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Bem, amigos e visitantes do site, estamos aqui mais uma vez para
a entrega do TROFÉU
ABACAXI ATÔMICO. Já não me lembro
mais quando foi a última vez que isso aconteceu, mas parece
que foi há um ano. Em minha defesa, alego que ainda não
estava aqui.
Pra começar uma premiação sobre música,
nada melhor que não inventar a roda e partir pro óbvio,
que é a escolha do pior disco. Essa categoria é importante,
porque um disco ruim é um negócio que, por mais que
quem cometeu não admita que não gosta, não
vai conseguir se livrar nunca. Como uma sombra, o bagulho vai estar
sempre lá pra lembrar a banda de que um dia ela foi ruim.
É comparável àquele filho feio, que você
como pai da criança tem vontade de nunca ter feito, mas oficialmente
diz pro mundo não ver nada de errado com ele.
Passado o discurso introdutório, vamos à premiação.
Como aqui não rola o recurso que tem na tv de fazer suspense,
o jeito foi improvisar.
E
o vencedor
é...
Tamo Aí Na Atividade, do Charlie Brown Jr., que
ganhou com 29,3% do total de votos o prêmio de Pior
Disco de 2004. Parabéns!!! Em segundo, ficou
o Dogão, com a estréia Dogão é Mau,
que arrematou 15,8% dos votos, seguido pelo Caetano Veloso, com
Foreign Sound tendo levado 11,6% do total. Segundo e terceiro
lugar pra eles!
O Detonautas quase chegou lá, mas quarto lugar não
merece nem mesmo saber qual foi o percentual de votos. Melhor azar
da próxima vez, rapazes. Agora, se querem a minha opinião,
tem marmelada nesse Abacaxi. Acho absurdo um artista tão
nada como o tal Dogão ser considerado pior que o Caê.
Eu pediria recontagem de votos, mas não cabe a mim contestar
o resultado, apenas escrever a respeito.
Se um disco ruim faz diferença na carreira de uma banda,
que dizer de uma música horrível? Que é tão
marcante quanto um disco fraco já é um bom começo.
É ela quem pode fazer a banda ser lembrada, como quando alguém
diz “caralho, eles têm aquela música medíocre
de merda que é um lixo”. Também é muito
mais fácil alguém ser lembrado pelas cagadas que fez
musicalmente do que pelos méritos (vide “Tapas e Beijos”
ou “Locomia”).
Sendo assim, a campeã é “Champagne e Água
Benta” do Charlie Brown Jr., considerada por 30% dos que votaram
na categoria Pior Música
o hino trash de 2004. Com esse, já são dois troféus
que os caras abocanham! O segundo e terceiro lugar no quesito foram,
respectivamente, pra “Dogão é Mau”, do
artista de brincadeira sério Dogão, e pra “Tênis
Roque”, do Detonautas Roque Clube. Como a diferença
que separa o segundo do terceiro lugar é meio grande (Dogão
teve 22,1% e o Detonautas, 8,6%), me pergunto qual o critério
de quem votou pra eleger a pior música. Se for o nome, o
Detonautas encabeçaria a lista, a meu ver.
Continuando, eis que chega a escolha do Pior
Vocalista. São muitos os que não sabem
cantar, mas apenas uns poucos serão realmente lembrados por
um papel memoravelmente lamentável. E não acredito
que seja surpresa pra ninguém que o escolhido (praticamente
aclamado) pelo público, com 49,3% do total de votos, é....
Chorão do Charlie Brown Jr.!!!!! Os caras estão foda.
Tico Santa Cruz, do Detonautas Roque Clube, também aparece,
mas lá atrás, com 17,4% dos votos. Será que
nem pra perder essa banda serve? Em um terceiro lugar distante (8,8%
dos votos), ficaram o Arnaldo Antunes e o existencialismo dele.
Saiba, ó eterno ex-Titã, que precisa de bem mais que
tutano pra ser ruim. Como diria o campeão dessa categoria,
chega com respeito na minha quebrada, ma broda.
