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Beagá, 17 de maio de 2004 d.C.
 
Amen
Death Before Musick
Por Indiegesto
 

Os californianos do Amen chegam ao quinto disco entre trancos e barrancos, seguindo a máxima do “quem tem amigos, tem tudo”. Adorados na Inglaterra e ignorados nos EUA, a banda ganha mais uma chance para receber alguma notoriedade com sua mescla de punk e metal modernizados.

O Amen lançou dois discos por grandes gravadoras, um de 99 que leva o nome da banda pela Roadrunner e We Have Come For your Parents (2000), pela Virgin. Ambos sucesso de crítica e fracasso de público, que fez com que ambas gravadoras deixassem a banda na mão tendo a Virgin como verdadeiro carrasco, que ficou com as fitas masters do disco que sucederia WHCFYP e exigiu um pagamento astronômico da banda para que ela tivesse as fitas em seu poder.

Mesmo sem contrato e com integrantes dando no pé a cada mês (Casey Chaos é o único remanescente da formação original), a banda seguiu em frente, colocou material inédito na internet e lançou Join or Die (com tiragem de 2000 cópias vendidas em shows) para levantar uma grana. Tiveram uma força da mídia européia que fez com que o Amen fosse a única banda sem gravadora a tocar no Reading Festival 2001, no mesmo palco que o Guns n’ Roses genérico. Daron Malakian (guitarrista do System of a Down) resolveu ajudar a banda ao ganhar de sua gravadora um selo (eatyourmusic), que resultou em Death Before Musick.

A música do Amen - contrário do que se espera da maioria das bandas Californianas - é tensa, densa e negativa. O universo que as letras abordam é da Hollywood que ninguém vê, jovens atrás de fama e reconhecimento tendo suas esperanças destroçadas, afundando em drogas e prostituição. Algo como uma mistura do filme 8mm com as cenas de El Duce em Kurt & Courtney nos subúrbios de L.A. Basicamente, o sonho americano virando pesadelo. Em Death Before Musick esses temas são reforçados com experiências frustradas de Casey Chaos com gravadoras nos últimos dois anos. O que se ouve não é nada menos do que explosivo.

“Liberation” abre o disco com um riff de guitarra abafado, que descamba para a pancadaria com vocais histéricos de Casey berrando palavras de ordem em pouco mais de um minuto e meio. “Hello (One Chord Lovers”) é uma das músicas mais legais do CD, com uma introdução tensa, onde Casey Chaos resume sua vida nos últimos anos em duas frases (“Rise up and be descarded / Rise up to be Misunderstood”) e segue-se uma típica canção do Amen, pesada, cheia de microfonias, mas com refrão ultrapegajoso.

Aliás, refrão grudento é o que não falta nesse disco, como em “Money Infection”, “Please Kill Me”, “Oblivion Stereo” (lembra muito Dead Kennedys) e “Neutron Liars”, o que pode fazer a banda se dar bem radiofonicamente. Por outro lado, nota-se a burrice da banda em escolher a pior música do disco como carro-chefe. “California’s Bleeding” é simplesmente qualquer nota, com um riff chupinhado descaradamente de “You Really Got Me”, dos Kinks. Assim, dá para entender o porquê das demissões.

No geral, o disco é muito coeso, tem um ritmo de show e não dá trégua para o ouvinte, não espere sutileza. O que o Amen oferece é truculência e pancadaria. As músicas são praticamente emendadas, mesclando canções mais acessíveis com outras mais agressivas e rápidas, como “The Abolishment of Luxury”, “Westwood Fallout” e “We Got the Bait”. Além de músicas cadenciadas como “Oblivion Stereo”, “Exterminate!”, “Sorry Not Sorry” e “The Summer of Guns”.

É um disco urgente, não aconselhável para se escutar no carro, correndo sério risco de acidente.

Site oficial: http://www.refuseamen.com.

 

 

 

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