q
Página principal de O Som do Abacaxi
Adicione o ABACAXI ATÔMICO aos seus Favoritos. Faça do ABACAXI ATÔMICO a sua página inicial. Cadastre-se!
Mande o seu recado!
Beagá, 29 de agosto de 2005 d.C.
 
Quando o in vira out
Por John Gracinha
 

A coluna desta semana está completamente defasada. Explicar os porquês do atraso seria como o Lula ou o Dirceu contando o passado de luta deles pra desviar o foco. Como ninguém quer saber disso, o negócio é tocar o barco.

A reação de pessoas do meu círculo de convivência sobre a situação sub judice do show do Fantômas no Brasil (a informação de que a banda não estava confirmada para o Curitiba Rock Festival sumiu sem vestígios do site do evento) me fez pensar que a música perdeu a identidade. Salvo um mano que não tem lá o gosto musical mais invejável-admirável do mundo, não vi muita gente animada com a troca pelo Mercury Rev e Raveonettes. Pelo menos uma dúzia de pessoas perdeu a vontade de ir, o que me leva a crer que houve uma inversão de valores. O debut do Fantômas, Amenaza al Mundo, era uma colagem absurda de noise e metal, e por isso mesmo foda. Na seqüência, os caras gravaram o Director’s Cut, disco de covers de trilhas de filme de terror/gângster, e deram uma amenizada no caos, mas ainda assim continuou hermético. Os discos subseqüentes voltaram a enveredar pelo experimentalismo.

Por mais que não se possa ignorar o fator Patton/Lombardo, eu sinceramente seria um dos últimos a imaginar que tanta gente se interessaria em ver um show dos caras. Quando a música deu uma guinada e o out virou in? Teriam os berros do Blood Brothers ou a popularização de bandas notoriamente experimentais como Tortoise e Mogwai algo a ver com isso? A resposta deve se situar entre o “é possível” e o “foda-se”.

A título de esclarecimento, a idéia desse texto não é a mesma do Lúcio Ribeiro, que uma vez disse que existe um mainstream no underground, mas sim constatar que hoje e há algum tempo o senso comum mudou um pouco de direção. Bandas “difíceis” têm sido mais aceitas pelo grande público. A tendência não é regional, uma vez que lá fora as principais revistas de música tem dado espaço pra gente como Pelican, Jesu, Isis e SunnO))) - juro que não recebo jabá dos caras, mas se isso fizer com que eles me mandem o disco novo, não recuso.

Por aqui, eu até vejo algum hype, mas é muito pontual, não dá pra dizer que a Peligro vender o bagulho signifique muita coisa; Apesar disso, não creio que foi por acaso a última edição da Dynamite ter dois mini-pinguepongues com o Jesu e o Isis.

Conclusão óbvia: continua tendo coisa ruim dos dois lados, mas parece que veio abaixo o muro ideológico que separava o mainstream do underground. Se isso significar mais shows de bandas legais por aqui, não deve ser algo ruim. Quem se incomodar com a popularização somente porque aquela banda deixou de ser segredo é mongo.

Alguns updates completamente datados a essa altura:

No último show do Envydust e Minnuit, uns quatro fins de semana atrás no Black Jack, o Indiegesto e eu chegamos à conclusão de que a nossa geração foi uma bosta. As mulheres eram feias pra burro ou pouco liberais, os shows que havia eram zoados por conta de som ruim ou porque as bandas em si eram uma bosta, o acesso à internet estava começando a aparecer (nós praticamente acompanhamos o surgimento das BBS!)... nossa noção de vídeo pornô era algo que se pedia emprestado pra nunca mais devolver, e não um bootleg caseiro que alguém de outro estado gravou e jogou na rede.

Se for ver vantagens, não tinha fotolog nem blog, mas é só. A geração de agora, pouco anterior à minha, a meu ver ainda não tem muito bem uma identidade, mas tem muitas pra escolher e mais acesso. Hoje, qualquer moleque se torna Ph.D em determinado assunto em 15 minutos com o Google, o que certamente facilita bastante na hora de tentar comer alguém. Bom pra eles. Agora, se vão ficar alienados ou não, é problema dos caras. No que me concerne, ficando longe do rolê poser, tá bom.

Um registro pra presepada envolvendo o vocal do Mudhoney, já que pouca gente tomou conhecimento do episódio (não que esse site seja o Jornal Nacional, mas...). Não vou acusar a organização nem ninguém porque só tenho um dos lados da história, então me limito aos fatos concretos: o Mark Arm, vocalista do Mudhoney e quebra-galho do MC5 no show deles no Brasil, ficou de tocar um pocket show com o Vincebuz no Outs, numa terça-feira (não me lembro da data, mas rolou uma mensagem sobre isso no blog do site). O set seriam algumas músicas do Mudhoney que o Mark pediu pra banda tirar.

Breve resumo da ópera bufa: cansado demais na noite do show, o Mark deu um bonde na banda e no público e sequer apareceu no lugar. Tanto ele quanto a organização do show alegaram cansaço por conta de uma agenda atribulada. A julgar pelo último show do Vincebuz, o azar maior foi do Mark Arm.

Em tempo: não me empolguei pra ir ver o MC5.

Frances the Mute, do Mars Volta, é um álbum zoado. Não é ruim, mas peca pelos excessos (que são muitos). Sabe quando você tenta ouvir um disco de cabo a rabo e no meio da audição pensa em um monte de outras coisas pra fazer? É por aí.

