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| Beagá,
Quarta, 23 de outubro de 2002 d.C. |
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Primal
Scream Por
El Jako
Com seu novo disco Evil Heat, Bobby Gillespie e sua trupe (enorme, diga-se de passagem) se firmam como uma das bandas mais contemporâneas e antenadas do mundo pop. Se Exterminator já era um álbum fenomenal, Evil Heat mantém o ritmo e não fica nada a dever ao seu antecessor, o que de certa forma chega a ser surpreedente. A banda parece estar até mais coesa e entrosada neste disco: o baixista Gary Mounfield (ex-Stone Roses) tem uma presença bem mais marcante nas músicas, o que dá mais "corpo" para o conjunto. E a virilidade punk se alterna com momentos de pura viagem lisérgica, como na poderosa "Autobahn 66", excelente para viagens astrais daqueles que são mais chegados em vasculhar a profundidade da própria mente. A música de abertura, "Deep hit of Morning Sun", é uma mostra do que o disco pretende. Novamente, o Primal Scream manda ver na confusão, no caos, em colocar as pessoas em profunda confusão mental - pelo menos, é o que se sente ao ouvir esta primeira faixa. Logo depois, "Miss Lucifer" volta a nos mostrar o velho Primal Scream, uma música mais direta, ótima para festas engajadas, pois ela soa moderna, embora na verdade seja apenas um punk rock dançante com bases eletrônicas. Em "Detroit" quem assume os vocais é Jim Reid e, pelo que parece, a música foi feita sob medida para o ex-companheiro de banda de Gillespie: é uma das mais belas do álbum. "The Lord is my Shot Gun" é um blues do século XXI, parece um Rolling Stones que nunca existiu, cheio de gás e vontade de fazer música. A presença de Robert Plant tocando harmônica, embora não seja dispensável, é secundária, mas o ex-vocalista do Led Zeppelin deveria agradecer aos deuses por estar neste álbum, afinal de contas o fim desta espécie de dinossauro costuma ser bem mais triste. Evil Heat não pára. A música "City" é outra faixa muito forte, onde as guitarras sujas lembram os bons tempos de rock'n roll low fi: uma zoeira infernal combinando perfeitamente com os vocais de Gillespie. E por falar em vocais, quem assume a cantoria em "Some Velvet Morning" é Kate Moss. Modelo pra lá de festejada entre os antenados da Europa, a moça canta com tranqüilidade e sua voz parece perfeita para a música, mesmo não sendo tão bonita como a garota (embora seja bastante sensual, seus sussuros são de arrepiar). "Space Blues #2" é de uma tristeza singular: lenta, devagar mesmo, a música anuncia um final para o disco bem diferente do seu começo, a calma vem fechar um álbum que prima pela boa mistura de influências, a mais nítida delas é o psicodelismo. Talvez se tivesse que definir qual é o estilo do Primal Scream para alguém que não conhece a banda, eu me arriscaria a dizer: "é uma banda psicodélica". |
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