q
Página principal de O Som do Abacaxi
Adicione o ABACAXI ATÔMICO aos seus Favoritos. Faça do ABACAXI ATÔMICO a sua página inicial. Cadastre-se!
Mande o seu recado!
Beagá, 03 de abril de 2006 d.C.
 
Quinta-feira de cinzas
Por John Gracinha
 

Faz tempo que não escrevo nada aqui. Acho que meu último texto foi antes do Carnaval... tanto aconteceu e tão pouco vale a pena relatar que é frustrante.

A propósito, passei o Carnaval enfurnado em casa, o que foi ótimo. Não que eu não goste de Carnaval - eu odeio, mas pelo menos a cidade ficou deserta. Enfim, passado o Carnaval, teoricamente é quando a coisa começa a engrenar.

Não vou comentar a disputa Lula-Alckmin por falta de paciência, mas digo isso: a meu ver as últimas pesquisas de intenção de voto importam tanto quanto saber quem comeu quem na casa da República de Ribeirão Preto. No mais, eu já tive fé na política, mas hoje em dia penso que fé é o que acontece quando a razão hesita.

Estamos todos fodidos em qualquer cenário.

A primeira crítica que eu li sobre V de Vingança me deixou frustrado. Não li o gibi nem espero coisa alguma do filme, mas pelo texto me parece que vão puxar o enredo pro lado da guerra contra o terror. Oh uau, é ótimo que alguém resolva fazer um filme sobre isso, o assunto não foi discutido o suficiente! Pra piorar as expectativas, imagine como o assunto será tratado pelos manos do Matrix, que aparentemente acertaram a mão no primeiro filme e perderam ela nos subseqüentes (que eu não vi). Não deve ser por nada que o Alan Moore desceu a lenha no roteiro.

Falar em ressuscitar velhos esqueletos, pelo visto alguém achou que o mundo precisava de outro remake de Noite dos Mortos-Vivos. Aparentemente, porém, a produção empacou. Para quem se liga em nomes, Sid Haig, um dos caras que fez The Devil’s Rejects, segundo filme de terror do Rob Zombie, está envolvido na patacoada. Quem sabe ele saiba dizer por que essa foto parece tão errada? É como se Tattoo, da Ilha da Fantasia, e uma sitcom tivessem entrado na trama do George Romero... brrrr. Me dá calafrios só de pensar.

Pra quem quiser fugir dos blockbusters, aqui tem trailers do filme silencioso The Call of Cthulhu, que qualquer fã do Metallica e do H.P. Lovecraft vai ficar curioso pra ver. Não é exatamente King Kong por Peter Jackson, mas parece bacana, considerando-se que é um filme alegadamente independente. Além disso, o monstro tem lá seu charme em PB.

Por que ninguém me disse que o Nick Cave escreveu um filme?

Não sei se isso é verdade (texto em português e bem mais enxuto aqui). O nome é ridículo demais para ser plausível. Se for, bem, soa melhor que outro filme do Batman...

Nada se cria: o selo britânico (outrora) de música extrema Earache resolveu lançar um jogo de corrida. Algumas bandas do catálogo da gravadora vão tocar na trilha sonora (Napalm Death, At The Gates, Cathedral, The Haunted, Hate Eternal, Cult Of Luna, Beecher, Urkraft, Anata, Mistress, Severe Torture) e outras vão aparecer como equipes de corrida no jogo (Mortiis, Deicide, Morbid Angel, Akercocke, Decapitated,Biomechanical, Municipal Waste, The Berzerker, Linea 77, Society 1)... Rock’n’roll Racing Parte Dois.

Como as últimas coisas da Earache, deve ser uma pusta boa idéia.

(</sarcasmo>)

Trechos de Silver, novo EP do Jesu, da página da banda. Sai este mês pela Hydrahead, refugo dos metaleiros e emos que se consideram bons demais pra ouvir metal e emo e idolatram Neurosis.

