Na volta do exílio, tenho ouvido bastante música. Espero não soar como o Kiss ou o Manowar quando digo isso, mas é uma das únicas coisas que me encorajam a trabalhar das 10 à meia-noite hoje em dia. Isso e as maratonas do Cartoon Network.

Ao que parece, nenhum dos músicos de Nova Orleans desapareceu por conta do furacão Katrina, a julgar pelas mensagens deixadas por conhecidos das bandas nos respectivos sites de cada uma. Está todo mundo vivo no Crowbar, Corrosion of Conformity, Superjoint Ritual e Down. Por e-mail, gente ligada ao vocalista do Acid Bath / Deadboy and the Elephant Men, Dax Riggs, diz que ele sobreviveu.
Pra quem quiser ajudar a fundo perdido, o Eyehategod, que também é daquela região, perdeu algo na chuva e está atrás de dinheiro. Vão precisar de bastante, já que o vocal da banda, Mike Williams, acaba de ir preso. Escapou da água e entrou em cana. O EHG poderia dar uma palestra sobre como não ter sorte.
(Uma digressão: achei que a repercussão na imprensa do terremoto no sul da Ásia foi menor que a cobertura da inundação de Nova Orleans. Talvez ainda seja cedo pra dizer - hoje é terça, três dias após a tragédia - e eu esteja sendo conspiratório demais.)
Por falar em gente na merda, o Helmet colocou no ar o vídeo de “Smart”, do horroroso Size Matters. Isso não é novidade (entrei no site deles por acaso enquanto pensava em algo pra escrever essa semana) assim como Size Matters não é novidade. O Helmet devia acabar.
Outro que podia deixar esse negócio de rock pra lá é o vocalista do Celtic Frost, Tom Warrior. Esses dias, ele postou no blog dele que o disco novo da banda em anos, Dark Matter Manifest, está praticamente pronto. O post mais recente dele é um lamento emo sobre alguém que queria fazer merchandise da banda usando a arte do HR Giger que aparece em To Mega Therion, e como era desagradável voltar com a banda que deixou um “legado no black/death metal” só pra ver que nada mudou na indústria da música. Não discordo do tal legado do CF, mas do jeito que o Tom Warrior fala parece o Zé Dirceu exaltando a própria biografia. Pra quem não ouviu, tem uma demo de um som do disco novo aqui. A previsão de lançamento é o começo do ano que vem, já que o site afirma que a banda negocia com uma porrada de selos pra ver qual deles vai lançar. Pelo visto, não precisa ser brasileiro pra não desistir nunca nem argentino pra ser arrogante.
Quem promete decepcionar a metaleiragem é o Cryptopsy, cujo álbum novo, Once Was Not, deve sair em 18 de outubro. O mp3 que os caras soltaram, de “The Pestilence”, tem um começo à la Gary Hoey/Deftones com vocal falado! Creio que vá causar a mesma frustração que o Candiria com What Doesn’t Kill You.... Tenho grandes expectativas quanto ao Cryptopsy novo, já que o vocal que cantou nos primeiros discos dos caras (Lord Worm) está de volta.
2005 é o ano do revival. Três das minhas bandas preferidas vão ter discos relançados pela Relapse: o Atheist, cuja discografia volta a catálogo, o dISEMBOWELMENT, cuja curta carreira virou um cd duplo, e o Zombi, que vai ter os dois primeiros EP’s relançados em um cd chamado The Zombi Anthology. Quando escrevi sobre eles no “Corra Atrás!”, eu disse que as músicas antigas eram melhores que as novas, e agora elas vão ser relançadas! De certa maneira, me sinto como o Sukrilius quando o Udora foi pra gringa, tirando a parte de achar que eu causei isso.
Ainda sobre relançamentos, enfim saiu a versão nacional de Human, do Death, pela Century Media. Para quem se liga em death progressivo (isso existe?), a banda de apoio do Chuck Schuldiner nesse disco é o Cynic, que lançou um único álbum (Focus) misturando death metal com fusion e jazz, da mesma maneira que o Atheist. A banda praticamente acabou depois desse disco (na verdade, tirou o peso do som e mudou o nome de Cynic para Portal),o que deu a eles o status de banda cult. Human é uma espécie de tentativa do Death de soar como Cynic, ou pelo menos é como parece aos meus ouvidos.
O The Berzerker (banda de death com algo de música eletrônica e noise) acaba de finalizar o disco novo, World of Lies. Lendo o vocalista falar sobre o álbum e vendo a foto dele sem máscara, me pergunto qual a diferença entre essa banda e o Slipknot. Talvez as máscaras do Slipknot não sejam tão copiadas das do Gwar como as do Berzerker são, mas o discurso de ódio ao mundo das duas bandas é idêntico em sua juvenilidade. Eu quase posso apostar que, quando o vocal do Berzerker diz que o álbum novo “liricamente trata de mais conceitos de ódio da minha vida pessoal (sic), mas dessa vez as letras são mais focadas e dirigidas a um único indivíduo do meu passado”, está se referindo ao pai dele. Se o new metal trouxe coisas positivas à humanidade, uma delas foi acabar com os solos de guitarra e a outra foi encorajar os metaleiros a assumir que foram currados na infância. Caso o death metal endosse isso, vem coisa engraçada por aí.
O Paranóia Oeste voltou!

De metal a experimental: acaba de sair Aktion Pak, EP novo do The Bug (Kevin Martin, vulgo K-mart, do God, Techno Animal, Ice e Curse of the Golden Vampire) com a rapper Warrior Queen. Quem ouviu disse que é um grime/dancehall violento e soa como M.I.A. com um pouco mais de grave. Não sei se isso é bom ou ruim.
O parceiro do K-mart também está safo. A Neurot Recordings, selo dos músicos do Neurosis, vai lançar 3, que apesar do título é um disco duplo do Final, projeto ambient do Justin Broadrick (Godflesh, Jesu, Techno Animal, Ice, CotGV). O número é porque ele é o terceiro de uma série que começou com One e Two (...). Por enquanto, só o que há é uma faixa e uma sobra de estúdio do disco novo.
Para os descolados e antenados, saiu aqui pela Sum Niño Rojo, segunda parte de um álbum duplo do Devendra Banhart. O som do cara é um folk minimalista, sem grandes produções, só com violão, voz e um gravador portátil. Além de ser fodido, é uma das bandas preferidas do Michael Gira, ex-Swans (foi o selo dele, aliás, quem lançou os dois discos do Devendra Banhart). Obrigado ao mano da Peligro pelo toque sobre a versão nacional do cd.
Tem o Cloak of Love do Genghis Tron por R$ 20 paus aqui, pra quem se interessar.

Acabei de ler os dois livros do Freak Brothers. Achei bons, mas esperava algo mais ácido. O criador dos caras, Gilbert Shelton, é mais sutil do que eu imaginava. Eu devia imaginar que nem todo mundo pode ser Robert Crumb.

Corrigindo informação errada publicada há duas colunas, o Autechre não vai tocar em São Paulo. Pela escalação que vem pra cá, esse show é totalmente inútil. Compensa mais juntar uma grana pra ir a esse show ou juntar uma bagatela pra ver esse. O fato de eu ser amigo do Indiegesto não me impede de eu falar bem do festival, pra vocês verem como aqui é democrático! Vão e ajudem um broda a não acabar como o vocal do EHG.
Por ora, é isso.
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