Beagá, Quarta, 04 de abril de 2001 d.C.

J. Mascis
More Light

Por El Jako
E-mail: eljako@abacaxiatomico.com.br

Mais um álbum solo de um músico que vem de uma das bandas mais bacanas dos anos 80 e 90, graças a Deus!! J. Mascis lidera já faz um bom tempo o Dinosaur Jr; durante uma fase da banda, o cara tocava quase todos os instrumentos e só ao vivo chamava os colegas para participarem da diversão. Por isso, um álbum solo seu pode até ser considerado mais um disco do Dinosaur. Seu primeiro disco solo, Martim and Me, é muito bom, só que tinha um probleminha: as músicas eram quase todas acústicas e ele perdia o que tinha de melhor, a força de suas guitarras barulhentas e distorcidas.

Em More Light J. Mascis recupera o vigor da sua banda e mostra que fazer barulho e falar de desastres amorosos é uma combinação quase que perfeita, desde que feita com cuidado e sem se achar o poeta do novo milênio. Duas participações por si só já valem o disco: primeiro Robert Pollard - o professor de literatura (que, por um acaso, tem uma banda chamada Guided by Voices) toca em três faixas do disco, emprestando sua genialidade despretensiosa ao colega de profissão. E tem também Kevin Shields, da lendária e obscura banda My Bloody Valentine; ele produziu o álbum, cantou e tocou guitarra. J. Mascis conseguiu juntar em uma só tacada duas figuras importantíssimas do rock'n roll puro e simples, e o resultado final não poderia ter sido melhor.

As músicas seguem o estilo já característico de Mascis: um vocal a la Neil Young, solos de guitarras noise e letras desesperadas, nada otimistas. "Can't Take This One" lembra demais Dinosaur Jr. nos seus momentos mais pop; ao mesmo tempo, ela tem instantes que é puro barulho e podreira, nota 10. "Same Day" faz remetermos ao som feito em Seattle no final dos anos 80, um punk rock pop e ao mesmo tempo insandecido. Já "All The Girls", "I'm Not Fine" e "More Light" mostram a maior qualidade do disco e do músico: ele não inventa, faz aquilo que sabe e pronto, resolvida a questão.

O segundo álbum solo de Mascis foi gravado ano passado e é ideal para aquelas pessoas que acham que estão por fora por não se adaptarem bem com o tão falado som eletrônico. Ou seja: os fãs de rock sujo vão se deliciar com o novo trabalho do líder do Dinosaur Jr. A maioria das faixas são simples e diretas, sobem como uma locomotiva na cabeça de qualquer um. Este é um disco que, se não é irretocável, tem uma produção poderosa, típica de quem sabe o que faz.

 

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