Algumas coisas interessantes e outras dignas de nota que caíram na minha mão (se você for o mano que reclamou de eu escrever sobre o Corrupted, suma daqui em diante):

Place of Skulls - The Black is Never Far (stoner / doom rock): bastante influência de Trouble e algo de Judas Priest (especificamente, “Darkest hour” tem o clima de uma versão menos escandalosa de “Touch of evil”). As letras são white metal e o som é aquela coisa totalmente Trouble, de ser um Black Sabbath mais elaborado. Tem bastante groove, e é até mais legal que o Trouble dos últimos discos. Curiosamente, as baladas são mais legais que as músicas porrada. O release que eu recebi enfatiza bastante o fato de o vocalista/guitarrista ser Victor Griffin, ex-Pentagram, ex-Cathedral e ex-Death row. É mais ou menos assim: “ele não se contentou em não ficar em nenhuma dessas bandas, montou uma só dele!” Só falta chutarem o mano. O nome da gravadora vai deixar fãs do Rolling Stones fazendo aquela cara de conteúdo que as pessoas fazem quando entendem uma piada interna. (importado - Exile on Mainstream Records)

Darsombra - Ecdysis (drone / experimental): Esquisitão. Disco solo do Brian (não sei o que ele toca na banda) do Meatjack. É totalmente diferente do MJ, que era industrial com um quê de Today is the Day. Na verdade, não há uma sonoridade única nesse disco, ele passeia pelo ambient, o noise e o sempre popular drone, esse estilo que vem cativando multidões ao redor do mundo e deve em breve desbancar o gangsta rap gringo (risos). Aviso a quem não gostou de SunnO))): esse disco está mais pra Hex que Black One. Se há uma coisa que dá ligadura a todas as faixas, é o fato de todas serem extremamente soturnas. Caso haja mesmo um Silent Hill 5, isso serviria de trilha sonora. Ainda assim, é um híbrido de estilos e idéias aparentemente pouco refinadas (pra mim), que periga agradar só os mais dispostos. Não é perfeito, mas eu vejo espaço para melhorias. (importado - At a Loss Recordings)

Mord - Christendom Perished (black metal): Uh... eu realmente não sou o cara ideal pra escrever sobre esse disco. É black metal da nova escola, mas sem os tecladinhos e divas cantando em cima. É bem legal, mas eu não tenho parâmetros de comparação com outras coisas que têm sido lançadas... com toda sinceridade, depois do Venom reformado, dos últimos discos do Bathory e do Cradle of Filth e seus filhos, eu fiquei desiludido com o black metal a ponto de qualquer banda que aparecesse me repelir. Portanto, se esse álbum for uma cópia completa dos riffs e vocais de outro álbum de black lançado recentemente, eu não vou saber. Mas que o disco é bom pra chuchu (saia daqui, Alckmin), é!!! Pode ter a ver com eu ser gay pelas coisas da Southern Lord também, mas não vale a pena discutir isso aqui. Do que eu consigo identificar de influências, tem Immortal e Carpathian Forest dos últimos discos. As guitarras rápidas e melódicas estão lá e o vocal de Popeye também consta, assim como a bateria que só faz tocar blast beats e viradas. Satanás, te cuida! (importado - Southern Lord Records)

The bug - Killing Sound (raggamuffin/dancehall): Esse eu ainda não ouvi, mas isso serve pra eu pedir a alguém que jogue na internet. Prometo que é pra uso estritamente pessoal e que não vou deixar ninguém vender!

“Música” de graça: Loscil - Stases (drones 2001-2005).

O nome vai desanimar meio mundo, mas é capaz que até quem baixar não vai sacar. É um drone meio ambient. Se alguém quiser comentar, é sempre um prazer.

Não digam que eu não avisei.

Entrou em contato o Caio Dubfones, do duo Radiola Santa Rosa, e apontou o link onde dá pra baixar dois sons deles. Eles têm também uma página no MySpace, com outras músicas além daquelas duas. Pelos dois mp3’s que eu ouvi, o som dos caras é rap com voz de moleque, e os samples vão determinando o ritmo da parada. Em três palavras: Beastie Boys antigo!

Eles são melhores pra definir o que fazem do que eu, então, segundo o Caio, uma descrição do som seria “Hip Hop psicodélico e lo-fi feito com colagens de vinil de 1 real, softwares, equipamentos velhos e rimas que falam do autoconhecimento através da arte, buscando a modernidade através dos climas tropicais setentistas e sessentistas.”

Só não falaram nada de show. Portanto, o negócio é ficar de olho, como faria Chico Pinheiro.

Por ora, é isso.

 
John Gracinha é correspondente voluntário do Abacaxi e louco pra ser aceito na cena glam paulistana. E-mail: johngracinha@abacaxiatomico.com.br.

 

 

©Todos os direitos reservados
Melhor visualizado com Internet Explorer em 800X600

 
ÚLTIMAS MATÉRIAS
Nossos hypes e os “deles”
Enfim, o fim
Conservadorismo meu ou o mundo é que ficou bizarro?
A grande farsa do rock'n'roll
Retomando...
Confira textos mais antigos...