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Beagá, 20 de dezembro de 2004 d.C.
 
Badly Drawn Boy
One Plus One Is One
Por Cajabis Cannabis
 

Chega ao Brasil o quarto trabalho de Damon Gough, um dos mais talentosos compositores da música pop atual. O cara vem de Manchester e assina seus trabalhos com o singelo pseudônimo Badly Drawn Boy. E é um verdadeiro fenômeno que seus discos sejam solenemente ignorados pelo público brasileiro, e também pela crítica de nosso país, parece que tá todo mundo muito mais interessado no retorno do Barão Vermelho ou na estréia da Pitty em DVD. Como já diz o ditado, tem gente que gosta do olho, tem gente que gosta da remela.

Na Inglaterra, Badly Drawn Boy já é bastante manjado desde seu álbum de estréia The Hour of Bewliderbeast, de 2000, que ganhou o Mercury Prize daquele ano - ou seja, o prêmio de melhor álbum britânico da temporada. Depois vieram a badalada trilha sonora do filme Um Grande Garoto (About a Boy) e o álbum Have You Fed the Fish?, em 2002. Este seu novo trabalho é marcado novamente pela simplicidade e delicadeza, ao mesmo tempo em que suas canções têm arranjos belíssimos e assobiáveis, utilizando flauta, piano, metais e mesmo arranjos de cordas aliados a um violão simples e intimista - como na belíssima e marota "This Is That New Song", que aliás tem uma letra apaixonante: "If I new where all the tears were flowing to / I'd guide them to a river / Where I'd swim with you down stream / This is that old dream / I told you about twenty years ago."

Este disco é quase impecável, com um ou outro sobressalto, às vezes muito infantil, ingênuo mesmo. Mas é de uma sinceridade ímpar, que vai da tristeza ("Fewer Words") ao otimismo (a excepcional "Four Leaf Clover", talvez a melhor do álbum). São letras bem elaboradas, sem muitas viagens ou frescuras, de fazer derreter o coração, acompanhadas de belas melodias e ricos arranjos, criativos e empolgantes. A agitada "Summertime in Wintertime" não deixa ninguém ficar parado, com direito a uma bela flauta. "Another Devil Dies" tem uma pitada jazzística, com direito a metais discretos, condizentes com o clima de todo o disco. "Life Turned Upside Down" é violão e voz, mas com efeitos surpreendentes. Não posso me esquecer de "Logic of a Friend", declaração de fidelidade extrema a uma amizade ("And I don't know how to tell / Is it heaven or hell / That I'll be going to / Just as long as I'm there with you") com direito a um piano bem fim dos anos 60.

Honesto e emocionante, One Plus One Is One é o típico disco que conquista o ouvinte já na primeira audição. A maior sacada de Gough é ser bem menos pretensioso, por exemplo, que os malas do Belle & Sebastian. Faz música com sensibilidade, porém sem frescuras e sem fingimentos. A gente até volta a ser um pouco criança ouvindo versos como "To live in the hearts of those that you loved / Is not to die" (Takes the Glory") ou "Do you know where we're going to? / Do you know what we will do when we arrive? / As I wait for you to set sail / Don't you know that I hope you find your holy grail" ("Holy Grail"). Pueris, mesmo. Mas tocantes. Peça este disco de presente pro Papai Noel.

 

 

 

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