Beagá, Quarta, 11 de abril de 2001 d.C.

Sepultura
Nation

Por El Jako
E-mail: eljako@abacaxiatomico.com.br

Depois de muita expectativa, chegou o disco novo do Sepultura! Nation é o segundo álbum da nova formação da melhor banda da história das Minas Gerais, sem Max Cavalera e com o "predador" Derick Green nos vocais. Se em Against (98) a sonoridade da banda parecia meio confusa e perdida, em Nation o Sepultura volta a ser uma banda coesa e com o mesmo entusiasmo da sua melhor fase, período áureo de Chaos A.D.. Derick Green não deixa saudades de Max (que vai caminhando com seu Soufly em rumos bem diferentes da sua ex-banda), os vocais do americano estão, não só em alta voltagem, mas também com personalidade de sobra.

O álbum Nation é temático. A idéia é a de construir uma nação, um movimento que tem o Sepultura como o grande elo de ligação com o mundo. Pode até parecer pretensioso a princípio, mas depois de ouvir o disco na íntegra dá para entender a proposta dos caras. Como disse o próprio Igor Cavalera: "é a nação Sepultura, mais do que o Brasil em si". Isso mesmo: a banda, que começou pra lá de tosca nos anos 80, hoje é uma das mais respeitadas no cenário do rock pesado no planeta e rompeu todas as fronteiras que se possa imaginar.

A faixa de abertura, "Sepulnation" (que já tivemos a oportunidade de conferir em janeiro no Rock in Rio 3), é uma das pedradas mais intensas dos últimos tempos. Green grita como um comandante e Igor simplesmente arrasa com as baquetas em punho. "Politricks" é outro hino do disco, este contra a corrupção que varre nosso mundinho globalizado de hoje; a participação de Jello Baifra (ex-vocalista do lendário Dead Kennedys) tem tudo a ver com o discurso do Sepultura. "Valtio" é uma das faixas mais experimentais da banda e conta com o quarteto de cordas finlandês Apocalyptica - pode parecer estranha, mas no fundo faz sentido no contexto do disco. As outras porradas são excelentes: "Revolt", "Vox Populi", "Uma Cera" (favor não confundir com "A Cera", por obséquio...) e "Tribe to Nation" mostram Andreas Kisser comandando a guitarra como um verdadeiro veterano que sabe das coisas; Paulo Jr. continua segurando bem a onda no baixo e Igor ensurdece os ouvidos mais sensíveis sem a menor cerimônia.

Se um dia algumas pessoas pensaram que o Sepultura pudesse perder o fôlego sem o seu líder, Nation é uma prova de que a banda renasceu e agora será difícil parar a fúria dos nossos conterrâneos, que são motivo de orgulho para a Terra das Montanhas. Um álbum forte, com muita personalidade, de uma banda que em tempos idos nenhum ser humano era capaz de ouvir, hoje, graças à evolução (incrível) dos seus integrantes, o Sepultura continuará mostrando para o mundo que em shows de metaleiros há muito mais do que garotos batendo as cabeças: existem também cérebros pensantes esbanjando sagacidade. Não tenha dúvidas: compre logo este disco, por mais clichê que possa parecer é satisfação garantida.

 

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