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| Beagá,
Quarta, 31 de janeiro de 2001 d.C. |
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Ira! Por
El Jako
A nova edição deste álbum traz quatro boas novidades: músicas em versões diferentes e algumas delas inéditas. "Não Pague pra Ver" e "Nasci em 62" são raridades em versão demo tape, parecidíssimas com as faixas do primeiro disco dos paulistanos Mudança de Comportamento: criticam a sociedade e têm um quê de punk rock, no som, na atitude e nas letras: "meu dinheiro nada vale, eu não quero segurança". As outras duas surpresas são "Flores em Você", em versão demo e sem as cordas - ou seja: é bem melhor que a original, grande sacada de Gavin e dos caras da banda, que salvaram a música com esta versão meio pirata. A outra é "Tanto quanto Eu", que na demo tape é mais suja que a original e mostra Nazi ainda aprendendo a lidar com sua voz, às vezes meio rouca, às vezes meio desafinada. O restante do álbum é aquilo mesmo que nós conhecemos há 15 anos. Ah, não podemos deixar de falar das clássicas "Dias de Luta" e "Pobre Paulista", que foram hinos da juventude dos anos 80 não só em São Paulo, mas em todo Brasil. As faixas são o retrato de uma época, mostravam o descontentamento dos jovens num tempo em que não se sabia bem por quê lutar. "Envelheço na Cidade" e "Vivendo e Não Aprendendo" são as faixas mais pop; mesmo assim, são simpaticíssimas e históricas, o sotaque paulista da banda, que poderia incomodar, só aumenta a personalidade dos caras. É bom lembrar que este disco já tinha sido lançado em CD, mas estava fora de catálogo; agora, volta com a corda toda, impulsionado pelo sucesso do disco Ao vivo da banda e pela competente apresentação no Rock in Rio 3. Este é o ponto: o Ira! é uma das bandas tupiniquins que mais tem personalidade. Ao longo de sua carreira, lançaram discos com as mais diversas influências, mas a espinha dorsal da banda sempre foi mantida, tanto sonora, como física (sempre foram os mesmos integrantes desde a saída de Gavin) e estética. Nasi teve a oportunidade de experimentar com sua banda solo de blues; Edgard Scandurra, que é, sem dúvida, o melhor guitarrista do Brasil, pôde viajar na música eletrônica e nos discos de Arnaldo Antunes (ninguém é perfeito), mas sempre respeitou a sonoridade roqueira tradicional dos caras, por mais cérebro da banda que fosse. O Ira! é isso aí, sempre comendo pelas beiradas, sem fazer O SUCESSO, sem tocar tanto nas rádios, sem caras bonitinhas e letras pretensiosas, uma das melhores bandas de rock brazuca hoje e sempre. |
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