
Faz tempo que não escrevo nada aqui. Acho que meu último
texto foi antes do Carnaval... tanto aconteceu e tão pouco
vale a pena relatar que é frustrante.
A propósito, passei o Carnaval enfurnado em casa, o que
foi ótimo. Não que eu não goste de Carnaval
- eu odeio, mas pelo menos a cidade ficou deserta. Enfim, passado
o Carnaval, teoricamente é quando a coisa começa a
engrenar.
Não vou comentar a disputa Lula-Alckmin por falta de paciência,
mas digo isso: a meu ver as últimas pesquisas de intenção
de voto importam tanto quanto saber quem comeu quem na casa da República
de Ribeirão Preto. No mais, eu já tive fé na
política, mas hoje em dia penso que fé é o
que acontece quando a razão hesita.
Estamos todos fodidos em qualquer cenário.

A primeira
crítica que eu li sobre V de Vingança
me deixou frustrado. Não li o gibi nem espero coisa alguma
do filme, mas pelo texto me parece que vão puxar o enredo
pro lado da guerra contra o terror. Oh uau, é ótimo
que alguém resolva fazer um filme sobre isso, o assunto não
foi discutido o suficiente! Pra piorar as expectativas, imagine
como o assunto será tratado pelos manos
do Matrix, que aparentemente acertaram a mão
no primeiro filme e perderam ela nos subseqüentes (que eu não
vi). Não deve ser por nada que o Alan
Moore desceu a
lenha no roteiro.
Falar em ressuscitar velhos esqueletos, pelo visto alguém
achou que o mundo precisava de outro
remake de Noite dos Mortos-Vivos. Aparentemente, porém,
a
produção empacou. Para quem se liga em nomes,
Sid Haig, um dos caras que fez The
Devil’s Rejects, segundo filme de terror do Rob
Zombie, está envolvido na patacoada. Quem sabe ele saiba
dizer por que essa
foto parece tão errada? É como se Tattoo, da Ilha
da Fantasia, e uma sitcom tivessem entrado na trama
do George Romero... brrrr. Me dá calafrios só de pensar.
Pra quem quiser fugir dos blockbusters, aqui
tem trailers do filme silencioso The Call of Cthulhu,
que qualquer fã do Metallica e do H.P. Lovecraft vai ficar
curioso pra ver. Não é exatamente King Kong
por Peter Jackson, mas parece bacana, considerando-se que é
um filme alegadamente independente. Além disso, o
monstro tem lá seu charme em PB.
Por que ninguém me disse que o
Nick Cave escreveu um filme?

Não sei se isso
é verdade (texto em português e bem mais enxuto
aqui).
O nome é ridículo demais para ser plausível.
Se for, bem, soa melhor que outro filme do Batman...

Nada se cria: o selo britânico (outrora) de música
extrema Earache
resolveu lançar um
jogo de corrida. Algumas bandas do catálogo da gravadora
vão tocar na trilha sonora (Napalm Death, At The Gates, Cathedral,
The Haunted, Hate Eternal, Cult Of Luna, Beecher, Urkraft, Anata,
Mistress, Severe Torture) e outras vão aparecer como equipes
de corrida no jogo (Mortiis, Deicide, Morbid Angel, Akercocke, Decapitated,Biomechanical,
Municipal Waste, The Berzerker, Linea 77, Society 1)... Rock’n’roll
Racing Parte Dois.
Como as últimas coisas da Earache, deve ser uma pusta boa
idéia.
(</sarcasmo>)

Trechos
de Silver, novo EP do Jesu, da página da banda.
Sai este mês pela Hydrahead,
refugo dos metaleiros e emos que se consideram bons demais pra ouvir
metal e emo e idolatram Neurosis.

