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Beagá, 24 de maio de 2004 d.C.
 
Cypress Hill
Till Death Do Us Part
Por Indiegesto
 

O Cypress Hill volta à boa forma após um tempo atirando para todos os lados. Após a saída e a volta do vocalista Sean Dog, o grupo trilhou um caminho digno de artista brasileiro, com disco de remixes, versões em espanhol (uma das poucas bolas dentro), flertando com o rap-rock do new metal e um disco ao vivo. Só faltou o acústico.

Till Death Do Us Part é um disco que equilibra bem os elementos que funcionaram nos últimos discos e aponta novas direções ao flertar com o reggae e ragga. As letras continuam no mesmo caminho: dividindo os temas entre maconha, “causos” de violência em Los Angeles, onde a polícia (ou os porcos, como eles carinhosamente os apelidam) tem papel fundamental no processo, e músicas de “diversão”, que muitas vezes incluem maconha e os “porcos” atrapalhando.

“Another Body Drop” abre o disco com um clima tenso criado por piano e cordas, característica que dominou Cypress Hill IV (1998). É uma típica música do Cypress Hill, embalada pela levada e voz inconfundível de B Real com refrão poderoso. “Till Death Come” segue num andamento mais calmo com mais piano e cordas, no entanto com um clima mais sombrio, na linha de “III: Temple of Boom”, com Sean Dog cantando.

É desnecessário dizer que em “Latin Thugs” a sonoridade “chicana” toma conta. Com letras em espanhol e inglês, é uma das melhores faixas do CD. Quando tudo vai bem, uma música fraquíssima aparece para estragar a festa: “Ganja Bus”, com participação de Damien Marley (um dos trocentos filhos do homem), é um ragga legal à primeira ouvida, mas enche o saco depois.

“Busted in the Hood” tem instrumental característico de reggae e uma pitada de dub aqui e ali. Quando parece que a música vai ficar chata, uma bem sacada batida old school dá as caras lá pelos dois minutos e quarenta. Nesse caso, o reggae se encaixou muito bem no som do grupo; me pergunto o porquê deles nunca terem feito isso antes, os instrumentais da banda sempre tiveram linhas de baixo pulsantes em primeiro plano, mas a banda sempre teve um lado muito mais rock do que qualquer coisa.

“Money” é uma boa música, mas não dá para não lembrar de “Guilty Conscience”, do Eminem, ao escutar a melodia de teclado. “Never Know” cheira a “III: Temple of Boom” novamente, só que é bem enjoativa, nem a boa guitarra a lá Black Sabbath dá jeito.

O rock volta à tona, de forma mais sutil, em “Last Laugh” e funciona muito bem. “Whats your Number” dispensa comentários, pois você provavelmente já ouviu no rádio ou viu o clipe na MTV, um reggae com um ótimo refrão e participação de Tim Armstrong, do Rancid. “Once Again” é outro reggae, só que mais acelerado, e com um teclado que dá um tom meio cômico à música - e acaba lembrando Eminem mais uma vez.

“One Last Cigarrete” é uma faixa clássica de “canções com história” do grupo, soa como Soul Assassins (disco solo do DJ Muggs) e tem citação do clássico “Pigs” (do primeiro disco). “Street Wars” traz de volta a sonoridade do início do CD, com uma base meio épica - tem um refrão muito bom.

O disco fecha com a faixa título do álbum, um reggae com refrão funk, e “Eulogy”, uma vinheta que não diz nada.

O disco é um alívio entre tanta imitação de Neptunes e Timbaland. Não é revolucionário, porém é som de ótima qualidade.

Site oficial: www.cypresshill.com.

 

 

 

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