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Beagá, 31 de março de 2003 d.C.
 

The Blood Brothers
Burn, Piano Island, Burn!

Por Indiegesto
 

Como é que é Indiegesto? Apresentando uma banda que começa com The e termina com s? Aderiu à massa?

Não, não é por aí. The Blood Brothers é uma grata surpresa vinda de Seattle, formada pelos vocalistas Jordan Blilie e Johnny Whitney, Cody Votolato (guitarra), Morgan Henderson (baixo) e Mark Gajadhar (bateria), que fazem um som calcado no punk, adicionando diferentes elementos (com instrumentos "inusitados" para o estilo, como o piano, e com ritmos como ska) e uma forte veia "garageira" (como eu odeio esse termo). O resultado é explosivo.

Burn Piano Island, Burn é o terceiro disco da banda - os dois primeiros são This Adultery is Ripe (2000) e March on Electric Children (2001) - e foi produzido por Ross Robinson (At The Drive In, Korn, Slipknot), famoso por tentar extrair o máximo das bandas no estúdio. A escolha não poderia ser mais acertada, já que há momentos em que a impressão que se tem é que a banda está destruindo os instrumentos literalmente, como nas músicas "fucking greatest hits", "USA Nails".

Uma das maiores qualidades dos Blood Brothers é conseguir mesclar momentos totalmente caóticos com passagens melódicas calmas e, porque não, pops, sem cair na fórmula "canto calmo/refrão pesado" de seus conterrâneos grunges. Isso pode ser conferido nas músicas "Cecilia and the silhouette saloon" e "Six nightmares and the pinball masquerades" (grande momento do disco). Os trabalhos de guitarra criativos e fraseados, que remetem ao East Bay Ray (guitarrista do Dead Kennedys), também chamam atenção, e o baterista é o grande responsável por fazer com que as músicas tenham tantas reviravoltas (como a faixa título do disco). Os vocalistas são um caso a parte.

Os duetos de Jordan Blilie e Johnny Whitney, cada qual com timbre muito particular (um grave na linha do Iggy Pop, outro agudo e engraçado como um personagem de desenho animado), acabam sendo o "tempero" que difere os Blood Brothers dentre tantas bandas parecidas. Esse tempero cai muito bem em músicas como "Guitarmy" (que abre o disco, 36 segundos melhores do que tudo que o Vines fará na vida inteira) e "Ambulance vs Ambulance" (a música mais grudenta do disco, primeiro single da banda), mas pode ser muito indigesto, como em "The salesman, denver Max" (muito, muito irritante) e "The Shame" (faz jus ao nome).

Esse disco é uma boa pedida para quem procura uma banda nova, original, escrachada, com músicas "levanta defunto". O ruim é que não tem nacional, o bom é que Burn Piano Island, Burn é achado facilmente nos programas de troca de música. Então, não tem desculpa.

Site "independente":
http://www.seanet.com/~barbarino/
thebloodbrothers.html
.
Site oficial:
http://www.thebloodbrothers.com.

 

 

 

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