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| Beagá,
Quarta, 13 de novembro de 2002 d.C. |
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Queens
of the Stone Age Por
Indiegesto
Songs for the Deaf apresenta o perfeito equilíbrio da crueza e da tonelada de riffs do primeiro disco com os arranjos (principalmente vocais) e o lado viajandão de Rated R. Exala Black Sabbath pelos poros, preste atenção aos solos de guitarras dobrados em dois canais que aparecem em "Song for the Dead" e "Hangin' Tree" e confira "Warning", do primeiro disco do Black Sabbath. Confira também a base de "Do it Again" e compare com "Children of the Grave", também do Sabbath. Se os Beatles fossem junkies escutando Nirvana fariam esse disco? Sem chance, isso aqui é um produto feito por dois junkies iluminados que se esbaldaram em rock setentista. Stoner Rock? Qual é? Esse estilo não passa de um monte de gente tentando refazer o Masters of Reality, do Black Sabbath, no século 21. Até agora, só o Queens of Stone Age parece ter chegado perto. O disco é "costurado" por inserções de locutores de rádio, que na verdade são amigos da banda, gente como Casey Chaos (Amen), Twiggy Ramires (Marilyn Mason), entre outros. "You Think I Ain't Worth a Dollar, But I Feel Like a Millionaire" abre o disco naquele esquema "música de road movie do Tarantino", tendo um Nick Oliveri berrando em plenos pulmões, três acordes e destruição total. É seguida por "No One Knows", que a essa altura do campeonato você já deve ter escutado ou assistido ao clipe, em que um veado prepara uma vingança contra os humanos. Dave Grohl dá mostras de que não perdeu a pegada: o refrão tem um "quê" de "Detroit Rock City", do Kiss, um arranjo de cordas aparece dobrado ao solo, e Josh Homme mandando muito bem aquele já manjado vocal. "First It Giveth" tem uma intro à la Dead Kennedys e, segundo Josh Homme, o refrão ("primeiro ela te dá, depois ela te toma") seria uma analogia ao uso de drogas como inspiração. Uma influência flamenca aparece aqui e ali, e Dave Grohl surpreende no refrão, fazendo parecer que ele está tocando com dois bumbos - quando na verdade está usando pedal simples. "Song for the Dead" é minha preferida do disco. Rock n' roll total com um clima de ensaio, riff repetido à exaustão, bateria entrando aos poucos até explodir em uma música rápida que vai se alternando para momentos grooveados. Os coros não negam de que você está escutando um disco do QOTSA e o final da música é arrasador. "The Sky is Fallin'" é um dos momentos mais melódicos do disco, com um vocal impecável de Josh Homme; já "Six Shooter" é o oposto completo de sua antecessora: agressiva, urrada e com uma letra de deixar os caras do Slipknot parecerem uns coroinhas. Mark Lanegan marca presença com sua voz de veludo em "Hangin' Tree". O curioso é que esta música já havia sido gravada no disco "Desert Sessions Volumes 7 e 8" (um dos trocentos projetos paralelos dos integrantes do QOTSA), lançado pela Rekord Rekords, de propriedade de Josh. Aqui, ela aparece em um andamento mais acelerado. "Go With the Flow" (minha segunda preferida do disco) traz um pianinho martelado escondido em um instrumental acelerado e pontuado com fraseados de guitarra além dos coros característicos da banda. A música é muito simples e gruda no ouvido como poucas. "Gonna Leave You" é outro momento ultra pop que não compromete, "Do it Again" traz, além da influência de Black Sabbath já citada, um refrão muito bom - Josh Homme abusa dos falsetes. "God is on the Radio" é outro ponto alto. Tem uma levada blues, lap steel e Mark Lanegan encarnando "O" Bluesman; o solo é uma coisa de louco e quebras de dinâmica sensacionais. "Another Love Song" é cantada por Nick Oliveri: ao contrário do que a gente espera do cara, não é urrada e sim cantada (e como). Um teclado moog faz a "cama" e Dave Grohl faz um feijão com arroz, mas não faz feio. Toda banda que quer fazer música em clima de terror deveria ter uma aula com "Song for the Deaf". O clima pesa, e muito: sem um cara berrando em plenos pulmões ser necessário, Josh Homme intercala solos dissonantes entre riffs hipnóticos, e lá pelos 2 minutos e meio de música o negócio fica de arrepiar. Em "Mosquito Song" tem de tudo: acordeon, cordas, metais, órgãos, violão flamenco, etc. É interessante, mas não me disse nada demais. Como bônus, tem "Everybody's Gonna Be Happy", dos Kinks, e é muito legal ver como eles tentaram tirar o mesmo timbre dos instrumentos da época. Há duas coisas que são notáveis neste disco. A primeira é como Josh Homme chegou em um nível que é o sonho de muito guitarrista, de ter o "seu" som, uma marca registrada. Quando você escuta um riff ou um solo, não há dúvidas de que se trata de Queens of the Stone Age. Nessa época que todo mundo quer soar igual a todo mundo, um músico que imprime no som que produz sua marca, sua personalidade, é algo digno de nota. A segunda é como Dave Grohl mostrou que toca bateria pra cacete. O que ele fez neste disco supera anos luz ao que ele fez no Nirvana. Resumindo: discão. Só não arrisco dizer que é o disco do ano porque, no momento em que você está lendo este texto, o CD de estréia do Audioslave vai estar chegando às lojas. Aí a briga vai ser boa. |
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