodia, sussurros, cantos operísticos etc. Tudo o que o fã do System of a Down tem direito. E um solo de guitarra de arrepiar, simples e que diz tudo.

Esse é um disco que não desaponta em nada os fãs da banda e é muito agradável para fãs de rock. Não é o melhor disco do ano mas quebra um galhão. Roube esse disco na boa.

 

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