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Beagá, 27 de junho de 2005 d.C.
 
ESPECIAL TROFÉU ABACAXI ATÔMICO 2005: And the loser is...
Por John Gracinha
 

Bem, amigos e visitantes do site, estamos aqui mais uma vez para a entrega do TROFÉU ABACAXI ATÔMICO. Já não me lembro mais quando foi a última vez que isso aconteceu, mas parece que foi há um ano. Em minha defesa, alego que ainda não estava aqui.

Pra começar uma premiação sobre música, nada melhor que não inventar a roda e partir pro óbvio, que é a escolha do pior disco. Essa categoria é importante, porque um disco ruim é um negócio que, por mais que quem cometeu não admita que não gosta, não vai conseguir se livrar nunca. Como uma sombra, o bagulho vai estar sempre lá pra lembrar a banda de que um dia ela foi ruim. É comparável àquele filho feio, que você como pai da criança tem vontade de nunca ter feito, mas oficialmente diz pro mundo não ver nada de errado com ele.

Passado o discurso introdutório, vamos à premiação. Como aqui não rola o recurso que tem na tv de fazer suspense, o jeito foi improvisar.

E

o vencedor

é...


Tamo Aí Na Atividade, do Charlie Brown Jr., que ganhou com 29,3% do total de votos o prêmio de Pior Disco de 2004. Parabéns!!! Em segundo, ficou o Dogão, com a estréia Dogão é Mau, que arrematou 15,8% dos votos, seguido pelo Caetano Veloso, com Foreign Sound tendo levado 11,6% do total. Segundo e terceiro lugar pra eles!

O Detonautas quase chegou lá, mas quarto lugar não merece nem mesmo saber qual foi o percentual de votos. Melhor azar da próxima vez, rapazes. Agora, se querem a minha opinião, tem marmelada nesse Abacaxi. Acho absurdo um artista tão nada como o tal Dogão ser considerado pior que o Caê. Eu pediria recontagem de votos, mas não cabe a mim contestar o resultado, apenas escrever a respeito.

Se um disco ruim faz diferença na carreira de uma banda, que dizer de uma música horrível? Que é tão marcante quanto um disco fraco já é um bom começo. É ela quem pode fazer a banda ser lembrada, como quando alguém diz “caralho, eles têm aquela música medíocre de merda que é um lixo”. Também é muito mais fácil alguém ser lembrado pelas cagadas que fez musicalmente do que pelos méritos (vide “Tapas e Beijos” ou “Locomia”).

Sendo assim, a campeã é “Champagne e Água Benta” do Charlie Brown Jr., considerada por 30% dos que votaram na categoria Pior Música o hino trash de 2004. Com esse, já são dois troféus que os caras abocanham! O segundo e terceiro lugar no quesito foram, respectivamente, pra “Dogão é Mau”, do artista de brincadeira sério Dogão, e pra “Tênis Roque”, do Detonautas Roque Clube. Como a diferença que separa o segundo do terceiro lugar é meio grande (Dogão teve 22,1% e o Detonautas, 8,6%), me pergunto qual o critério de quem votou pra eleger a pior música. Se for o nome, o Detonautas encabeçaria a lista, a meu ver.

Continuando, eis que chega a escolha do Pior Vocalista. São muitos os que não sabem cantar, mas apenas uns poucos serão realmente lembrados por um papel memoravelmente lamentável. E não acredito que seja surpresa pra ninguém que o escolhido (praticamente aclamado) pelo público, com 49,3% do total de votos, é.... Chorão do Charlie Brown Jr.!!!!! Os caras estão foda. Tico Santa Cruz, do Detonautas Roque Clube, também aparece, mas lá atrás, com 17,4% dos votos. Será que nem pra perder essa banda serve? Em um terceiro lugar distante (8,8% dos votos), ficaram o Arnaldo Antunes e o existencialismo dele. Saiba, ó eterno ex-Titã, que precisa de bem mais que tutano pra ser ruim. Como diria o campeão dessa categoria, chega com respeito na minha quebrada, ma broda.

Todo mundo gosta de covers, que são as regravações de músicas que já foram feitas antes, mas que sempre tem um que insiste em mexer no que está quieto pra tentar melhorar ou ver se consegue chamar a atenção de alguma forma. Existe um tipo de gente que gosta mais de covers, que são os artistas falidos, que via de regra se apóiam nesse expediente pra dar uma alavancada na carreira. O vencedor dessa categoria (Pior Versão/Regravação), que foi Caê, com “Come as You Are”, do Nirvana, está aí pra não me deixar mentir: 48,6% dos participantes na votação acham que o cara mandou bem em arruinar a música. O assassínio do Detonautas de “Eu Quero Ver o Oco”, que já era excepcional no original dos Raimundos (e não diria que excepcional foi um elogio), foi lembrado por 11,6% do público como segunda pior regravação, seguido por “Eu Quero Ser Sedado”, versão em português de “I Wanna Be Sedated”, do Ramones. O Joey e o Johnny nunca fizeram tão bem em estar mortos, isso se não estiverem se revirando.

