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O velho
ditado de que não se deve julgar um livro pela capa se faz presente
no novo disco dos californianos do Deftones, que tem uma das capas
mais feias da história. Musicalmente, Deftones (o disco)
é o equilíbrio entre seus três primeiros trabalhos, trazendo a crueza
de Adrenaline (1995), o peso e os climas claustrofóbicos
de Around the Fur (1997), e canções carregadas de melodias
e experimentos eletrônicos de White Pony (2000), utilizando
afinações que a banda nunca usou.
"Hexagram"
abre o disco com uma guitarra limpa, que explode em distorções e
um vocal histérico de Chino Moreno com um refrão típico dos Deftones,
em que Chino alterna vocais com o baixista Chi Cheng. "Needles and
Pins" mantém o pique e justifica a descrição sobre o som da banda
que fiz no parágrafo anterior, tendo uma das características que
o grupo tem de melhor: criar um clima de tensão, fazendo músicas
pesadíssimas e lentas, que prendem o ouvinte.
"Minerva",
além de ser uma das melhores músicas do disco, é também uma das
melhores canções que a banda já escreveu. Com outra característica
marcante do grupo, que é encaixar belas melodias em uma parede de
guitarras, "Minerva" contém intervenções de teclado bem legais do
DJ Frank Delgado. Já "Good Morning Beautiful" me lembrou o Zwan
por causa das linhas de vocal que lembram o Billy Corgan, mas a
semelhança fica por ai, já que a pegada do guitarrista Stephen Carpenter
é bem mais metal do que a do líder do Zwan. "Deathblow" não diz
muita coisa, já que parece sobra de White Pony, apesar do
refrão, que é bem legal.
Algo
que parece superstição da banda é fazer ao menos uma música REALMENTE
pesada, e "When Girls Telephone Boys" é a tal música pesada do disco.
Ela fica aquém das "pesadonas" que eles fizeram no passado
("Engine #9", "Head Up", "Elite"), mas o refrão é classe A, e é
sempre bom lembrar que o Deftones ainda consegue escrever músicas
agressivas. "Battle Axe" é outro destaque do disco, com uma levada
bem "Tool" e num andamento que te "puxa para trás".
O Deftones
tenta ser o Radiohead em "Lucky You", fazendo uma música que é até
interessante na primeira ouvida, mas que se torna dispensável em
seguida. "Bloody Cape" aparece para acordar o ouvinte com uma introdução
porrada, é uma das melhores do disco, mesclando as melodias "escondidas"
em distorção durante o canto com o peso do refrão. "Anniversary
of an Uninteresting Event" é uma canção muito bonita, mas é uma
"música de estúdio" que não deve funcionar ao vivo, já que abusa
de efeitos de ambiência na bateria; não chega a ser um dub, porém
a idéia devia ser mais ou menos essa. O disco fecha com "Moana",
que é cheia de climas, tem um certo peso mas não empolga.
A impressão
final é a de que o Deftones "se achou", encontrando a sonoridade
que deverá seguir daqui para frente. Caso você odeie esse caminho,
sugiro que você tente dar um sumisso na coleção do Radiohead dos
caras.
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