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Guided By Voices, uma das principais bandas alternativas norte-americanas,
encerrou suas atividades. Pra quem não sabe, o professor
de literatura e compositor Robert Pollard liderou esta banda desde
seu princípio, em 1985. Apesar das várias formações
em quase vinte anos de carreira, o Guided cultivou uma característica
básica em seus trabalhos: o estilo low-fi - ou seja, uma
sonoridade nada sofisticada, ao contrário, um som simples,
cru e direto, sem maiores frescuras.
Por
que o fim do Guided? Professor Pollard explica: "Eu amo os
caras da banda, mas estou ficando velho para ser líder de
uma gangue" (este ano, completa 48 anos). Lançado em
agosto do ano passado, Half Smiles Of The Decomposed é
o réquiem de uma banda digna, que começou como um
hobby despretensioso e foi capaz de criar uma estética influenciando
várias outras bandas dos anos 90, principalmente após
o lançamento de Bee Thousand, considerado uma das
maiores obras-primas do indie rock.
Este
álbum não é tão tosco quanto os primeiros
da banda, tem uma produção mais bem cuidada, como
já vinha acontecendo de uns tempos pra cá. Mas o espírito
despojado continua nas guitarras sujas e barulhentas, presentes
logo no início em "Everybody Thinks I'm A Raincloud
(When I'm Not Looking)". Ou no contrabaixo destacado de "Sleep
Over Jack", faixa com direito a gritos, ruídos e um
final anárquico: low-fi tosqueira total como nos primeiros
tempos da banda.
Half
Smiles Of The Decomposed mantém outra característica
do Guided By Voices: em geral, suas canções são
curtas, diretas e certeiras. Uma seqüência inspirada
é "Girls Of Wild Strawberries", com violões
e bateria marcando, a empolgante "Gonna Never Have To Die",
quando um ótimo solo de violão se sobressai entre
as guitarras, e a contemplativa "Window Of My World".
Na faixa seguinte, "The Closets Of Henry", o pau volta
a comer e o álbum ganha força.
Há
a discreta "Asia Minor", que ganha força graças
à bateria, e depois as "longuíssimas" (para
os padrões da banda, quatro minutos é uma eternidade)
"Sons Of Apollo" e "Sing For Your Meat". A primeira
é de uma beleza ímpar, com guitarras simplesmente
avassaladoras no refrão, depois de um início inquietante,
com uma bateria quase marcial. "Asphyxiated Circle" é
mais uma bonita e barulhenta canção, com uma ótima
segunda voz enquanto as guitarras estouram, em harmonia com os vocais.
Pra encerrar o álbum e a discografia da banda, "Huffman
Prarie Flying Field", uma música que despeja certa melancolia
no ouvinte. E enquanto a faixa se acaba aos poucos, já vai
batendo uma tremenda saudade da banda.
Pode
ser que este disco não tenha realmente grandes novidades,
mas tem canções fortes, algumas empolgantes. Trata-se
de uma despedida bacana de uma banda idem. E não precisamos
ficar tristes, porque Pollard já anunciou que vai seguir
adiante em carreira solo - certamente, logo logo teremos notícias
suas.
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