Beagá, Quarta, 04 de dezembro de 2002 d.C.

Audioslave
Audioslave

Por Indiegesto
E-mail: indiegesto@abacaxiatomico.com.br

Eu avisei que não era hora de falar que Songs for the Deaf era o disco do ano. Afinal, já estava esperando que o disco de estréia do Audioslave quebrasse tudo, e quebrou. Você já deve estar careca de saber que a banda é formada pelos ex-Rage Against the Machine Tom Morello (guitarra), Tim Comeford (Baixo), Brad Wilk (bateria) e mais o ex-Soundgarden Chris Cornell, nos vocais.

Quase tudo o que vão falar sobre esse disco é verdade: que se parece com RATM e que se parece com Soundgarden por exemplo, mas acho que dessa osmose das duas bandas saiu uma personalidade própria. Muita gente vai sentir falta do rap, mas o groove está intacto, o que sumiu quase que completamente foi a conotação política das letras.

Tom Morello parece deixar bem claro em entrevistas que quer mesmo é fazer Rock (com R maiúsculo mesmo), e que seu "braço político" será a ONG Axis of Justice, criada junto com o vocalista do System of a Down. Se o lado mais "roqueiro" do RATM já havia aparecido no Battle of LA ("Sleep Now in the Fire") e em Renegades (nas covers de MC5 e Stones), neste primeiro disco do Audioslave ele dá o tom.

A demo do disco vazou na Internet meses atrás e algumas músicas estão mais aceleradas no cd como "Show Me How to live" e "Like a Stone". Já outras, melhor produzidas, se tornaram verdadeiros petardos como "Gasoline, Exploder" e "Light My Way", e quase todas estão mais "enxutas". O que salta aos olhos é como a banda ganhou em dinâmica com Chris Cornell; Zack de La Rocha poderia muito bem encaixar seus vocais em boa parte das músicas deste álbum, mas o resultado com Cornell é simplesmente arrasador. É aquela estória: perde-se por um lado (a tal "atitude"), ganha-se de outro (eles viraram "A banda").

Fica difícil citar uma música em especial, mas eu sempre paro umas duas, três vezes em "What You Are" (que tem um refrão de chorar, de tão bom), "Shadow of the Sun" (com um início meio "Superunknown" e um final demolidor no melhor estilo "Badmotorfinger"). Se você entendeu o que eu disse, provavelmente já deve ter ido comprar o disco. Se não entendeu, trate de comprar. "Hipnotize" é outra música fantástica, com a cozinha de Brad Wilk e Tim Comeford deixando Cornell e Morello de coadjuvantes.

Tom Morello nunca escondeu que era fã de hard rock farofa. Em "Exploder" a banda adiciona sem medo nenhum aquelas linhas melódicas para todo mundo cantar junto que 98% daquele pessoal usava, lógico que com aquele peso característico.

Além de ter feito um disco fóda, o Audioslave tem mais do que a obrigação de enterrar o pseudo-grunge de Creed, Pudle of Mudd e similares, afinal os caras foram sobreviventes dos anos 90 (Chris Cornell freqüenta clínicas de reabilitação até hoje), pavimentaram uma estrada que esse pessoal só está destruindo. Além, é claro, de que os caras nos devem uma visita, já que tanto RATM e Soundgarden chegaram a marcar shows no Brasil e acabaram antes de pisar aqui na terrinha.

Resumindo em duas palavras: disco fodão.

 

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