Adiante, vem o Pior Clipe. Acho que foi o Jô Soares ou o Lobão quem disse que clipe é música pra surdo-mudo, e eu me arrisco dizer que alguns clipes de hoje em dia poderiam perfeitamente ter sido feitos por alguém cego e, por que não?, com algum tipo de doença mental grave também. Enfim, quem levou essa foi a Pitty, por “Semana que Vem”, eleita campeã com 26,3% dos votos, seguida de “Música Comercial”, do PR5, que teve 15,1% do total. O Tihuana teve 14,9% dos votos por “Mulheres são de Vênus, os Homens são de Marte”, que salvo erro de memória tocou até em comercial de sandália. Ack, fodam-se eles. Aliás, a Pitty costumava ler aqui a seção de música do Abacaxi. Hey, eu ainda não recebi o cd da sua banda!

Em tempos de videoclipe e pirataria de música comendo solta, o artista ruim precisa ter aquele algo mais pra se sobressair hoje no meio de tantos medíocres. Para esse povo, o DVD vem como uma mão na roda, já que quebra um galhão ao reunir as mesmas coisas que uma fita de VHS teria mas pode ser vendido por um preço muito mais alto. Sem mais falação, quem ganhou foi o Charlie Brown Jr., com Na Estrada 2003-2004, escolhido por 35,6% dos votantes.

O Baú do Raul, tributo àquele mano de quem seu tio que curte Led Zeppelin e Jefferson Airplane fala muito, foi eleito segundo pior DVD, com 15,6% do total de votos. Serve pra provar que hippie também sabe escolher o bagulho e não consome qualquer porcaria. Mantendo a tradição do terceiro lugar, Roque Marciano ao Vivo, do Detonautas (sempre eles), levou 11,2% dos votos. Não me surpreenderia se alguém dissesse que isso tudo foi armado, o CBJ está levando tudo e o Detonautas não chega lá de jeito algum. Como integrante do site e devedor da taxa de manutenção dessa caraia, tenho que dizer que o mérito é realmente todo dos caras, eles sabem ser ruins (CBJ) e inconsistentes o suficiente (Detonautas) pra chegarem aonde estão.

O prêmio “Filho de Peixe, Peixinho...”, que eu sugeri mudar pra “Pior Filho” mas não foi acatado, foi pro filho do D2, cujo nome eu felizmente não sei ou o ECA encheria o saco. Ele teve 39,5% dos votos, seguido pelo Supla, que concorreu como “filho do Eduardo Suplicy e da Dona Marta”. Camuflaram o Papito! Mesmo assim ele se deu bem, ficou com 20% dos votos na categoria. Merecido. Em terceiro, tem uma tal filha do Humberto Gessinger, que eu não sei o nome, não sei quem é e nem nunca ouvi falar, mas teve 11,9% dos votos. Pelo que eu me lembro, Humberto Gessinger era o cara que cantava “Ana” quando eu era moleque. Esse tipo de gente que faz música ruim que gruda na cabeça merecia que o rock fosse proibido no Brasil.

O resultado da categoria Pior Letra de Música é igual ao da Pior Música, com diferenças sutis de percentuais (“Champagne e Água Benta” do CBJ teve 32,8%; “Dogão é Mau”, 30,9%; e “Tênis Roque”, do Deeeeeeeeeeetonaaaaaaaaaaaaaautas, 11,9%). Pelo resultado, só se pode concluir que o público considera uma música ruim pelo conjunto da obra, e não só pela melodia. Deve ser duro trabalhar com uma audiência tão rigorosa.

Injustiçado pelo disfarce que arrumaram pra ele na categoria de Pior Filho (esqueci o nome do quesito), Supla dá a volta por cima e encabeça o ranking do Pior Visual, com 22,8% do total de votos! Agora, sim. O eterno azarão Detonautas ficou em segundo mas foi quase, pois teve 19,8% dos votos. Marcelo Los Hermanos camelou mas não conseguiu pensar em nada que o emplacasse por aqui, então resolveu apelar pro estilo “tomei uma muqueta do Chorão” e conseguiu o terceiro lugar como Pior Visual, com 16%. Note-se que ele concorreu como “Marcelo Camelo (de olho roxo depois de apanhar do Chorão)”, e que não foi um visual natural do cara, como os do Supla e Detonautas são. Pro próximo ano, já estou até vendo gente tocando com melancias na cabeça...

Caê, sumido, retorna com a apresentação no VMB pra liderar a Pior Performance ao Vivo, com a providencial ajuda do David Byrne (culpem ele também pela descoberta do Tom Zé). A dupla teve 31,9% dos votos, e fica o aviso pro Byrne desencanar de trazer o Talking Heads pra cá - já viu que não vai dar em nada. O show do Charlie Brown Jr. (!!!) no Festival Piauí Pop teve 28,6% dos votos, o que me leva a crer que, nos próximos dias, o banner de publicidade do site vai ser substituído por um do disco novo do CBJ. A conferir. Em tempo, de novo o Detonautas não ganhou, relegado ao terceiro lugar (10,7%) com Roque Marciano ao Vivo. Não entendi, é nome de disco, DVD ou turnê essa bagaça? Bom, deixa pra lá. Quando os caras ganharem uma categoria que seja, eu me preocupo com isso.

