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| Beagá,
Quarta, 27 de novembro de 2002 d.C. |
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The
Jimi Hendrix Experience Por
Indiegesto
O curioso é que se Keith Richards não tivesse tomado um belo chifre provavelmente não conheceríamos seu trabalho. Linda Keith (então namorada de Richards) pirou no negão ao ver sua performance em um clube em Nova Iorque em 1966, onde Hendrix acompanhava Curtis Knight. Ela logo o convidou para tocar no Café Wha, local onde os Stones batiam cartão quando estavam na cidade, mas Hendrix não aceitou o convite. Mais tarde, ele fundaria o Jimmy James and the Blue Flames. Em julho de 66, Linda foi atrás de Hendrix novamente e, presenteando-o com uma guitarra para canhoto roubada de Keith Richards, convenceu-o a tocar no Café Wha, onde ela o apresentaria a um amigo, Chas Chandler, que havia deixado os Animals para se tornar produtor. O resto vocês conhecem: Chandler o levou a Londres e montou o Jimi Hendrix Experience, com Noel Redding e Mitch Mitchell. E o velho ditado se repete: atrás de um grande homem sempre tem uma grande mulher. Linda foi quem sugeriu que Hendrix cantasse provando que, como cantor, Hendrix era o maior guitarrista de todos os tempos. Entre 1967 e 1970 (ano de sua morte) Hendrix lançou cinco discos oficiais (e essenciais): Are You Experienced? (1967), Axis: Bold As Love (1967), Smash Hits (1969), Electric Ladyland (1968) e Band of Gypsy's (1970). Após isso, uma infinidade de CDs foi lançada entre discos ao vivo, gravações perdidas em sua grande maioria, versões mutiladas e picaretas. Muito disso se deve ao contrato muito do mal-assinado que Hendrix assinou, o que permitiu que sua gravadora deitasse e rolasse sobre seu espólio. Essa história só foi ter um final feliz após a família do guitarrista conquistar o controle sobre os lançamentos do artista e seus direitos autorais, com a criação do grupo Experience Hendrix e uma longa batalha judicial na década de 90. Atualmente, a Experience Hendrix já detém todo o catálogo lançado sob o nome do guitarrista e atualmente luta pelo controle de suas gravações feitas antes da fama - há 33 gravações inéditas de Hendrix com outros artistas. Duas batalhas judiciais foram ganhas nos últimos tempos: em julho deste ano, a Experience Hendrix conseguiu os royalites das gravações de Hendrix com Curtis Knight, além do direito de controlar futuros lançamentos. A outra batalha ganha foi sobre o domínio www.jimmy-hendrix.com, que estava sendo leiloado por um espertalhão. Cacete, já gastei parágrafos e parágrafos e nem falei do disco ainda. E você aí está perguntando o porquê de eu estar aqui neste site bacana e descolado falando de Jimi Hendrix, certo? Estou desenterrando o guitarrista só para lembrar que no dia 27 de novembro de 2002 Jimi Hendrix completaria 60 anos e você provavelmente nem notou, já que está muito ocupado procurando mais uma banda que começa com "The" e termina com "es" para falar que descobriu aos seus amigos via ICQ. Então tome vergonha na cara e preste atenção: Radio One conta com gravações na BBC datadas de 1967. Esse disco foi lançado em 1989 na Inglaterra e teve edição nacional. É capaz de você conseguir acha-lo em algum sebo, uma loja de usados por aí ou na Galeria do Rock aqui em Sampa, deve ser fácil. Escolhi esse disco dentre tantos ao vivo porque a performance da banda é absolutamente fantástica. Muito se fala de Jimi Hendrix, entretanto é mais do que necessário dar o crédito para Noel Redding e, principalmente, ao baterista Mitch Mitchel, um verdadeiro monstro nas baquetas. Radio One mostra a banda em ponto de bala, lembre-se: estamos em 67, Hendrix é o hype de Londres com 24 anos, comendo todas, tomando das melhores drogas e todos no pico da empolgação. O resultado disso não poderia deixar de ser uma apresentação vigorosa e pesadíssima. "Stone Free" abre o disco, dá para sentir o peso da mão direita de Hendrix, além dele estar cantando bem. Falando em peso, "Radio One Theme" é de deixar o RATM (ou o Audioslave, se preferir) ficar deste tamanho, seguida por uma bela versão de "Day Tripper", dos Beatles. Minha preferida desse disco é a instrumental "Killing Floor", pois é a melhor versão dessa música que eu já escutei entre vários discos ao vivo que apareceram por aí. Nesta faixa, Hendrix e Mitch Mitchel travam um verdadeiro duelo numa pancadaria absurda, em que o guitarrista sai despejando fraseados e melodias entre muita microfonia, onde percebemos que a banda era muito mais que seus reles acompanhantes. Mais um momento de total interação entre Hendrix e Mitchel acontece na deliciosa "Wait Until Tomorrow". Outras versões definitivas nesse disco são "Hound Dog" (sensacional), "Catfish Blues" e o standard "Hoochie Coochie Man", que faria o Led Zeppelin pensar duas vezes antes de querer fazer blues pesado. Claro que não poderiam faltar clássicos como "Fire", "Hey Joe", "Purple Haze", "Foxy Lady" (em uma das melhores execuções que já escutei), "Spanish Castle Magic" (idem) e "Burning of the Midnight Lamp" (barulhentíssima, e o solo é de chorar). Sua coleção vai ficar muito melhor com esse disco na prateleira. E se você for guitarrista, pode te inspirar... a desistir de tocar de uma vez. |
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