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Você
pode achar o João Gordo um mala, vendido e toda a extensa lista
de impropérios que o vocalista e apresentador de tevê tem escutado
nos seus 20 anos de estrada. Mas negar a importância dos Ratos de
Porão no cenário nacional é uma bobagem, já que a banda se consolidou
como uma das melhores extremas do país. Prefiro definir o RDP como
"banda extrema", pois o rótulo "banda punk" fica pequeno para quem
conseguiu em duas décadas mesclar tantas influências dentro do som
pesado e imprimir uma característica própria. Vamos ao que interessa,
o disco de inéditas mais recente dos caras.
Onisciente
Coletivo talvez seja o álbum mais regular desde o clássico Brasil
(1989). Produzido por Alex Newport (vocalista/guitarrista do finado
Fudge Tunnel, parceiro de Max Cavalera no projeto Nailbomb e produtor
dos primeiros discos do At The Drive In), um antigravação digital
convicto, tirou timbres maravilhosos dos instrumentos, que ficaram
com um punch impressionante - a conferir nas músicas "Engrenagem",
a sarcástica "O Sistema me Engoliu" e "Vai ficar Preto".
O punk
rock, digamos, velha escola, aparece em "Próximo Alvo" e "Problemão",
já uma influência mais "moderna" dá as caras em "Fragments of Contest"
(a melhor do cd), "Medo" e "Rábia Social". Os pontos baixos do disco
ficam para a música homônima, que tem participação de Rap n' Hood
e que não funcionou, e para "Playbaloser", que é bem fraca, sem
contar que a música antiplayboy definitiva dos Ratos é "Atitude
Zero", de Carniceira Tropical (1997).
Onisciente
Coletivo é indicadíssimo para quem curte som pesado e é
desaconselhável para ouvidos sensíveis. Discão.
Site
oficial: www.ratos.com.br.
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