A coluna desta semana está completamente
defasada. Explicar os porquês do atraso seria como o Lula
ou o Dirceu contando o passado de luta deles pra desviar o foco.
Como ninguém quer saber disso, o negócio é tocar
o barco.

A reação de pessoas do meu círculo de convivência
sobre a situação sub judice do show do Fantômas
no Brasil (a informação de que a banda não
estava confirmada para o Curitiba Rock Festival sumiu sem vestígios
do site
do evento)
me fez pensar que a música perdeu a identidade. Salvo um
mano que não tem lá o gosto musical mais invejável-admirável
do mundo, não vi muita gente animada com a troca pelo Mercury
Rev e Raveonettes. Pelo menos uma dúzia de pessoas perdeu
a vontade de ir, o que me leva a crer que houve uma inversão
de valores. O debut do Fantômas, Amenaza al
Mundo, era uma
colagem absurda de noise e metal, e por isso mesmo foda. Na seqüência,
os caras gravaram o Director’s Cut, disco de covers de trilhas
de filme de terror/gângster, e deram uma amenizada no caos,
mas ainda assim continuou hermético. Os discos subseqüentes
voltaram a enveredar pelo experimentalismo.
Por mais que não se possa ignorar o fator Patton/Lombardo,
eu sinceramente seria um dos últimos a imaginar que tanta
gente se interessaria em ver um show dos caras. Quando a música
deu uma guinada e o out virou in? Teriam os berros do Blood Brothers
ou a popularização de bandas notoriamente experimentais
como Tortoise e Mogwai algo a ver com isso? A resposta deve se
situar entre o “é possível” e o “foda-se”.
A título de esclarecimento, a idéia desse texto
não é a mesma do Lúcio Ribeiro, que uma vez
disse que existe um mainstream no underground, mas sim constatar
que hoje e há algum tempo o senso comum mudou um pouco de
direção. Bandas “difíceis” têm
sido mais aceitas pelo grande público. A tendência
não é regional, uma vez que lá fora as principais
revistas de música tem dado espaço pra gente como
Pelican, Jesu, Isis e SunnO))) - juro que não recebo jabá dos
caras, mas se isso fizer com que eles me mandem o disco novo, não
recuso.
Por aqui, eu até vejo algum hype, mas é muito pontual,
não dá pra dizer que a Peligro vender o bagulho signifique
muita coisa; Apesar disso, não creio que foi por acaso a última
edição da Dynamite ter dois mini-pinguepongues com
o Jesu e o Isis.
Conclusão óbvia: continua tendo coisa ruim dos dois
lados, mas parece que veio abaixo o muro ideológico que
separava o mainstream do underground. Se isso significar mais shows
de bandas legais por aqui, não deve ser algo ruim. Quem
se incomodar com a popularização somente porque aquela banda deixou de ser segredo é mongo.

Alguns updates completamente datados a essa altura:
No último show do Envydust e Minnuit, uns quatro fins de
semana atrás no Black Jack, o Indiegesto e eu chegamos à conclusão
de que a nossa geração foi uma bosta. As mulheres
eram feias pra burro ou pouco liberais, os shows que havia eram
zoados por conta de som ruim ou porque as bandas em si eram uma
bosta, o acesso à internet estava começando a aparecer
(nós praticamente acompanhamos o surgimento das BBS!)...
nossa noção de vídeo pornô era algo
que se pedia emprestado pra nunca mais devolver, e não um
bootleg caseiro que alguém de outro estado gravou e jogou
na rede.
Se for ver vantagens, não tinha fotolog nem blog, mas é só.
A geração de agora, pouco anterior à minha,
a meu ver ainda não tem muito bem uma identidade, mas tem
muitas pra escolher e mais acesso. Hoje, qualquer moleque se torna
Ph.D em determinado assunto em 15 minutos com o Google, o que certamente
facilita bastante na hora de tentar comer alguém. Bom pra
eles. Agora, se vão ficar alienados ou não, é problema
dos caras. No que me concerne, ficando longe do rolê poser,
tá bom.

Um registro pra presepada envolvendo o vocal do Mudhoney, já que
pouca gente tomou conhecimento do episódio (não que
esse site seja o Jornal Nacional, mas...). Não vou acusar
a organização nem ninguém porque só tenho
um dos lados da história, então me limito aos fatos
concretos: o Mark Arm, vocalista do Mudhoney e quebra-galho do
MC5 no show deles no Brasil, ficou de tocar um pocket show com
o Vincebuz no Outs, numa
terça-feira (não me lembro da data, mas rolou uma
mensagem sobre isso no blog do site). O set seriam algumas músicas
do Mudhoney que o Mark pediu pra banda tirar.
Breve resumo da ópera bufa: cansado demais na noite do
show, o Mark deu um bonde na banda e no público e sequer
apareceu no lugar. Tanto ele quanto a organização
do show alegaram cansaço por conta de uma agenda atribulada.
A julgar pelo último show do Vincebuz, o azar maior foi
do Mark Arm.
Em tempo: não me empolguei pra ir ver o MC5.

