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Beagá, 14 de abril de 2003 d.C.
 

Dillinger Escape Plan & Mike Patton
Irony is a Dead Scene

Por Indiegesto
 

O Dillinger Escape Plan é um dos principais nomes (se não O principal nome) do incensado e já saturado metalcore, rótulo dado a bandas que fundem heavy metal e hardcore. O DEP tem a vantagem de estar muito, mas muito à frente das bandas do estilo.

De 1997 (ano de sua formação) até 2000 (quando a banda lançou Calculating Infinity, seu melhor trabalho até então), o DEP vem arrebatando uma legião de seguidores com seu som complexo, que une partes ultra-agressivas com momentos de virtuose pura e simples, conseguindo agradar tanto o público hardcore quanto os "eruditos" do rock pesado. Uma tour com o Mr. Bungle em 1999 fez com que a banda caísse nas graças de Mike Patton (Mr. Bungle, Faith No More, Fantomas, Tomahawk e contando...) e, conseqüentemente, de sua base de fãs (ou fanáticos, se preferir).

Com a saída do vocalista Dimitri Minakakis, juntou-se à fome com a vontade de comer. Mike Patton uniu-se a banda para gravar Irony is a Dead Scene, um EP com quatro músicas em que a banda e o vocalista parecem duelar para imprimir suas características. Mike Patton acaba levando vantagem, já que as músicas acabam se assemelhando demais com seus projetos, dando a impressão de que a banda "se adaptou" a Patton e não o contrário (como era de se esperar), o que faz de Irony is a Dead Scene o trabalho mais "acessível" do DEP.

O EP tem grandes momentos, como os pesados dois minutos iniciais de "When Good Dogs Do Bad" (que abre o disco): ritmos quebrados, harmonias complexas, riffs intrincados e vocalizações ensandecidas de Mike Patton, quase tudo ao mesmo tempo (!). Depois, a música chega a uma parte mais calma e climática, que lembra algo feito em Director's Cut (do Fantomas), mas não compromete.

"Pig Latin" também lembra o Fantomas, com suas mudanças repentinas de partes calmas, melódicas e cantadas com partes porrada e gritadas, mas com riffs de guitarra sensacionais.

"Rock Paper Scissor" é a música mais Dillinger Escape Plan do disco, com as partes pesadas e difíceis, pequenos solos de guitarra (ainda tem gente que faz isso) e intervenções jazzísticas, além de linhas vocais que lembram o Mr. Bungle do primeiro disco. É a minha preferida.

Fechando o EP, temos "Come to Daddy", uma cover de Aphex Twin muito boa, onde mais uma vez a banda esbanja precisão com a adição de uns samplers barulhentos de Mike Patton.

Site oficial: www.dillingerescapeplan.com.

 

 

 

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