Beagá, Quarta, 01 de maio de 2002 d.C.

Garbage
Beautiful Garbage

Por Cajabis Cannabis
E-mail: cajabis@abacaxiatomico.com.br

Depois de um afastamento de praticamente três anos dos estúdios, a banda liderada pela intrépida Shirley Manson retornou com um disco simples, mais pop, com uma sonoridade inusitada para quem ouviu a banda nos dois primeiros trabalhos, seja em no álbum homônimo de 1995 ou Version 2.0, de 1998. Agora, o som sai bem mais limpinho, mais trabalhado, mas mesmo assim mais simples; ao mesmo tempo, contudo, a voz de Manson se sobressai de uma forma diferente, o que dá mais charme às canções. Isso provavelmente desagradou à turma que esperava por mais peso, mais rock'n'roll.

Em compensação, o álbum é "assobiável" e "cantável" com extrema facilidade. As músicas são gostosas, despretensiosas e fáceis de se ouvir. Alternam-se as mais pesadas e dançantes, com direito a guitarrinha cortante em alguns trechos, como "Shut Your Mouth" e "Til The Day I Die", e as baladinhas - aliás, são as músicas lentas que chamam mais a atenção: a bela e angustiada "Cup of Coffee", música boa pra tardes chuvosas e dolorosas, com direito àquela dor de cotovelo.

Em "Silence is Golden", Manson capricha nos vocais ao lado de riffs precisos de guitarra - talvez seja a música mais roqueira do disco, e é justamente a que provoca maior impacto no ouvinte. Logo depois, vem a maliciosa e bem pop "Cherry Lips", onde o refrão (Go Baby Go!) já diz tudo - você não consegue tirá-lo da cabeça, ainda mais com a voz de Manson destilando uma displicência deliciosa. Em suma: um tesão de música, com direito a um discreto tecladinho...

Pra dançar, vale "Breaking Up the Girl". E as letras? Nada pra ser levado muito à sério. Tem música tipo "nosso namoro está indo pro vinagre" ("Drive You Home"), tem uma melancolia meio "não acho sentido para minha vida vazia agora que você me deu um pé na bunda" ("Can't Cry These Tears Anymore"), uma deprê tipo "ninguém me ama, sou a pior das criaturas" ("Nobody Loves You"), ou besteiras mesmo ("Parade").

Beautiful Garbage é um bom disco, com boas músicas, ótimos momentos, divertido, mas/e/ou descartável. Este último julgamento depende única e exclusivamente de seu ponto de vista; de qualquer maneira, uma coisa não dá pra negar: a competência da banda e o carisma de Shirley Manson, que magnetiza o ouvinte com sua voz. Coloque esse disco pra tocar na sua festa (no início dela, claro) e pode me convidar: é prenúncio para uma noite bacana.

 

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