Beagá, Quarta, 17 de janeiro de 2001 d.C.

At The Drive In
Relationship of Command

Por El Jako
E-mail: eljako@abacaxiatomico.com.br

Poucas são as bandas que entusiasmam hoje em dia. Principalmente se falarmos daquelas que tocam um som "roqueiro" propriamente dito, já que, na maioria das vezes, nada trazem de mais para nossos ouvidos. A costa oeste dos Estados Unidos tem bandas ensolaradas que marcaram época, como Red Hot Chili Peppers, Reverend Horton Heat e Butthole Surfers. O At The Drive In, formado em 94, vem seguindo a mesma linha, embora seja originária do Texas, com um rock básico e nervoso de fazer a galera se esbaldar, seja em moshes ou até mesmo no quarto de casa, incomodando os vizinhos.

O pessoal da banda manda ver em seu terceiro disco com uma música que solta energia pelos poros, lembrando os melhores momentos de bandas recentes como Rage Against the Machine e Rollins Band. Cedric (vocais), Omar e Jim (guitarras), Pall (baixo) e Tony (bateria) têm atitude, mas não é aquela atitude posuda de homens do mal, de skatistas pseudo-anarquistas ou filhinhos de papai revoltados com o atraso da mesada. Os cabelos black power, as roupas escrachadas e um ar de deboche lembra muito bandas como MC5 e Ramones, que revolucionaram o mundo roqueiro na década de 70.

A produção de Relationship of Command é das melhores: ficou a cargo de Ross Robinson, que sabe como ninguém polir na medida certa bandas novas que fazem um rock mais pesado. O cara acertou a mão, ajudando a fazer deste o melhor álbum da banda. As pancadas são a tônica do disco e entre as melhores porradas estão "Quarantined" e "Sleepwalk Capsules". Há lugar para músicas melhor trabalhadas, como "Non-Zero Possibilty", que tem uma surpreendente base de piano. "Enfilade" tem uma estrutura eletrônica que dá um ar mais moderno do que as outras músicas, mas a combinação no final acaba bem feita. Outro destaque do disco é a participação especial de Iggy Pop - aliás, o vovô do punk rock devia se dedicar exclusivamente a participações especiais, pois nos últimos anos o cara só tem dado mancadas em sua carreira solo. A música é "Rodolex Propaganda", um daqueles punk rock estilosos que lembra a boa fase da música underground dos anos 70 e 80, quando este termo ainda podia ser utilizado sem confusões.

At The Drive In se caracteriza por ser uma banda que faz um som realmente simples e direto, sem enganações. É paulada pura, que faz pensar muitas vezes que toda esta parafernália tecnológica de final/início de século são meras superficialidades (eles utilizam muito discretamente estes recursos). O vocalista Cedric tem estilo e sua voz e postura no palco colocam muitos veteranos astros do rock no bolso fácil, fácil. Se você simpatiza com punk, hardcore e sons pesadões, vá correndo atrás de Relationship of Command um disco que deixa boas perspectivas para o ano 2001: é adrenalina na veia, sem dúvida.

 

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