Beagá, Quarta, 02 de janeiro de 2002 d.C.

Stone Gossard
Bayleaf

Por El Jako
E-mail: eljako@abacaxiatomico.com.br

O que dizer de uma banda como o Pearl Jam? Primeiramente, que foi uma das bandas mais importantes do início dos anos 90, fazendo um som bacana com letras nem tão bacanas assim. Depois, podemos falar que ela tem um dos vocalistas mais malas e pretensiosos da história musical - Eddie Vedder é um dos caras mais chatos que surgiram nos últimos tempos. Não se sabe se ele é um bom moço que só quer fazer o bem ou se é um surfista que acha que tem a mais bela voz do mundo do rock. Para fechar, o Pearl Jam pode ser considerada uma das bandas mais perdidas do cenário roqueiro: fizeram discos pop, loucos, sem sentido, ao vivo, caça-níqueis e até hoje ainda está no ar o que realmente eles querem mostrar. Enfim...

Voltando à "vaca fria", um dos guitarristas do Pearl Jam está lançando seu primeiro álbum solo. Stone Gossard sempre foi um dos mais discretos dos cabeludos e, ao mesmo tempo, era o que segurava a onda dos companheiros, tocando com competência e extrema agilidade. O rapaz é velho de guerra, começou tocando em bandas de garagem como Duck Boys, March of Crimes, até chegar no Green River, que deu origem a sua atual banda e a outra, a melhor de Seattle: o Mudhoney. Em sua carreira, Gossard se caracterizou por tocar riffs à la Black Sabbath, alternando com momentos calmos e chegando até a flertar com o funk dos anos 70. De uns tempos pra cá, ele tem dedicado boa parte de seu tempo a seu estúdio em Seattle, o Studio Litho, e aproveitou o espaço para produzir bandas desconhecidas por aqui como Cutters Buggin, Weapon of Choice e Satchel. E agora chegou a hora dele mostrar serviço em carreira solo.

Bayleaf é um disco de rock, simplesmente isso. Um álbum sem a menor pretensão de mudar o mundo, um daqueles que você compra e não se decepciona, mas isso só vale para aqueles fãs de carteirinha do tradicional rock'n roll. Sem esquisitices, sem frescuras e sem tentar fazer um som "a frente do seu tempo", Gossard produz um som muito refinado e com belas canções que não ficam nada a dever às melhores músicas do Pearl Jam. Até então, Stone Gossard não tinha tido a oportunidade de mostrar sua voz para o público e neste disco fica claro que ele não é um vocalista de primeira, mas também não faz feio. Pelo contrário, sabe das suas limitações e também sabe como usar sua voz, que fica em segundo plano quando comparada ao som que ele consegue tirar dos instrumentos. Com certeza ele também está acompanhado de uma bela banda: Pete Droge, que já lançou bons discos solo como "Find a Door", está muito bem nas guitarras, baixos e teclados; Guy Davis, apesar de um passado comprometedor (tocou com o Bon Jovi), é um excelente baixista e, para completar o time titular, o baterista Matt Chamberlain tem uma mão pesada e sincronizada.

O álbum de estréia de Stone Gossard é um belo começo de carreira solo para o rapaz. As músicas são homogêneas e a mesma pegada se mantém do início ao fim do trabalho. Os destaques ficam por conta da estonteante "Cadillac", onde ele mistura rock, reggae e funky na dose certa; "Anchors", uma balada que pode engatilhá-lo em algumas rádios e, apesar de pop em demasia, é honesta. A influência de Buddy Guy & Cia. está em "Fits", especial para os fãs do blues mais antigo; e o rock'n roll "come solto" em "Pigeon", "Unhand me" e "Fend it off". Em resumo, Bayleaf não é uma obra-prima: é um disco comum, algo que nos dias de hoje virou raridade, pois todos querem inventar, querem ser "mudernos" e às vezes se esquecem de que a simplicidade é o melhor caminho para um trabalho digno.

 

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