| Os californianos do
Amen chegam ao quinto disco entre trancos e barrancos, seguindo
a máxima do “quem tem amigos, tem tudo”. Adorados
na Inglaterra e ignorados nos EUA, a banda ganha mais uma chance
para receber alguma notoriedade com sua mescla de punk e metal modernizados.
O Amen lançou dois discos por grandes gravadoras,
um de 99 que leva o nome da banda pela Roadrunner e We Have
Come For your Parents (2000), pela Virgin. Ambos sucesso de
crítica e fracasso de público, que fez com que ambas
gravadoras deixassem a banda na mão tendo a Virgin como verdadeiro
carrasco, que ficou com as fitas masters do disco que sucederia
WHCFYP e exigiu um pagamento astronômico da banda
para que ela tivesse as fitas em seu poder.
Mesmo sem contrato e com integrantes dando no pé
a cada mês (Casey Chaos é o único remanescente
da formação original), a banda seguiu em frente, colocou
material inédito na internet e lançou Join or
Die (com tiragem de 2000 cópias vendidas em shows) para
levantar uma grana. Tiveram uma força da mídia européia
que fez com que o Amen fosse a única banda sem gravadora
a tocar no Reading Festival 2001, no mesmo palco que o Guns n’
Roses genérico. Daron Malakian (guitarrista do System of
a Down) resolveu ajudar a banda ao ganhar de sua gravadora um selo
(eatyourmusic), que resultou em Death Before Musick.
A música do Amen - contrário do que
se espera da maioria das bandas Californianas - é tensa,
densa e negativa. O universo que as letras abordam é da Hollywood
que ninguém vê, jovens atrás de fama e reconhecimento
tendo suas esperanças destroçadas, afundando em drogas
e prostituição. Algo como uma mistura do filme 8mm
com as cenas de El Duce em Kurt & Courtney nos subúrbios
de L.A. Basicamente, o sonho americano virando pesadelo. Em Death
Before Musick esses temas são reforçados com
experiências frustradas de Casey Chaos com gravadoras nos
últimos dois anos. O que se ouve não é nada
menos do que explosivo.
“Liberation” abre o disco com um riff
de guitarra abafado, que descamba para a pancadaria com vocais histéricos
de Casey berrando palavras de ordem em pouco mais de um minuto e
meio. “Hello (One Chord Lovers”) é uma das músicas
mais legais do CD, com uma introdução tensa, onde
Casey Chaos resume sua vida nos últimos anos em duas frases
(“Rise up and be descarded / Rise up to be Misunderstood”)
e segue-se uma típica canção do Amen, pesada,
cheia de microfonias, mas com refrão ultrapegajoso.
Aliás, refrão grudento é o
que não falta nesse disco, como em “Money Infection”,
“Please Kill Me”, “Oblivion Stereo” (lembra
muito Dead Kennedys) e “Neutron Liars”, o que pode fazer
a banda se dar bem radiofonicamente. Por outro lado, nota-se a burrice
da banda em escolher a pior música do disco como carro-chefe.
“California’s Bleeding” é simplesmente
qualquer nota, com um riff chupinhado descaradamente de “You
Really Got Me”, dos Kinks. Assim, dá para entender
o porquê das demissões.
No geral, o disco é muito coeso, tem um ritmo
de show e não dá trégua para o ouvinte, não
espere sutileza. O que o Amen oferece é truculência
e pancadaria. As músicas são praticamente emendadas,
mesclando canções mais acessíveis com outras
mais agressivas e rápidas, como “The Abolishment of
Luxury”, “Westwood Fallout” e “We Got the
Bait”. Além de músicas cadenciadas como “Oblivion
Stereo”, “Exterminate!”, “Sorry Not Sorry”
e “The Summer of Guns”.
É um disco urgente, não aconselhável
para se escutar no carro, correndo sério risco de acidente.
Site oficial: http://www.refuseamen.com.
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