Todo mundo gosta de covers, que são as regravações
de músicas que já foram feitas antes, mas que sempre
tem um que insiste em mexer no que está quieto pra tentar
melhorar ou ver se consegue chamar a atenção de alguma
forma. Existe um tipo de gente que gosta mais de covers, que são
os artistas falidos, que via de regra se apóiam nesse expediente
pra dar uma alavancada na carreira. O vencedor dessa categoria (Pior
Versão/Regravação), que foi Caê,
com “Come as You Are”, do Nirvana, está aí
pra não me deixar mentir: 48,6% dos participantes na votação
acham que o cara mandou bem em arruinar a música. O assassínio
do Detonautas de “Eu Quero Ver o Oco”, que já
era excepcional no original dos Raimundos (e não diria que
excepcional foi um elogio), foi lembrado por 11,6% do público
como segunda pior regravação, seguido por “Eu
Quero Ser Sedado”, versão em português de “I
Wanna Be Sedated”, do Ramones. O Joey e o Johnny nunca fizeram
tão bem em estar mortos, isso se não estiverem se
revirando.
Adiante, vem o Pior Clipe.
Acho que foi o Jô Soares ou o Lobão quem disse que
clipe é música pra surdo-mudo, e eu me arrisco dizer
que alguns clipes de hoje em dia poderiam perfeitamente ter sido
feitos por alguém cego e, por que não?, com algum
tipo de doença mental grave também. Enfim, quem levou
essa foi a Pitty, por “Semana que Vem”, eleita campeã
com 26,3% dos votos, seguida de “Música Comercial”,
do PR5, que teve 15,1% do total. O Tihuana teve 14,9% dos votos
por “Mulheres são de Vênus, os Homens são
de Marte”, que salvo erro de memória tocou até
em comercial de sandália. Ack, fodam-se eles. Aliás,
a Pitty costumava ler aqui a seção de música
do Abacaxi. Hey, eu ainda não recebi o cd da sua banda!
Em tempos de videoclipe e pirataria de música comendo solta,
o artista ruim precisa ter aquele algo mais pra se sobressair hoje
no meio de tantos medíocres. Para esse povo, o DVD vem como
uma mão na roda, já que quebra um galhão ao
reunir as mesmas coisas que uma fita de VHS teria mas pode ser vendido
por um preço muito mais alto. Sem mais falação,
quem ganhou foi o Charlie Brown Jr., com Na Estrada 2003-2004,
escolhido por 35,6% dos votantes.
O Baú do Raul, tributo àquele mano de quem
seu tio que curte Led Zeppelin e Jefferson Airplane fala muito,
foi eleito segundo pior DVD,
com 15,6% do total de votos. Serve pra provar que hippie também
sabe escolher o bagulho e não consome qualquer porcaria.
Mantendo a tradição do terceiro lugar, Roque Marciano
ao Vivo, do Detonautas (sempre eles), levou 11,2% dos votos.
Não me surpreenderia se alguém dissesse que isso tudo
foi armado, o CBJ está levando tudo e o Detonautas não
chega lá de jeito algum. Como integrante do site e devedor
da taxa de manutenção dessa caraia, tenho que dizer
que o mérito é realmente todo dos caras, eles sabem
ser ruins (CBJ) e inconsistentes o suficiente (Detonautas) pra chegarem
aonde estão.
O prêmio “Filho
de Peixe, Peixinho...”, que eu sugeri mudar pra
“Pior Filho” mas não foi acatado, foi pro filho
do D2, cujo nome eu felizmente não sei ou o ECA encheria
o saco. Ele teve 39,5% dos votos, seguido pelo Supla, que concorreu
como “filho do Eduardo Suplicy e da Dona Marta”. Camuflaram
o Papito! Mesmo assim ele se deu bem, ficou com 20% dos votos na
categoria. Merecido. Em terceiro, tem uma tal filha do Humberto
Gessinger, que eu não sei o nome, não sei quem é
e nem nunca ouvi falar, mas teve 11,9% dos votos. Pelo que eu me
lembro, Humberto Gessinger era o cara que cantava “Ana”
quando eu era moleque. Esse tipo de gente que faz música
ruim que gruda na cabeça merecia que o rock fosse proibido
no Brasil.