Pior participação em disco foi pro filho do D2 no Acústico MTV, com 34,2% dos votos. Moleque de futuro. A contribuição dos Hare Krishna no Ao Vivo MTV do Nando Reis fez muita gente mandar o lado zen pra puta que pariu: 20% dos votos foram pra eles. Minha amiga Pitty também foi lembrada (16,7% de votos) por pelo menos três participações, nos Ao Vivo MTV do Ira!, da Rita Lee e no caça-níq...errrrr, tributo Baú do Raul. Tá com tudo a menina!

Tamo Aí Na Atividade liderou a escolha da Pior Capa, com 36,7% dos votos. Ainda bem que o Chorão resolveu continuar tocando com outra banda, pelo visto um bocado de gente ia ficar triste se o CBJ acabasse. Menina Mulher, do Supla, teve 16,3% do total como Pior Capa de Disco, e uma banda que eu nunca ouvi falar chamada LS&D levou 14,7% dos votos por Viajando na Realidade. Achei injusto o CBJ ganhar esse prêmio, as capas deles são sempre as mesmas, todo mundo já deveria estar acostumado (nota mental: pensando bem, talvez eu deva guardar minha defesa dos caras pra quando eles resolverem injetar uma grana aqui). Mas enfim.

Tamo Aí Na Atividade liderou a escolha do Pior Título de Disco e DVD, com 38,1% dos votos. Resolvi copiar o parágrafo anterior e mudar só o percentual de votos e o título da categoria. Eu que não sou o El Jako acho que já está perdendo a graça falar mal de CBJ. Malditos sejam os paulistas que votaram! Orixá Mutante, do Davi Moraes, teve 15,1% dos votos, e Zum Zum, do PR5, banda do Paulo Ricardo tentando virar depois dos 40, 12,8%. Essa é uma categoria que reúne duas, ou seja, os dois critérios, título de disco e de DVD, têm que ser considerados. Ao contrário dos prêmios pra Pior Música e Pior Letra, aqui vale o conjunto da obra.

Vou falar um pouco de merda pra deixar o texto menos seco. Qual seria a pior revelação da sua vida? Seria saber que vai ter que pagar R$ 4 mil no conserto do carro sem ter culpa por ele ter batido, um pênis abaixo da média, um hímem complacente ou saber que o Charlie Brown Jr. acabou de vez? Musicalmente, a Pior Revelação foi o Dogão, que teve 59,3% de votos, mais que o Chorão pra Pior Vocal. Pelo visto, Rick Bonadio está vivo e bem, o que não deixa de ser outra revelação ruim. A filha do Humberto Gessinger, que eu continuo nunca tendo visto mais gorda, aparece em segundo com 10,2% de votos. Estou chutando que ela deve cantar horrivelmente ou ser um baita bagulho pra ter gente votando nela. Vai ver, é revanche pelo fato do pai dela ter regravado aquela música d’Os Incríveis... PR5, nova armação do Paulo Ricardo, teve 9,1% dos votos. Sugestão: parem de dar importância pra esse cara. Vocês e a mídia jabazeira são os únicos.

Por fim, vem a Menção Desonrosa de 2004. Foram intensos debates até que se chegasse a um consenso, cadeiras foram quebradas, ligações interurbanas de São Paulo pra Belo Horizonte foram feitas, amizades de anos foram rompidas. Muita gente achava que deveria ser o gosto pra música do Sukrilius, outros disseram que o declínio do rolê poser merecia não só menção desonrosa como moção de pesar, e por aí vai. Pra se ter uma idéia, foi tanta discussão que o El Jako decidiu até mesmo largar o posto de Ombudsman do site. Em termos de drama, E o Vento Levou perde feio.

Falando sério, até onde eu vi não houve discussão alguma sobre qual seria o Abacaxi do ano. Mas isso sou eu falando, e eu não acompanhei a votação tão ativamente quanto o Cajabis, por exemplo. Talvez ele tenha alguns acontecimentos dignos de figurarem aqui, mas, do que eu me lembro, a Menção Desonrosa desse ano só poderia ir mesmo pra briga entre o Chorão e o Marcelo Camelo. Coisas mais feias devem ter acontecido - o Detonautas não ter ganhado um primeiro lugar nessa premiação, por exemplo - , mas o que ficou na lembrança coletiva foi isso, pelo visto. Se alguém lembrar de algo melhor, entre em contato comigo, já que o chefe deve estar de saco cheio de ler essas porras de menção desonrosa.

É isso aí, por esse ano é só, pessoal. Parabéns a quem ganhou, vocês são demais! Quem puder, mande pros artistas contemplados aqui o link pra esse site e texto, eles precisam saber o que o povo pensa, senão que graça tem? Ir no Prêmio Claro de Música Independente receber um troféu de madeira com um cdR cortado no meio é fácil, mas ouvir a voz rouca das ruas (copyright by FHC) ninguém quer. Aí não.

 
John Gracinha é correspondente voluntário do Abacaxi e louco pra ser aceito na cena glam paulistana. E-mail: johngracinha@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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