| O Cypress Hill volta
à boa forma após um tempo atirando para todos os lados.
Após a saída e a volta do vocalista Sean Dog, o grupo
trilhou um caminho digno de artista brasileiro, com disco de remixes,
versões em espanhol (uma das poucas bolas dentro), flertando
com o rap-rock do new metal e um disco ao vivo. Só faltou
o acústico.
Till
Death Do Us Part é um disco que equilibra bem os elementos
que funcionaram nos últimos discos e aponta novas direções
ao flertar com o reggae e ragga. As letras continuam no mesmo caminho:
dividindo os temas entre maconha, “causos” de violência
em Los Angeles, onde a polícia (ou os porcos, como eles carinhosamente
os apelidam) tem papel fundamental no processo, e músicas
de “diversão”, que muitas vezes incluem maconha
e os “porcos” atrapalhando.
“Another
Body Drop” abre o disco com um clima tenso criado por piano
e cordas, característica que dominou Cypress Hill IV
(1998). É uma típica música do Cypress Hill,
embalada pela levada e voz inconfundível de B Real com refrão
poderoso. “Till Death Come” segue num andamento mais
calmo com mais piano e cordas, no entanto com um clima mais sombrio,
na linha de “III: Temple of Boom”, com Sean Dog cantando.
É desnecessário dizer que em “Latin
Thugs” a sonoridade “chicana” toma conta. Com
letras em espanhol e inglês, é uma das melhores faixas
do CD. Quando tudo vai bem, uma música fraquíssima
aparece para estragar a festa: “Ganja Bus”, com participação
de Damien Marley (um dos trocentos filhos do homem), é um
ragga legal à primeira ouvida, mas enche o saco depois.
“Busted in the Hood” tem instrumental
característico de reggae e uma pitada de dub aqui e ali.
Quando parece que a música vai ficar chata, uma bem sacada
batida old school dá as caras lá pelos dois minutos
e quarenta. Nesse caso, o reggae se encaixou muito bem no som do
grupo; me pergunto o porquê deles nunca terem feito isso antes,
os instrumentais da banda sempre tiveram linhas de baixo pulsantes
em primeiro plano, mas a banda sempre teve um lado muito mais rock
do que qualquer coisa.
“Money” é uma boa música,
mas não dá para não lembrar de “Guilty
Conscience”, do Eminem, ao escutar a melodia de teclado. “Never
Know” cheira a “III: Temple of Boom” novamente,
só que é bem enjoativa, nem a boa guitarra a lá
Black Sabbath dá jeito.
O rock volta à tona, de forma mais sutil,
em “Last Laugh” e funciona muito bem. “Whats your
Number” dispensa comentários, pois você provavelmente
já ouviu no rádio ou viu o clipe na MTV, um reggae
com um ótimo refrão e participação de
Tim Armstrong, do Rancid. “Once Again” é outro
reggae, só que mais acelerado, e com um teclado que dá
um tom meio cômico à música - e acaba lembrando
Eminem mais uma vez.
“One Last Cigarrete” é uma faixa
clássica de “canções com história”
do grupo, soa como Soul Assassins (disco solo do DJ Muggs) e tem
citação do clássico “Pigs” (do
primeiro disco). “Street Wars” traz de volta a sonoridade
do início do CD, com uma base meio épica - tem um
refrão muito bom.
O disco fecha com a faixa título do álbum,
um reggae com refrão funk, e “Eulogy”, uma vinheta
que não diz nada.
O disco é um alívio entre tanta imitação
de Neptunes e Timbaland. Não é revolucionário,
porém é som de ótima qualidade.
Site
oficial: www.cypresshill.com.
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