O resultado da categoria Pior
Letra de Música é igual ao da Pior Música,
com diferenças sutis de percentuais (“Champagne e Água
Benta” do CBJ teve 32,8%; “Dogão é Mau”,
30,9%; e “Tênis Roque”, do Deeeeeeeeeeetonaaaaaaaaaaaaaautas,
11,9%). Pelo resultado, só se pode concluir que o público
considera uma música ruim pelo conjunto da obra, e não
só pela melodia. Deve ser duro trabalhar com uma audiência
tão rigorosa.
Injustiçado pelo disfarce que arrumaram pra ele na categoria
de Pior Filho (esqueci o nome do quesito), Supla dá a volta
por cima e encabeça o ranking do Pior
Visual, com 22,8% do total de votos! Agora, sim. O
eterno azarão Detonautas ficou em segundo mas foi quase,
pois teve 19,8% dos votos. Marcelo Los Hermanos camelou mas não
conseguiu pensar em nada que o emplacasse por aqui, então
resolveu apelar pro estilo “tomei uma muqueta do Chorão”
e conseguiu o terceiro lugar como Pior Visual, com 16%. Note-se
que ele concorreu como “Marcelo Camelo (de olho roxo depois
de apanhar do Chorão)”, e que não foi um visual
natural do cara, como os do Supla e Detonautas são. Pro próximo
ano, já estou até vendo gente tocando com melancias
na cabeça...
Caê, sumido, retorna com a apresentação no
VMB pra liderar a Pior
Performance ao Vivo, com a providencial ajuda do David
Byrne (culpem ele também pela descoberta do Tom Zé).
A dupla teve 31,9% dos votos, e fica o aviso pro Byrne desencanar
de trazer o Talking Heads pra cá - já viu que não
vai dar em nada. O show do Charlie Brown Jr. (!!!) no Festival Piauí
Pop teve 28,6% dos votos, o que me leva a crer que, nos próximos
dias, o banner de publicidade do site vai ser substituído
por um do disco novo do CBJ. A conferir. Em tempo, de novo o Detonautas
não ganhou, relegado ao terceiro lugar (10,7%) com Roque
Marciano ao Vivo. Não entendi, é nome de disco,
DVD ou turnê essa bagaça? Bom, deixa pra lá.
Quando os caras ganharem uma categoria que seja, eu me preocupo
com isso.
Pior participação
em disco foi pro filho do D2 no Acústico
MTV, com 34,2% dos votos. Moleque de futuro. A contribuição
dos Hare Krishna no Ao Vivo MTV do Nando Reis fez muita
gente mandar o lado zen pra puta que pariu: 20% dos votos foram
pra eles. Minha amiga Pitty também foi lembrada (16,7% de
votos) por pelo menos três participações, nos
Ao Vivo MTV do Ira!, da Rita Lee e no caça-níq...errrrr,
tributo Baú do Raul. Tá com tudo a menina!
Tamo Aí Na Atividade liderou a escolha da Pior
Capa, com 36,7% dos votos. Ainda bem que o Chorão
resolveu continuar tocando com outra banda, pelo visto um bocado
de gente ia ficar triste se o CBJ acabasse. Menina Mulher,
do Supla, teve 16,3% do total como Pior Capa de Disco, e uma banda
que eu nunca ouvi falar chamada LS&D levou 14,7% dos votos por
Viajando na Realidade. Achei injusto o CBJ ganhar esse
prêmio, as capas deles são sempre as mesmas, todo mundo
já deveria estar acostumado (nota mental: pensando bem, talvez
eu deva guardar minha defesa dos caras pra quando eles resolverem
injetar uma grana aqui). Mas enfim.
