Beagá, Quarta, 13 de março de 2002 d.C.

System of a Down
Toxicity

Por Indiegesto
Correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Sum Paulo

E-mail: indiegesto@abacaxiatomico.com.br

O System of a Down é uma banda de Los Angeles formada por Serj Tankian (voz), Daron Malakian (guitarra), Shavo Odadjian (baixo) e John Dolmayan (bateria), todos descendentes de armênios. O produtor Rick Rubin, que já assinou a produção de discos nada marcantes como Licence to Ill (Beastie Boys), Season in the Abyss (Slayer), Blood Sugar Sex Magic (Chilli Peppers), como não é bobo tratou de contratar a banda para seu selo, a Def American (antiga Def Jam). O primeiro disco do System of a Down, que leva o nome da banda, saiu em 1998; jogue em um liqüidificador Dead Kennedys, Slayer, Sepultura, Led Zeppelin, Black Sabbath, Mr Bungle e música oriental - o resultado disso é o SOAD, que mostra muita personalidade e conta com letras que passam longe da burrice homofóbica de 98% das bandas de nu-metal.

Toxicity, o segundo disco da banda, foi lançado dia 04 de Setembro de 2001, entrando no primeiro lugar da Billboard logo de cara, estragando a festa do hype Strokes.

"Usando as drogas para pagar por guerras secretas pelo mundo, as drogas são nossa política global, agora nós policiamos o globo/O dinheiro das drogas é usado para forjar eleições mundo afora e treinar brutais ditadores patrocinados por corporações" ("Prison Song"). Qualquer semelhança não é mera coincidência: uma semana após Toxicity ir para as prateleiras, os atentados contra o WTC fizeram com que o SOAD recebesse uma maior exposição. A medida em que as pistas apontavam para a população do Oriente Médio, mais o interesse sobre a banda com sotaque árabe que metia o dedo na ferida dos EUA crescia, ainda mais depois que o vocalista Serj Tankian publicou um manifesto no site oficial da banda (www.systemofadown.com) dois dias após os atentados.

A publicação desse texto trouxe resultados desastrosos para a banda, que passou a receber ameaças de morte e boicotes de rádios americanas. O radialista Howard Stern baniu o SOAD de seu programa e passou a degradá-los no ar, que resultou em um debate entre ele e Serj ao vivo semanas depois. A pressão foi tanta que acabaram trocando o texto por outro bem mais ameno.

Mesmo com todo o barulho causado pelas declarações de Serj, o SOAD se manteve firme e forte nas paradas, apesar do vocalista ter dito que a CIA anda monitorando a banda. Paranóias à parte, vamos ao que interessa, um "faixa a faixa" de Toxicity:

1. "Prison Song" - um soco na cara. Essa é a primeira impressão que se tem ao apertar o Play na faixa que abre o disco. A música segue numa levada cadenciada, a letra fala sobre o sistema carcerário americano e o ineficaz combate às drogas nos EUA.

2. "Needles" - nesta música, a influência de Dead Kennedys fica na cara graças aos vocais de Serj (que dá até para confundir com o Jello Biafra), começa hardcore e dá uma acalmada no meio, com incursões vocais do guitarrista Daron, no final o bicho pega novamente.

3. "Deer Dance" - a introdução dessa música lembra o Anthrax dos velhos tempos, quando entra o vocal a música fica SOAD puro: linhas vocais 'das arábias', refrão poderoso ("Empurrando criancinhas com suas automáticas carregadas, eles gostam de mandar os fracos para longe"), novamente a música dá uma caída no meio, onde pode-se ouvir um belo trabalho de guitarra, para no final a música explodir.

4. "Jet Pilot" - a música mais agressiva do disco. Slayer puro no início, melodias orientais permeando os vocais.

5. "X" - outra porrada, começa cadenciada e vira um crust.

6. "Shop Suey" - puta música. Várias camadas de violão e guitarra até entrar a bateria acelerada, vocal à la Mr Bungle no início, refrão com toques meio épicos. "Shop Suey" é como uma montanha russa, cheia de partes diferentes e diferentes influências que conseguem fazer sentido juntas.

7. "Bounce" - uma das mais comédias do disco (e mais fracas), fala sobre um encontro bem estranho.

8. "Forest" - o nível sobe, a fórmula SOAD sendo usada novamente e sem sinal de que vá se esgotar.

9. "ATWA" - a balada mais "Led Zepelliniana"do disco. Mais uma vez, Serj cantando muito e as guitarras de Daron mesclando peso e melodia na medida certa.

10. "Science" - essa tá na cara que a banda ouviu muito Iron Maiden na época do Powerslave. A letra fala (mal) da ciência.

11. "Shimmy" - música pra lá de irônica que fala sobre educação, lembra um pouco "Sugar" (do disco anterior), devido à uma parte Jazz bem tosca que aparece no meio.

12. "Toxicity" - uma das melhores músicas do disco. Baladona dramática e pessimista ("O que te pertence deste mundo? Desordem").

13. "Psycho" - outra música comédia que fala sobre uma groupie psicopata viciada em cocaína.

14. "Aerials" - fechando o disco, uma faixa meio sombria com uma letra tão pessimista quanto "Toxicity".

O System Of A Down é uma das provas de que dá para conciliar boa música e sucesso comercial e pode agradar tanto aos fãs de música pesada quanto às viúvas do Rage Against The Machine. E o melhor é que dá para encontrar seus dois discos em edições nacionais. Corra atrás!

PS: Corram atrás das outras bandas citadas e conheçam melhor as influências do SOAD. Músicas inéditas em coletâneas:

"The Metro" - Essa música é um cover de uma banda New Wave chamada Berlin, e pode ser encontrada na trilha sonora do filme Dracula 2000.
"Shame" - Versão maravilhosa da música do Wu Tan Clan em que o SOAD executa com os próprios. Está na coletânea Loud Rocks.
"Storaged" - Música que faz parte da trilha sonora do desenho Heavy Metal 2000, Dead Kennedys puro.
"Patterns" - Música que faz parte do disco solo de Tony Iommi (guitarrista do Black Sabbath) e que tem os vocais de Serj Tankian em uma quase reencarnação de Ozzy Osbourne.
"Snowblind" - Cover do Black Sabbath que faz parte da coletânea Nativity In Black II
"Starlit Eyes" - Do disco Strait Up, um tributo ao falecido vocalista da banda Californiana Snot. Aqui Serj canta com a banda na música mais agressiva do disco.

 

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