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Como
fazer som bacana com umas guitarras toscas e uma bateria insandecida?
Sim, John Spencer já deu a receita, e o duo de Detroit aprendeu
direitinho. Não, o White Stripes não é o salvador do rock (se é
que isso existe), mas Meg e Jack fazem um som poderoso, forte, tosco,
divertido. São 14 faixas irrepreensíveis, o som "cru" da dupla chama
mesmo a atenção. Elephant, se não é o melhor
álbum da banda (será o excelente White Blood Cells?)
está muito acima da média do que muita gente vem lançando
por aí.
Teve
uns bocós que se espantaram com o início de "Seven Nation Army",
porque parece o dedilhado de um baixo - são as cordas graves da
guitarra, oras. É o disco começando muito, muito bem mesmo, com
um riff marcante, que gruda na cabeça. Meg canta em "In the Cold,
Cold Night" e mostra que leva jeito pra coisa. O piano de "I Want
to Be the Boy to Warm Your Mother's" é simples, como a música da
dupla. E um gostoso solo de guitarra faz da música uma delícia.
Barulho
(muito barulho) tem em "Ball and Biscuit", com um solo bacana, um
blues de sete minutos que não cansa e empolga. Ouça bem alta. Em
"The Hardest Button to Button" os pratos da bateria não páram um
segundo. "Hypnotize" é pra dançar, coloque na festinha pra turma
se deliciar. "The Air Near My Fingers" não é tão dançante, mas também
é irresistível - tem um tecladinho muito bacana. "Well It's True
that We Love One Another" encerra o álbum com um violão folk e uma
percussão discreta. Nota dez.
A bateria
porra-louca, as guitarras furiosas, por vezes distorcidas, e o vocal
peculiar juntos fazem um álbum simples, insinuante, gostoso de ouvir.
Sem maiores viagens e sem serem descartáveis, o White Stripes realizou
um álbum muito competente, rock'n roll básico de primeira sem revoluções,
grandes novidades ou frescuras, mas sim com muita energia. Ligue
o som bem alto e divirta-se!
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