Tamo Aí Na Atividade liderou a escolha do Pior
Título de Disco e DVD, com 38,1% dos votos.
Resolvi copiar o parágrafo anterior e mudar só o percentual
de votos e o título da categoria. Eu que não sou o
El Jako acho que já está perdendo a graça falar
mal de CBJ. Malditos sejam os paulistas que votaram! Orixá
Mutante, do Davi Moraes, teve 15,1% dos votos, e Zum Zum,
do PR5, banda do Paulo Ricardo tentando virar depois dos 40, 12,8%.
Essa é uma categoria que reúne duas, ou seja, os dois
critérios, título de disco e de DVD, têm que
ser considerados. Ao contrário dos prêmios pra Pior
Música e Pior Letra, aqui vale o conjunto da obra.
Vou falar um pouco de merda pra deixar o texto menos seco. Qual
seria a pior revelação da sua vida? Seria saber que
vai ter que pagar R$ 4 mil no conserto do carro sem ter culpa por
ele ter batido, um pênis abaixo da média, um hímem
complacente ou saber que o Charlie Brown Jr. acabou de vez? Musicalmente,
a Pior Revelação
foi o Dogão, que teve 59,3% de votos, mais que o Chorão
pra Pior Vocal. Pelo visto, Rick Bonadio está vivo e bem,
o que não deixa de ser outra revelação ruim.
A filha do Humberto Gessinger, que eu continuo nunca tendo visto
mais gorda, aparece em segundo com 10,2% de votos. Estou chutando
que ela deve cantar horrivelmente ou ser um baita bagulho pra ter
gente votando nela. Vai ver, é revanche pelo fato do pai
dela ter regravado aquela música d’Os Incríveis...
PR5, nova armação do Paulo Ricardo, teve 9,1% dos
votos. Sugestão: parem de dar importância pra esse
cara. Vocês e a mídia jabazeira são os únicos.
Por fim, vem a Menção
Desonrosa de 2004. Foram intensos debates até
que se chegasse a um consenso, cadeiras foram quebradas, ligações
interurbanas de São Paulo pra Belo Horizonte foram feitas,
amizades de anos foram rompidas. Muita gente achava que deveria
ser o gosto pra música do Sukrilius, outros disseram que
o declínio do rolê poser merecia não só
menção desonrosa como moção de pesar,
e por aí vai. Pra se ter uma idéia, foi tanta discussão
que o El Jako decidiu até mesmo largar o posto de Ombudsman
do site. Em termos de drama, E o Vento Levou perde feio.
Falando sério, até onde eu vi não houve discussão
alguma sobre qual seria o Abacaxi do ano. Mas isso sou eu falando,
e eu não acompanhei a votação tão ativamente
quanto o Cajabis, por exemplo. Talvez ele tenha alguns acontecimentos
dignos de figurarem aqui, mas, do que eu me lembro, a Menção
Desonrosa desse ano só poderia ir mesmo pra briga entre o
Chorão e o Marcelo Camelo. Coisas mais feias devem ter acontecido
- o Detonautas não ter ganhado um primeiro lugar nessa premiação,
por exemplo - , mas o que ficou na lembrança coletiva foi
isso, pelo visto. Se alguém lembrar de algo melhor, entre
em contato comigo,
já que o chefe
deve estar de saco cheio de ler essas porras de menção
desonrosa.
É isso aí, por esse ano é só, pessoal.
Parabéns a quem ganhou, vocês são demais! Quem
puder, mande pros artistas contemplados aqui o link pra esse site
e texto, eles precisam saber o que o povo pensa, senão que
graça tem? Ir no Prêmio Claro de Música Independente
receber um troféu de madeira com um cdR cortado no meio é
fácil, mas ouvir a voz rouca das ruas (copyright by FHC)
ninguém quer. Aí não.
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