Algumas coisas interessantes e outras dignas de nota que caíram
na minha mão (se você for o mano que reclamou de eu
escrever sobre o Corrupted, suma daqui em diante):
Place of Skulls - The Black is Never Far (stoner / doom
rock): bastante influência de Trouble e algo de Judas Priest
(especificamente, “Darkest hour” tem o clima de uma
versão menos escandalosa de “Touch of evil”).
As letras são white metal e o som é aquela coisa totalmente
Trouble, de ser um Black Sabbath mais elaborado. Tem bastante groove,
e é até mais legal que o Trouble dos últimos
discos. Curiosamente, as baladas são mais legais que as músicas
porrada. O release que eu recebi enfatiza bastante o fato de o vocalista/guitarrista
ser Victor Griffin, ex-Pentagram, ex-Cathedral e ex-Death row. É
mais ou menos assim: “ele não se contentou em não
ficar em nenhuma dessas bandas, montou uma só dele!”
Só falta chutarem o mano. O nome da gravadora vai deixar
fãs do Rolling Stones fazendo aquela cara de conteúdo
que as pessoas fazem quando entendem uma piada interna. (importado
- Exile
on Mainstream Records)
Darsombra - Ecdysis (drone / experimental): Esquisitão.
Disco solo do Brian (não sei o que ele toca na banda) do
Meatjack.
É totalmente diferente do MJ, que era industrial com um quê
de Today
is the Day. Na verdade, não há uma sonoridade
única nesse disco, ele passeia pelo ambient, o noise
e o sempre popular drone, esse estilo que vem cativando
multidões ao redor do mundo e deve em breve desbancar o gangsta
rap gringo (risos). Aviso a quem não gostou de SunnO))):
esse disco está mais pra Hex
que Black One. Se há uma coisa
que dá ligadura a todas as faixas, é o fato de todas
serem extremamente soturnas. Caso haja mesmo um Silent
Hill 5, isso serviria de trilha sonora. Ainda assim, é
um híbrido de estilos e idéias aparentemente pouco
refinadas (pra mim), que periga agradar só os mais dispostos.
Não é perfeito, mas eu vejo espaço para melhorias.
(importado - At
a Loss Recordings)
Mord - Christendom Perished (black metal): Uh... eu realmente
não sou o cara ideal pra escrever sobre esse disco. É
black metal da nova escola, mas sem os tecladinhos e divas cantando
em cima. É bem legal, mas eu não tenho parâmetros
de comparação com outras coisas que têm sido
lançadas... com toda sinceridade, depois do Venom reformado,
dos últimos discos do Bathory e do Cradle of Filth e seus
filhos, eu fiquei desiludido com o black metal a ponto de qualquer
banda que aparecesse me repelir. Portanto, se esse álbum
for uma cópia completa dos riffs e vocais de outro álbum
de black lançado recentemente, eu não vou saber. Mas
que o disco é bom pra chuchu (saia daqui, Alckmin), é!!!
Pode ter a ver com eu ser gay pelas coisas da Southern Lord também,
mas não vale a pena discutir isso aqui. Do que eu consigo
identificar de influências, tem Immortal e Carpathian Forest
dos últimos discos. As guitarras rápidas e melódicas
estão lá e o vocal de Popeye também consta,
assim como a bateria que só faz tocar blast beats e viradas.
Satanás, te cuida! (importado - Southern
Lord Records)
The bug - Killing Sound (raggamuffin/dancehall): Esse
eu ainda não ouvi, mas isso serve pra eu pedir a alguém
que jogue na internet. Prometo que é pra uso estritamente
pessoal e que não vou deixar ninguém vender!

“Música” de graça: Loscil
- Stases (drones 2001-2005).
O nome vai desanimar meio mundo, mas é capaz que até
quem baixar não vai sacar. É um drone meio
ambient. Se alguém quiser comentar, é
sempre um prazer.
Não digam que eu não avisei.

Entrou em contato o Caio Dubfones, do duo Radiola
Santa Rosa, e apontou o link onde dá pra baixar
dois sons deles. Eles têm também uma página
no MySpace, com outras músicas além daquelas duas.
Pelos dois mp3’s que eu ouvi, o som dos caras é rap
com voz de moleque, e os samples vão determinando o ritmo
da parada. Em três palavras: Beastie Boys antigo!
Eles são melhores pra definir o que fazem do que eu, então,
segundo o Caio, uma descrição do som seria “Hip
Hop psicodélico e lo-fi feito com colagens de vinil de 1
real, softwares, equipamentos velhos e rimas que falam do autoconhecimento
através da arte, buscando a modernidade através dos
climas tropicais setentistas e sessentistas.”
Só não falaram nada de show. Portanto, o negócio
é ficar de olho, como faria Chico Pinheiro.
Por ora, é isso.
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