| Ativismo
feminista? Credo!!! Sim, normalmente (em cerca de 96,76% dos casos)
as feministas são insuportavelmente chatas, mas eis aqui
uma boa exceção - melhor dizendo, três boas
exceções. São as moçoilas do Le Tigre,
trio nova-iorquino formado em 1998 por Kathleen Hanna (depois da
dissolução de sua banda, Bikini Kill), Sadie Benning
(substituída posteriormente por J.D. Sampson) e Johanna Fateman.
Em 1999 elas lançaram o petardo disco homônimo de estréia,
uma excepcional mistura de punk-rock com eletrônica, recheada
com letras explosivas e engajadas politicamente - basta dizer que
numa das músicas, "My Metrocard", elas simplesmente
mandam o prefeito de Nova Iorque na época, Rudolph
Giuliani, se foder, por causa de seu moralismo ao fechar as casas
de strips da cidade e pela sua hipocrisia ao cortar ajuda assistencial
aos mais pobres, obrigando-os a trabalhar em empregos indignos e
mal remunerados.
Este
é o terceiro álbum da banda, elas estão voltando
com a bola toda depois do decepcionante Feminist Sweepstakes,
de 2001. Em This Island, primeiro disco por uma grande
gravadora, a Universal, o trio realiza um trabalho bastante competente
e rico em sonoridades. É dançante, empolgante e...
político sim. Há um manifesto contra Bush Filho e
suas mentiras na TV ("Seconds", uma gritaria catártica)
e o registro dos protestos contra a guerra no Iraque realizados
em Nova Iorque ("New Kicks", que é marcada pelo
bordão "Peace Now!").
Tudo
isso com inteligência e bom humor. E muita mistura de ritmos:
punk com eletro e pitadas de hardcore e disco music. O vocal das
moças é de chamar a atenção, às
vezes é doce, às vezes uma gritaria divertida. A faixa
inicial "On The Verge" inicia-se com riffs convidativos
e tem uma batidinha marcante. "After Dark" lembra os anos
oitenta, com seus tecladinhos meio cretinos, mas é divertida.
Outra com guitarras legais é "TKO".
A divertida
"I'm So Excited" também é bem retrô
e dá o tom do disco, como um todo: é pra ligar bem
alto e pra dançar, balançar o esqueleto, como gosta
de dizer o falecido El Jako. Encerrando o álbum, outro destaque:
"Punker Plus", um vocal abafado com uma batida eletrônica
criativa e riffs se sobressaindo. O mais legal de tudo é
que o Le Tigre consegue uma façanha incrível: elas
fazem a gente se divertir ouvindo uma música engajada sem
soarem chatas ou pedantes. Se der pra conferir as letras das moças,
melhor. Se não, curta o som, porque é diversão
garantida.
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