Parece que os hermanos ligaram o "fueda-se" e desembestaram a gravar as músicas sem encanar muito se ia soar enfadonho ou não. O resultado, pra mim, soou como uma jam que tem o mesmo efeito do show dos caras (que eu não vi aqui, mas já ouvi): legal pra caralho pra quem toca, mas cruel de agüentar se você não estiver no mesmo estado de espírito dos caras.

Tecnicamente falando, o vocal e o guitarra estão no ápice da performance, mas um pouco de edição não faria mal. Fora os "barulhinhos em branco" espalhados aqui e ali, que ajudam a quebrar mais o andamento da audição de um disco que já é grande sem eles.

Eu escreveria um Corra Atrás! ou Lixeira sobre isso, mas por considerar o disco penso entre um lado e outro, nenhuma das duas seções serviria.

Música de graça:

DTRASH TECHNOLOGIES: site do selo D-Trash, de música eletrônica, industrial, ambient e experimental. Não baixei quase nada desse site ainda, mas recomendo uma ouvida nos discos do Cutting Pink With Knives (grindcore bizarro misturado com música eletrônica), John Merrick Project (o Extreme Noise Error é um disco de punk com eletrônica! O título é uma referência óbvia ao E.N.T.) e The Shizit.

Godflesh - Crumbling Flesh (show em Nottingham, 1989, gravado direto da mesa):
1."Veins"
2."Wound"
3."Christbait Rising"
4."Tiny Tears"
5."Weak Flesh"
6."Avalanche Master Song"

O Thiago Behrndt, que remixou uma das faixas do cd do Eu Serei a Hiena (resenha aqui), tem um programa de webradio chamado Dada e pediu uma força na divulgação. O programa vai ao ar às quartas-feiras, às 21h, e segundo o próprio Behrndt, “é completamente disforme e livre de rótulos”. “Geralmente fico entre o experimental/ instrumental/ indie/ punk, mas vale tudo”. Se alguém achar que é pretensão, saque o setlist das sessões do cara até agora:

1. Khanate - Capture (18:13)
2. AFX - Grumpy Acid (3:21)
3. The Police - Driven To Tears (3:20)
4. Björk - Gratitude (feat. Will Oldham) (4:59)
5. The Beatles - Tomorrow Never Knows (2:57)
6. Sense Field - Fun Never Ends (3:57)
7. Satanique Samba Trio - AudioTrack 01 (1:37)
8. Satanique Samba Trio - AudioTrack 03 (1:03)
9. Brant Bjork - Dr. Aura (3:08)
10. Los Natas - Que Rico (4:36)
11. Boards of Canada - Sunshine Recorder (6:12)
12. The Mops - Blind Bird (2:59)
13. Jimi Hendrix - Are You Experienced (4:15)
14. Autechre - Fold4,wrap5 (4:03)
15. Miles Davis - Little Church (3:17)

1. Blue Cheer - Sun Cycle (4:14)
2. gandhi - AudioTrack 05 (3:22)
3. gandhi - AudioTrack 06 (4:52)
4. Om - Kapila's Theme (11:58)
5. Flama - scapegoat (1:21)
6. Plaid - Twin Home (5:11)
7. Janes Addiction - Three Days (10:47)
8. Fossil - Algia (6:42)
9. Curupira - Suitão (13:30)
10. drogado e sua banda mágica vs behrndt - envenenamento (5:33)
11. Thelonious Monk - Locomotive (6:40)
12. earthlings? - mars on fire (3:24)
13. gandhi - AudioTrack 09 (3:42)
14. Ween - Did you see me (5:10)
15. Pink Floyd - A Pillow of Winds (5:11)
16. Black Sabbath - Changes (4:41)

O terceiro programa foi um especial de projetos nacionais de música eletrônica experimental”:

1- m.takara vs eu serei a hiena
2- Schlange - Focat
3- Pamda - honey boy
4- WinsTown ChurchIll - o enterro
5- Ayer Killing Spree - white monkey
6- Ayer Killing Spree - black donkey
7- oscilloid - i solant i (procura no trama virtual)
8- shishogan - home
9- Eulália - Frenzy
10- drogado e sua banda mágica - balança o tempo
11- lunasigh - magnetic voyeur (procura no trama virtual)
12- the bukkake tv - twenty roses
13- FSM - Aesfera (email: rufus_ki@hotmail.com)
14- tutululuamarituro - poeira
15- polem - her professor
17- deltaw-x009 - a vida de wilson
18- Toda essa água - Antropozoo

Não sei direito como esse mano conhece algumas bandas que eu achava que só os criadores e umas oito pessoas conheciam (como Ayer Killing Spree, Fóssil e The Bukkake TV), mas isso só vem pra ilustrar que o cara manja do riscado. Ouçam o que ele tem a tocar nesse link.

Dedicado a Gabriel Cruz Vieira de Oliveira (delete yourself), morto em 20 de agosto de 2005.

R.I.P.

Por ora, é isso.

 
John Gracinha é correspondente voluntário do Abacaxi e louco pra ser aceito na cena glam paulistana. E-mail: johngracinha@abacaxiatomico.com.br.

 

 

©Todos os direitos reservados
Melhor visualizado com Internet Explorer em 800X600

 
ÚLTIMAS MATÉRIAS
Sobre música ruim
ESPECIAL TROFÉU ABACAXI ATÔMICO 2005: And the loser is...
Direito de resposta
Sobrevivendo ao Kool Metal Fest
Por um rock'n'roll mais sujo e independente
Confira textos mais antigos...