Beagá, Quarta, 30 de janeiro de 2002 d.C.

Presto?
Ódio Puro Concentrado

Por Indiegesto
Correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Sum Paulo
E-mail: indiegesto@abacaxiatomico.com.br

Ao invés de fazer um "corra atrás" com algum disco injustiçado ou com o novo hype abençoado pela NME, resolvi indicar um lançamento recém saído do forno - e melhor: nacional. O disco se chama Ódio Puro Concentrado e a banda se chama Presto? (com essa interrogação no nome mesmo).

Esse é o segundo disco desta banda de Hardcore Paulistana (o primeiro, A.Q.N.P. foi lançado em 99 no velho esquema Do It Yourself), que adiciona influências Grindcore e Metal com resultados empolgantes e foi lançado pelo selo Pecúlio Discos (do baterista do Ratos de Porão, Boka). Ódio Puro Concentrado traz 20 músicas em aproximadamente 22 minutos, o que significa: firulas zero, letras diretas e músicas rapidíssimas, cuja duração varia entre 30 segundos a 1 minuto e meio no máximo.

Se em seu primeiro disco o Presto? seguia mais a linha Hardcore Old School, em Ódio Puro Concentrado a banda fez questão de mostrar suas mudanças logo de cara (já que agora a banda toca com afinação baixíssima, fazendo com que as músicas soem ainda mais pesadas); a introdução é uma referência à primeira música de seu disco anterior, tendo seu trecho inicial tocado primeiro como foi gravada na época e depois como a banda toca atualmente (bem mais grave). Daí por diante o disco vira uma 'desgraceira' só, chegando a lembrar em alguns momentos o Brujeria.

Como não podia deixar de ser, as letras atiram para todo o lado, seja em assuntos "batidos" como política ("parece uma comédia mas é o horário eleitoral / um dia você vai ver o voto nulo vai vencer") ou apontando problemas dentro da própria cena HC como o patrulhamento ideológico ("Se diz libertário mas só pensa em julgar / critica tudo e todos sem querer argumentar"), falsidade ("a inveja me incomoda eu não paro sigo em frente / relações baseadas no interesse") e um certo saudosismo ("Se lembra do tempo quando tudo era pequeno / interessados eram poucos / dedicados ao extremo"), além de opiniões sobre o sistema carcerário, legalização das drogas ("Você é cego para não ver / o tráfico não vai acabar ele é sustentado por você / governante que você vê na TV não morre na favela mas faz muito dinheiro com ela") e uma curiosa "canção pé na bunda" ("Disse que me ama e dormiu na minha cama / mas de um dia para o outro tudo isso passou / disse estar confusa da minha paciência abusa / desencana") além de um cover da banda Naughty Way ("Short Vision Man").

Se por um lado algumas letras contam com rimas um tanto quanto pobres, a fúria empregada na interpretação das mesmas faz com que isso passe desapercebido. Um momento curioso do disco é uma inserção de um hilário discurso de um pastor da Igreja Universal falando sobre os males do Rock para seus fiéis. Também devemos dar um ponto para a boa produção do álbum, que não deixa que essa soma de bateria ultra rápida + vocais berrados + afinação baixa não se torne uma maçaroca incompreensível.

Pode-se dizer que o Presto? é uma das maiores promessas para 2002 no underground brazuca e pode vir a fazer escola, assim como Ratos de Porão, Mukeka de Rato e DFC fizeram, levando o Hardcore nacional a outro nível. Nada de música com olho no mercado ou com fórmulas pré fabricadas: se você quiser uma trilha sonora para atormentar aquele seu amigo descolado fã de Belle & Sebastian, Ódio Puro Concentrado é a melhor pedida.

Para adquirir os discos do Presto? entre em contato com a banda pelo site www.prestohc.cjb.net ou diretamente no selo dos caras (que tem disponível uma música em MP3): www.peculiodiscos.com.br.

 

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