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| Beagá,
Quarta, 05 de dezembro de 2001 d.C. |
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The Strokes Por
El Jako
Fazia um bom tempo que não se via na praça um petardo sonoro tão regular: as músicas são todas muito boas, constantes e sem maiores pretensões. Is this it é curta e grossa, abre o disco mostrando a que a banda veio. Eles querem tocar rock'n roll, com baixo, guitarra e bateria, só isso, os três bons e velhos acordes. "The Modern Age" tem influência clara de Velvet Underground, Julian Casablancas tem o mesmo jeito junkie de cantar de Lou Reed e toda banda mostra que sabe tocar, sem virtuosismos mas com muita competência. O destaque destes jovens músicos é o baixista Nikolai Fraiture, o garoto toca como se fosse um velho mestre, bem acompanhado pelo baterista brazuca Fabrizio Moretti. As influências não param em Velvet Underground, ouve-se ao longe o Big Star e suas guitarras estridentes. O punk rock também norteia o som dos caras como na faixa "New York City Cops" (que não está no cd americano por causa dos atentados de 11 de setembro) e há também o pop sessentista de Kinks, Beach Boys e o nervosismo de MC5 e Stooges. Na verdade, o Strokes pegou tudo de bom que já foi feito no rock, principalmente no que diz respeito ao estilo low-fi, e deu uma bela reciclada, transformando tudo em rock simples em pleno Terceiro Milênio. É claro, eles não descobriram a pólvora e Is this it não é também nenhuma obra-prima, mas a regularidade sonora, para uma banda iniciante como esta, é de impressionar. No momento em que muito do que está se fazendo de bom na música é produzido por Djs, dá um certo alívio verificar que ainda existem pessoas que sabem e querem fazer um rock mais simples, sem as firulas chatíssimas do nu-metal que já estão estrapolando o limite do aceitável. Músicas como "Someday" e "Last Nite" mostram que existe muita vida inteligente no meio musical atual e caras despretensiosos como estes têm tudo para se dar bem. Entenda: "se dar bem" não é "vender zilhões de discos", mas sim ter uma carreira digna e uma música que realmente toque as pessoas sem precisar de afetação e papos cabeças. Vida longa ao Strokes e, se seu segundo álbum conseguir atingir pelo menos a metade da qualidade sonora de Is this it, eles já estão no lucro. |
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