Beagá, Sábado, 04 de novembro de 2000 d.C.

Soufly
Primitive

Por El Jako
E-mail: eljako@abacaxiatomico.com.br

Está certo que Igor, Andreas e Paulo fazem uma falta danada para Max Cavalera, também está certo que a mistura berimbown com música pesada é um tanto quanto insossa e que a fórmula rap-metal já não causa tanto impacto como antes. Mas no final das contas Primitive, segundo álbum da banda do ex-líder e vocalista do Sepultura, é um disco forte e raivoso. Esta característica Max não deixou morrer: parece que toca e canta como se quisesse ofender alguém, e realmente seu som ainda é chocante e causa furor ao vivo, com toda certeza.

O Soufly passou por algumas transformações: na guitarra, assumiu de vez Mikey Doling; o baixista é Marcelo D. Rapp e, na bateria e percussões, Joe Nunes toca com furor, mas nada comparado ao irmão de Max. A produção de Primitive é de alta qualidade, os gritos do vocalista ecoam em cada faixa de maneira ensurdecedora e, no fim, parece que a banda ganhou em personalidade. As faixas que causam mais impacto são "Back to the primitive", que abre com chave de ouro a pauleira sonora, "Son song", uma inusitada parceria de Max com o neo-hippie Sean Lennon que dá frutos interessantes, e "Mulambo", uma referência a Chico Science, com quem o líder do Soufly chegou a trocar umas idéias antes mesmo de se conhecerem.

O disco poderia ser melhor, a banda poderia ser melhor, mas quem ouvir Primitive com atenção vai notar que é um som, ou melhor, um barulho que representa bem o caos do fim/início de séculos. Vale a pena correr atrás, pois, apesar de todas as suas maluquices, Max Cavalera continua sendo um representante brasileiro de respeito no exterior, talvez o único que as pessoas não tratam como um bicho exótico da Amazônia - ao menos por enquanto.

 

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