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| Beagá,
Quarta, 05 de fevereiro de 2003 d.C. |
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System
of a Down Por
Indiegesto
É legal ver como a banda mescla temas sérios com bobagens monumentais, o que faz com que eles não fiquem carregando o peso de serem líderes de uma geração e ainda garante boas risadas. Esse dom de se auto-ironizar é coisa que pouca gente tem as manhas - e ultimamente anda fazendo uma falta danada no Bono Vox, por exemplo. Steal this Album é um disco irregular, percebe-se que há idéias que foram aproveitadas em Toxicity, como a introdução de "Highway Song" parecida com "Deer Dance", a introdução de "Mr. Jack" lembra "Aerials", os arpejos de guitarra de "Streamline" quase iguais à introdução de "Toxicity". O doido do negócio é que, mesmo sendo picareta e irregular, o disco é bom pra cacete. Vamos ao que interessa, uma geral em Steal this Album: "Chick n' Stu": essa música é bem velha e é tocada pela banda desde as turnês do primeiro disco. A música fala sobre consumismo desenfreado e tem um clima meio "Fuga das Galinhas", dá para causar estragos ao vivo e é bem humorada. "Innervision": ótima música que, não se sabe porquê, não entrou em Toxicity. As famosas viagens transcendentais de Serj Tankian, embaladas pelos seus vocais poderosos, alternando momentos calmos e viajantes com peso. Uma canção clássica do System of a Down. "Bubbles": outro grande momento do disco: um puta refrão e com os acentos orientais que a banda usou e abusou no primeiro disco. "Boom": faixa que se tivesse entrado em Toxicity seria responsável por mandar a banda para o xilindró. Se você não se lembra, o disco da banda foi lançado uma semana antes dos atentados de 11 de setembro e o SOAD estava em primeiro lugar na Billboard. A primeira parte da música poderia ser um mantra cantado pelos terroristas. O Bush não vai gostar nada disso. Lá pelo meio da música, tem um riff que é Black Sabbath puro. Falar o quê? "Nuguns": tem um belo solo de violão no meio, um refrão melódico e uma letra que não entendi nada. Mas a música é boa, deve funcionar ao vivo que é uma maravilha. "ADD (American Dream Denial)": o bicho volta a pegar aqui, música pesadona - musicalmente e liricamente. Sente o drama: "Lutamos suas guerras com todos os nossos corações/Você nos mandou de volta em pedaços/ Você tomou nossos testamentos com a verdade que nos roubou (...) Uma luta injustificável e egoísta / como custo do sonho americano". Coincidência? Por mais que eles desconversem, a coroa do Rage Against the Machine cabe direitinho neles. "Mr. Jack": essa música eu achei bem chatinha, fica melhor no final, mas não salva. Próxima. "I-E-A-I-A-I-O": essa música é muito legal, a letra não faz sentido nenhum, parece mais um exercício fonoaudiólogo do que outra coisa. Mas é muito louco. "36": o vocal desta lembra Ratos de Porão. A letra fala sobre TV, a música é curtinha. Não desanima nem empolga. Passa. "Pictures": música engraçada, com inclusões de marchas de cavalaria no meio. E as já famosas dobradinhas de Serj com o guitarrista Daron Malakian. "Highway Song": belo trabalho de guitarra, ótimos duetos de Serj e Daron. "Fuck the System": mais uma letra no esquema "teste fonoaudiólogo", sem sentido. Música que não deveria nem ter visto a luz do dia. "Ego Brain": bela balada com teclados, não entrou em Toxicity pois provavelmente iria fazer o SOAD carregar a alcunha de vendidos. "Thetawaves": razoável, Serj abusa das melodias. Bom trampo de guitarra. "Roulette": balada à la Led Zeppelin. De deixar os fãs radicais de cabelo em pé. Mas é muito boa. "Streamline": fecha muito bem o disco, com uma linha de baixo matadora e as famosas montanhas russas musicais. Peso, melodia, sussurros, cantos operísticos etc. Tudo o que o fã do System of a Down tem direito. E um solo de guitarra de arrepiar, simples e que diz tudo. Esse é um disco que não desaponta em nada os fãs da banda e é muito agradável para fãs de rock. Não é o melhor disco do ano mas quebra um galhão. Roube esse disco na boa. |
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