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Beagá, 21 de fevereiro de 2005 d.C.
 
Le Tigre
This Island
Por Cajabis Cannabis
 

Ativismo feminista? Credo!!! Sim, normalmente (em cerca de 96,76% dos casos) as feministas são insuportavelmente chatas, mas eis aqui uma boa exceção - melhor dizendo, três boas exceções. São as moçoilas do Le Tigre, trio nova-iorquino formado em 1998 por Kathleen Hanna (depois da dissolução de sua banda, Bikini Kill), Sadie Benning (substituída posteriormente por J.D. Sampson) e Johanna Fateman. Em 1999 elas lançaram o petardo disco homônimo de estréia, uma excepcional mistura de punk-rock com eletrônica, recheada com letras explosivas e engajadas politicamente - basta dizer que numa das músicas, "My Metrocard", elas simplesmente mandam o prefeito de Nova Iorque na época, Rudolph
Giuliani, se foder, por causa de seu moralismo ao fechar as casas de strips da cidade e pela sua hipocrisia ao cortar ajuda assistencial aos mais pobres, obrigando-os a trabalhar em empregos indignos e mal remunerados.

Este é o terceiro álbum da banda, elas estão voltando com a bola toda depois do decepcionante Feminist Sweepstakes, de 2001. Em This Island, primeiro disco por uma grande gravadora, a Universal, o trio realiza um trabalho bastante competente e rico em sonoridades. É dançante, empolgante e... político sim. Há um manifesto contra Bush Filho e suas mentiras na TV ("Seconds", uma gritaria catártica) e o registro dos protestos contra a guerra no Iraque realizados em Nova Iorque ("New Kicks", que é marcada pelo bordão "Peace Now!").

Tudo isso com inteligência e bom humor. E muita mistura de ritmos: punk com eletro e pitadas de hardcore e disco music. O vocal das moças é de chamar a atenção, às vezes é doce, às vezes uma gritaria divertida. A faixa inicial "On The Verge" inicia-se com riffs convidativos e tem uma batidinha marcante. "After Dark" lembra os anos oitenta, com seus tecladinhos meio cretinos, mas é divertida. Outra com guitarras legais é "TKO".

A divertida "I'm So Excited" também é bem retrô e dá o tom do disco, como um todo: é pra ligar bem alto e pra dançar, balançar o esqueleto, como gosta de dizer o falecido El Jako. Encerrando o álbum, outro destaque: "Punker Plus", um vocal abafado com uma batida eletrônica criativa e riffs se sobressaindo. O mais legal de tudo é que o Le Tigre consegue uma façanha incrível: elas fazem a gente se divertir ouvindo uma música engajada sem soarem chatas ou pedantes. Se der pra conferir as letras das moças, melhor. Se não, curta o som, porque é diversão garantida.

 

 

 

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