Beagá, Quarta, 16 de outubro de 2002 d.C.

The (International) Noise Conspiracy
A New Morning, Changing Weather

Por Indiegesto
E-mail: indiegesto@abacaxiatomico.com.br

Em sua roda de camaradas indies só se fala de rock sueco? Não fique por fora e quebre as pernas deles com essa banda que considero uma das melhores dessa leva hypada que tem aparecido: The (International) Noise Conspiracy.

É bom não julgar a banda por seus cortes de cabelo e figurinos retrô parecidos com o de milhares de bandas que pipocam por aí. O T(i)nc vai muito além disso, é daquelas bandas que crêem em sua música e a usam para mudanças, dando a cara para bater com suas idéias que, convenhamos, não são muitos os que engolem. Afinal de contas, o ideal dos caras não é dos mais fáceis, pois eles clamam "apenas" por uma revolução que resulte na destruição do capitalismo e do neoliberalismo. Idealismo juvenil? Discurso panfletário? Antes de você deixar de lado essa resenha e ir acessar à página do Prona, imagine se o The Who fosse formado por cinco comunas em meio a um clima político turbulento. É mais ou menos por aí que a coisa anda: som "garageiro" dos ano 60, punk e idéias políticas radicais mas não politicamente corretas ou dogmáticas. Soa melhor para você?

A banda surgiu em meados de 1998 após o fim do Refused (papo para outro Corra Atrás!), quando o vocalista Dennis se juntou a Sara (guitarra, orgão), Ludvig (bateria), Lars (guitarra) e Inge (baixo) e começaram a compor. Meses depois lançaram diversos singles em vinil, que resultaram na compilação The First Conspiracy, lançada durante uma manifestação de recepção no encontro do G7. Na seqüência, fizeram uma turnê ilegal pela China (onde a música ocidental é praticamente banida). Após mais um punhado de shows, a banda gravou seu primeiro disco (Survival Sickness, muito bem recebido pela imprensa especializada) e continuou fazendo shows, destacando-se pelo boicote ao festival sueco Hutsfred, quando o T(i)nc preferiu tocar de graça durante uma manifestação em um evento da União Européia. Culhões são o que não falta para eles.

Deixando o bla bla bla de release de lado, vamos ao que interessa. O disco A New Morning, Changing Weather, lançado em 2001 - e o que é melhor, lançado aqui no Brasil por um selo independente, o que significa música boa e precinho camarada. Afinal, é disso que a gente anda precisando hoje em dia, não é mesmo?

"Northwest Passage" abre o disco e a banda de início esconde o jogo, não dizendo muito a que veio. O bicho começa a pegar a partir da segunda faixa, "Up For Sale", com uma linha de baixo fodona, riffs de guitarra grudentos e um final explosivo. "Bigger Cages, Longer Chains" traz um moog fantástico, grooves, além de timbres que lembram pra cacete a sonoridade de Jimmy Hendrix Experience, não dá para não lembrar do trampo de Mitch Mitchell (batera do Hendrix) ao escutar essa música. "Breakout 2001" é daqueles rocks "levanta defunto", cuja letra é quase um hino feminista. "A Body Treatise" conta com fraseados e riffs de guitarra legais e uma letra que parece falar sobre algum travesti que resolve mudar de sexo por conta própria, se é que vocês me entendem.

O disco é cheio de destaques, como "Born Into a Mess" e seu clima de casa de strip levado pelo moog, sax e piano; a dançante "New Empire Blues"; a fantástica, sarcástica e real "Capitalism Stole my Virginity"; "Dead Language of Love"; e a música que dá nome ao disco (que aliás foi inspirada em Bob Dylan). A versão nacional deste disco tem duas bônus, que foram lado B do Single de "Capitalism Stole my Virginity": "Ever Felt Cheated" (The Who na veia) e "United By Haircut" (puta letra).

É lógico que este disco teria que ter um ponto baixo, já que ninguém é perfeito: o vocal às vezes fica meio cansativo, mas não é nada que comprometa o resultado final.

Algo que eu achei muito legal é que o encarte mostra a fonte de diversas citações e também de onde foram tiradas certas idéias que aparecem nas letras, o que já vale vários pontos para os caras porque eles tiram aquele fardo de ser o porta-voz de alguma coisa ou dos "caras que sabem tudo" (coisa que brota aqui no Brasil igual mato), estimulando o ouvinte a correr atrás e tirar sua opinião. Vale a pena.

Para adquirir o disco, visite o site www.highlightsounds.com.
Site oficial: http://alt.digitalfarmers.com/tinc/

 

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