Beagá, Quarta, 19 de dezembro de 2001 d.C.

Mogwai
Rock Action

Por El Jako
E-mail: eljako@abacaxiatomico.com.br

O nome deste disco pode enganar muita gente que não conhece ainda o trabalho destes escoceses. Rock Action não é um disco de rock'n roll puro e direto, muito pelo contrário: é suave e barulhento ao mesmo tempo. O Mogwai surgiu em 1996 em Glasgow, quando amigos de escola se juntaram para formar mais uma banda obscura do Reino Unido. Staurt Leslie Braithwaite (guitarra e vocal), Dominic Aitchison (guitarra) e Martin Bulloch (baterista) conseguiram aliar uma boa cozinha, com belas letras e um som muito fúnebre e experimental. O resultado não poderia ser melhor: já em 1997, com Young Team, eles mostravam que tinham um potencial fora do comum.

Este novo lançamento dos caras mostra uma banda mais madura, em busca de novas tentativas musicais que lembram desde My Bloody Valentine até os bons tempos de Tindersticks. O álbum começa com o pé direito com "Sine Wave", que lembra o ambiente londrino sujo, chuvoso e sombrio. A tristeza não é gratuita, é simplesmente natural para quem vive por aquelas bandas do Velho Continente. "Take me somewhere nice" é honesta e contida, a depressão não se transforma em um muro das lamentações como tem sido muito comum, ultimamente; a bateria é fantástica, por sinal Bulloch é o que se dá melhor com seu instrumento na banda. Se você procura saber como se faz uma bela balada, ouça "Dial: Revenge": o violão bem folk faz uma combinação perfeita como os vocais do convidado especial Gruff Rhys, candidata à música do ano, ou até à música de fim do ano, devido às circunstâncias sempre entediantes desta época natalina e de ano novo que deprimem muita gente. "You don't know Jesus" é uma barulheira caótica, porém organizada, Bulloch dá outro show e, para quem gosta de Velvet Underground e todos os seus seguidores, é perfeita: não há vocais, apenas alguns sussuros, que não deixam dúvidas da criatividade do Mogwai.

Em "Robot chant" pode-se lembrar de Jesus & Mary Chain fácil, aquela guitarra noise e suja de Psychocandy está lá, um pouco modernizada sim, mas a semelhança com os conterrâneos é quase que automática. "Two rights make one wrong" é uma das músicas mais encorpadas do disco, onde a alternância de momentos quietos e amalucados dá o tom certo, os vocais meio robóticos-século XXI são alucinadamente bem feitos. Já "Secret pain" tem um piano e um violão de cair o queixo combinando de forma doce com um vocal grave e soturno de Braithwaite. Para encerrar este ótimo trabalho vindo da Escócia, a instrumental "Close encounters" traz uma suavidade relaxante, essencial para dias nublados e chuvosos como estes de fim de ano aqui na capital do pão de queijo. Isto é Mogwai, isto é o que melhor se faz no momento em termos de música na Europa. Sem dúvida, vale a pena conferir e se deliciar.

 

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