| |
| Beagá,
Quarta, 05 de setembro de 2001 d.C. |
|
Syd Barrett Por
El Jako
Ao deixar uma banda em plena formação, Syd Barrett ficou dois anos hibernado e viajando em múltiplas drogas de caráter lisérgico, afinal de contas o cara tinha pouco mais de 20 anos e estava no auge das experiências hippies. Logo depois de seu sumiço, ele reapareceu com dois álbuns completamente fundamentais em qualquer discoteca: The Madcap Laughs, realizado em janeiro de 1970, e logo depois Barrett. Ambos os discos se caracterizavam por um som que misturava folk com psicodelismo e experimentações das mais diversas. Aqui no Brasil ele teve reflexos instantâneos no sempre antenado Arnaldo Baptista, dos Mutantes, uma das poucas salvações do nosso rock brazuca. Em Wouldn't you miss me? estão reunidas várias canções destes discos acima citados além do belo álbum Opel, lançado no Brasil na década de 80. Entre as melhores estão "Octopus", "Swan Lee", "No Good Trying", "Bob Dylan Blues" e "Opel", letras às vezes inteligíveis e outras vezes belas e simples canções ou completamente experimentais. O que há de melhor na carreira de Syd Barrett compõe este álbum, que serve para desmitificar a idéia de que o cara teria endoidado a ponto de suas músicas não fazerem qualquer sentido. Fazendo um paralelo com os dias atuais, os discos de John frusciante, guitarrista do Chili Peppers, retratam muito bem o que um cara pode produzir de inteligente e interessante em fases de depressão aguda e overdoses de drogar venias, mas o caráter anti mercadológico destas composições as deixam à margem do público em geral. Isso foi o que aconteceu também com Syd Barrett, só que por volta de trinta anos atrás. Se Wouldn't you miss me? não é um disco assobiável e facilmente digerível é uma outra estória, mas que ele é muito bom e relevante (para não dizer fundamental) disto não se pode duvidar. A genialidade de Barrett constatada ao ouvir suas músicas faz imaginar como seria o Pink Floyd se tivesse seguido com seu primeiro guitarrista: sem dúvida, seria bem melhor do que se tornou depois, pois parece que Barrett não gostava muito daquelas viagens progressivas - pelo menos não se nota isso nas suas composições, sempre curtas por sinal. Belo disco de um dos melhores e maiores gênios que já passaram pelo planeta Terra. Vale a pena ouvir, gravar e comprar esta fantástica coletânea de um dos, desculpem o chavão, monstros sagrados da psicodelia. |
|
©
Todos os direitos reservados
Melhor visualizado em 800x600 Recomendamos Internet Explorer 4.0 ou superior |