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| Beagá,
Quarta, 30 de outubro de 2002 d.C. |
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Refused Por
Indiegesto
O Refused praticamente se confunde com a cena hardcore sueca, especialmente em relação ao Straight Edge, já que a banda surgiu a partir da separação do Step Foward, banda tida como a primeira banda hardcore/ Straight Edge daquele país. No final de 1992 (ano em que a banda se formou), o Refused já estava com duas demos e não tardou para que arrumassem um contrato com a Burning Heart Records, o que resultou em This is the new deal, uma compilação de suas demos com músicas inéditas. O primeiro "disco oficial" da banda é This Just Might be... The Truth (94), que os catapultou para o posto de maior banda de hardcore da Escandinávia e que, junto com o EP Everlasting (94), fez os caras levarem uma indicação para o Grammy Sueco em 1995. Nesse mesmo ano entre lançamentos de Eps, trocas de guitarristas e turnês em conjunto com as maiores bandas HC/SxE americanas da época (como Earth Crisis e Snapcase), o Refused tira um tempo para gravar Songs to fan the flames of discontent (lançado em 96), disco muito influenciado por metal (leia-se Slayer), tornando-os sinônimo de banda HC/SxE da Europa e angariando mais uma indicação ao Grammy Sueco em 1997. Em 1997 a banda grava e lança The Shape of Punk to Come e dá um murro no estômago dos fãs que esperavam aquele misto de hardcore old school com metal que a banda fazia - é aqui que o negócio fica interessante. The Shape... é provavelmente um dos discos mais ambiciosos, idealistas e pretensiosos lançados no hardcore nos últimos anos e causou reações similares à fase "jazzística" do Dead Kennedys: devoção ou ódio, algo como se o Iron Maiden se metesse a gravar Ok Computer. O Refused simplesmente mandou às favas a possibilidade de manter "um nome a zelar" repetindo-se e lançou-se em uma empreitada de fazer música tão revolucionária/subversiva quanto suas letras (daí os três adjetivos aplicados lá em cima sobre o disco), se metendo em um visual mod ao invés do "tênis vans com bermuda" vigente no HC. O resultado é fantástico. "Worms of the senses/faculties of the Scull" abre o disco com batidas quebradas e com o vocalista Dennis Lyxzén berrando letras que fazem o Zack de la Rocha parecer o Enéas, seguida por uma vinheta house music que dá passagem a "Liberation Frequency", esta começando como uma balada e culminando num refrão explosivo onde Dennis pede as "ondas do rádio de volta/queremos transmissão das pessoas para as pessoas". Quem não quer? "The deadly rithm" começa num jazz e descamba para a porrada, em que a qualidade dos músicos salta aos olhos seja na bateria perfeita, no fraseado de guitarra que lembra o Dead Kennedys, ou nas linhas de baixo jazz fusion que aparecem no meio da música. "Estou cansado de me perder para um estúpido sonho infantil sobre o que eu poderia ser... Não vamos alcançar nada, nem mesmo o fracasso" é a mensagem "otimista" de "Summerholydays Vs Punkroutine". A levanta defunto "New Noise", grande hit do disco, surge após uma vinheta com xilofones e efeitos eletrônicos, numa introdução que vai crescendo até explodir com um "Can I Scream?", onde o Refused praticamente justifica toda sua mudança em uma frase "Como podemos esperar que alguém nos escute se estamos usando a mesma velha voz?" Aliás a banda parece querer justificar o tal "novo barulho" na música "Refused party programme" e na canção que dá nome ao disco. "Protest song '68" começa tensa, descamba para um belo instrumental e termina quase fúnebre, clamando pela "volta do espírito de 1968". Já em "Refused are fucking dead" a banda dá um show de grooves e ainda despeja um riff muito bom, entre baixos distorcidos e letras sobre revolução. O bom humor volta a dar as caras em "The shape of punk to come", com uma bateria "bate estaca" na introdução que descamba para um rockão, e no final o baterista dá uma aula de seu instrumento. "Tannhäuser/Derivè" começa épica, com violinos e violoncelos, e vira uma montanha russa, hora com porradaria pura, hora com calmaria e um quase spoken word, terminando com umas sanfonas e, acreditem, não é chato. O disco fecha com "The Apollo Programme was a hoax", uma balada acústica, com a letra mais "pesada" do disco todo. A versão nacional do CD conta com um remix de "Refused are fucking dead". Esse é um disco em que você é surpreendido durante toda a audição. Resumindo: discão. O Refused acabou em 1998, de maneira tumultuada, durante um show na Georgia (EUA) que foi interrompido pela polícia na quarta música e o pau comeu feio. Após o incidente, a banda lançou um manifesto chamado Refused Are Fucking Dead, onde explica a separação, baseando-se em filosofia e pedindo para que "todo jornal queimasse o material da banda para que ela não seja torturada por memórias e a 'aura de mito' que jornalistas incompetentes nos oferecem". Ainda no manifesto, eles dizem que separados terão mais sucesso em acabar com a música popular, espalhando os tentáculos, cada qual com seu projeto. Os tentáculos parecem ter se espalhado até demais, já que com o fim do Refused nada menos do que 8 bandas apareceram: The (Intenational) Noise Conspiracy, The Lost Patrol, 93 Million Miles from the Sun (todos do vocalista Dennis Lyxzén), Om det inte händer nåt innan imorron... (disco solo do guitarrista David Sandströms), Final Exit (banda hardcore old school de Dennis Lyxzén e David Sandströms, que acabou "para não fazer parte dessa cena falsa"), Faint Sounds of Shoveled Heart (do batera David Sandström e do baixista Kristofer Steen), The Facer (do batera David Sandström) e Text, que lançou um disco com as músicas que entrariam no disco seguinte do Refused caso a banda não tivesse acabado. Ufa! Para adquirir o disco
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