Beagá, Quarta, 14 de março de 2001 d.C.

Plastilina Mosh
Juan Manuel

Por El Jako
E-mail: eljako@abacaxiatomico.com.br

No final do ano passado, a dupla mexicana Alejandro Rosso e Jonas estava acabando de gravar seu segundo álbum, Juan Manuel, que tinha a difícil missão de dar continuidade ao bom trabalho iniciado pelos caras em Aquamosh, de 98. Músicas como "Niño Bomba" emplacaram o Plastilina entre os preferidos do hip hop alternativo. O groove latino, somado à boa performance dos caras, nos deu uma bela banda no final dos anos 90, vinda de um local com pouca tradição no cenário roqueiro ou do hip hop: a cidade de Monterrey.

O álbum traz a mesma vitalidade do anterior, com sons bem trabalhados e uma produção de primeira linha, tendo uma vantagem: como não foi lançado por uma gravadora major, a dupla parece que teve mais liberdade para trabalhar não só suas viagens psicodélicas eletrônicas mas também seu lado mais... digamos, podreira. Em "Nordic Laser" Jonas mostra que é bom guitarrista e também sabe fazer um rock'n roll sujo, estridente e esbanjando personalidade. Já "Boombox Baby" nos mostra um som meio disco e meio funk, a combinação é ideal para uma boa pista de dança e nos faz lembrar o grande som feito nos anos 70 pelos black-power boca de sino, como George Clinton e seu Funkadelic.

A viagem continua na audição de Juan Manuel: na faixa "Tiki Fiesta" os caras se mostram até um pouco arrogantes, tanto na letra como no som, mas no fundo é uma tiração de sarro geral que não é mesmo para ser levada muito a sério. Outras balas do álbum são "Supercombo eletronico", com algumas pitadas de som alternativo, e "Bossass", que tem uma bela levada. É um som que mantém nossas esperanças de que existam cabeças pensantes no planeta Terra que não sejam "Os Intelectuais" prontos para dar-nos lições de moral na primeira oportunidade.

A banda Plastilina Mosh é bem desconhecida por aqui, mas se as rádios fossem menos corporativistas e comprometidas com gravadoras coisa e tal, poderiam dar uma chance para os mexicanos. Eles têm faixas muito pop e feitas com cuidado: você sente no som e na atitude dos latinos que eles realmente gostam do que fazem. Outro aspecto interessante deste disco é que ele pode ajudar a quebrar o preconceito que nós mesmos temos em ralação ao rap ou até mesmo ao rock cantado em espanhol. O Plastilina mostra, assim como o Molotov e o saudoso Mano Negra, que é possível sim cantar qualquer estilo no idioma próprio: é só não ter medo de parecer estranho e mandar bronca nas mensagens, que serão muito melhor entendidas pelos seus pares do que se fossem cantadas em inglês.

 

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