Frances the Mute, do Mars Volta, é um álbum zoado.
Não é ruim, mas peca pelos excessos (que são
muitos). Sabe quando você tenta ouvir um disco de cabo a
rabo e no meio da audição pensa em um monte de outras
coisas pra fazer? É por aí.
Parece que os hermanos ligaram o "fueda-se" e desembestaram
a gravar as músicas sem encanar muito se ia soar enfadonho
ou não. O resultado, pra mim, soou como uma jam que tem
o mesmo efeito do show dos caras (que eu não vi aqui, mas
já ouvi): legal pra caralho pra quem toca, mas cruel de
agüentar se você não estiver no mesmo estado
de espírito dos caras.
Tecnicamente falando, o vocal e o guitarra estão no ápice
da performance, mas um pouco de edição não
faria mal. Fora os "barulhinhos em branco" espalhados
aqui e ali, que ajudam a quebrar mais o andamento da audição
de um disco que já é grande sem eles.
Eu escreveria um Corra Atrás! ou Lixeira sobre isso, mas
por considerar o disco penso entre um lado e outro, nenhuma das
duas seções serviria.

Música de graça:
DTRASH
TECHNOLOGIES: site do selo D-Trash, de música eletrônica,
industrial, ambient e experimental. Não baixei quase nada
desse site ainda, mas recomendo uma ouvida nos discos do Cutting
Pink With Knives (grindcore bizarro misturado com música
eletrônica), John Merrick Project (o Extreme Noise Error é um
disco de punk com eletrônica! O título é uma
referência óbvia ao E.N.T.) e The Shizit.
Godflesh - Crumbling Flesh (show
em Nottingham, 1989, gravado direto da mesa):
1."Veins"
2."Wound"
3."Christbait
Rising"
4."Tiny Tears"
5."Weak Flesh"
6."Avalanche
Master Song"
O Thiago Behrndt, que remixou uma das faixas do cd do Eu
Serei a Hiena (resenha aqui),
tem um programa de webradio chamado Dada e
pediu uma força na divulgação. O programa
vai ao ar às quartas-feiras, às 21h, e segundo o
próprio Behrndt, “é completamente disforme
e livre de rótulos”. “Geralmente fico entre
o experimental/ instrumental/ indie/ punk, mas vale tudo”.
Se alguém achar que é pretensão, saque o setlist
das sessões do cara até agora:
1. Khanate - Capture (18:13)
2. AFX - Grumpy Acid (3:21)
3. The Police - Driven To Tears (3:20)
4. Björk - Gratitude (feat. Will Oldham) (4:59)
5. The Beatles - Tomorrow Never Knows (2:57)
6. Sense Field - Fun Never Ends (3:57)
7. Satanique Samba Trio - AudioTrack 01 (1:37)
8. Satanique Samba Trio - AudioTrack 03 (1:03)
9. Brant Bjork - Dr. Aura (3:08)
10. Los Natas - Que Rico (4:36)
11. Boards of Canada - Sunshine Recorder (6:12)
12. The Mops - Blind Bird (2:59)
13. Jimi Hendrix - Are You Experienced (4:15)
14. Autechre - Fold4,wrap5 (4:03)
15. Miles Davis - Little Church (3:17)
1. Blue Cheer - Sun Cycle (4:14)
2. gandhi - AudioTrack 05 (3:22)
3. gandhi - AudioTrack 06 (4:52)
4. Om - Kapila's Theme (11:58)
5. Flama - scapegoat (1:21)
6. Plaid - Twin Home (5:11)
7. Janes Addiction - Three Days (10:47)
8. Fossil - Algia (6:42)
9. Curupira - Suitão (13:30)
10. drogado e sua banda mágica vs behrndt - envenenamento
(5:33)
11. Thelonious Monk - Locomotive (6:40)
12. earthlings? - mars on fire (3:24)
13. gandhi - AudioTrack 09 (3:42)
14. Ween - Did you see me (5:10)
15. Pink Floyd - A Pillow of Winds (5:11)
16. Black Sabbath - Changes (4:41)
O terceiro programa foi um especial de projetos nacionais de música
eletrônica experimental”:
1- m.takara vs
eu serei a hiena
2- Schlange -
Focat
3- Pamda -
honey boy
4- WinsTown
ChurchIll -
o enterro
5- Ayer Killing Spree -
white monkey
6- Ayer Killing Spree -
black donkey
7- oscilloid - i solant i (procura no trama virtual)
8- shishogan -
home
9- Eulália - Frenzy
10- drogado
e sua banda mágica -
balança o tempo
11- lunasigh - magnetic voyeur (procura no trama virtual)
12- the bukkake tv - twenty
roses
13- FSM - Aesfera (email: rufus_ki@hotmail.com)
14- tutululuamarituro -
poeira
15- polem -
her professor
17- deltaw-x009 -
a vida
de wilson
18- Toda essa água -
Antropozoo
Não sei direito como esse mano conhece algumas bandas que
eu achava que só os criadores e umas oito pessoas conheciam
(como Ayer Killing Spree, Fóssil e The Bukkake TV), mas
isso só vem pra ilustrar que o cara manja do riscado. Ouçam
o que ele tem a tocar nesse
link.

Dedicado a Gabriel Cruz Vieira de Oliveira (delete yourself),
morto em 20 de agosto de 2005.
R.I.P.
Por ora, é isso.
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