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Beagá, 20 de junho de 2005 d.C.
 
Direito de resposta
Por John Gracinha
 

Antes de começar a coluna desta semana, um reparo: me escreveu o Luís Carone (ou Carome - o destinatário do e-mail tem sobrenome Carone, mas no texto da mensagem ele se apresenta com “m” no sobrenome) e contou que foi ele quem produziu o clipe do Rock Rocket, “Por um rock’n’roll mais alcoólatra e inconseqüente”. No e-mail, ele contestou a estória de que os caras da banda, a despeito do nome da música, não bebem. Pra situar quem não entendeu nada, tudo começou no oitavo parágrafo deste texto.

Perguntei ao Carone se ele queria que a réplica fosse publicada na coluna ou pelo blog, já que a coluna daquela semana já estava pronta e ia ficar difícil editar, mas ele nunca mais entrou em contato. Assim sendo, segue a íntegra da defesa do cara (não editei nada, a não ser pelo endereço do e-mail, que foi removido):

“Caro John Gracinha,

li a sua materia

Meu nome eh Luis Carome diriji o clipe do rock rocket, o Por um Rock’n’Roll mais Alcoólatra e Inconseqüente. Que por sinal nao tem nem CD ainda eh so um single. Se os caras do rock rocket nao bebem me diz pq na gravacao do clipe eu tive q pagar 300 reias em cerveja do meu bolso, sera q foi pq eles tomaram isso em apenas uma tarde de clipe... e obviamente nao se deram conta do quanto tavam bebendo e como todo alcoolatra nao tinham dinheiro pra pagar... caso queira tem no making of o noel indo gorfar e voltando... E por ultimo mas nao menos importante oq vc acha q agente colocou no copo e nas garrafas, guarana???
HAHAHAHHAHAHAHHAHAHAH

desculpe mas: " me foi dito que os caras do tal Rock Rocket, cujo nome do disco “Por um Rock’n’Roll mais Alcoólatra e Inconseqüente, não bebem! " como vc pediu pra um fã se pronunciar.. to aqui

Abraco
Luis”

E, se me é permitido, a minha contraparte é: onde se lê “me foi dito”, leia-se “uma fonte me passou a história e eu banquei, ressaltando que não confirmava aquilo e pedindo pra algum fã da banda se pronunciar a respeito”. Quanto ao que eles beberam ou quanto eles gastaram durante a gravação do vídeo, não disse nada a esse respeito porque nem sabia que eles tinham um clipe.

Estando bom para ambas as partes, vamos tocar o barco. Essa semana não vou falar de política porque o El Jako vai dizer que isso aqui virou o Manhattan Connection pra sumir do mapa por uns dias assim que eu falar algo dele.

Pode parecer isso mas, na verdade, o motivo pelo qual eu não vou falar nada a esse respeito é que tudo está acontecendo muito rápido. Se esse texto for ao ar na quinta-feira, por exemplo, será um dia depois da acareação entre o Roberto Jefferson e o Zé Dirceu, e aí tudo que se arriscar um pitaco fica obsoleto.

Portanto, vou me ater mais aos assuntos musicais e outras coisas. Começando por uns lances mais cool, tem disco novo do Us3. Saiu esse ano nos EUA e no Japão e o nome é Questions. De brinde, além das 13 músicas do álbum, vem um tal de “bossa mix” de “Cantaloop”, o hit dos caras (eles também tinham outro, mas eu esqueci o nome... “Tooka Yoot’s ryddim”, ou algo assim). Pelo nome escolhido pra nova versão, dá medo. Se alguém ouviu, mande feedback. Não sei se esse link é pro clipe da nova versão, não tentei assistir porque meu computador é praticamente movido a lenha.

De todo modo, fica a sugestão pro Kid Vinil convencer a Trama a lançar eles aqui pra encalhar nas bacias de discos por R$ 6 junto com os do Meat Puppets. Em tempo: o II deles (Meat Puppets, não Us3) é mais caro porque é mais difícil de achar que os outros ou é o contrário?

A metaleiragem vai gostar de saber que saiu por aqui a versão remasterizada dos primeiros discos do Megadeth. Quero pegar o primeirão dos caras, Killing is My Business... and Business is Good!, pra ver que gosto tem. Existe um rumor de que o Dave Mustaine, dono do Megadeth e prego em geral, compôs praticamente tudo do Ride the Lightning, do Metallica (lembra quando eles eram referência pra um monte de outras bandas?).

Não sou o maior fã do mundo de Megadeth - o projeto punk do Mustaine com o vocal do Fear, MD.45, me agradou mais -, mas devo pegar pelo menos o primeiro disco e o Rust in Peace, que foi a bola dentro dos caras (há quem diga que eu exagero ao achar isso). Pra quem não acredita em remasterizações, eu digo que ouvi a versão nova de “Holy Wars” e ficou realmente melhor. Juro.

Tem outras coisas nacionais que saíram aqui. O Atari Teenage Riot, cujo disco 60 Second Wipeout já foi lançado aqui há um tempinho, teve também o Burn, Berlin, Burn! lançado em versão nacional. O mesmo selo, Rock Machine, foi quem lançou nacional o Asesino, projeto do ex-guitarrista do Fear Factory e possivelmente do extinto Brujeria - se a banda realmente acabou -, Dino Cazares, com o baixista do Static-X e o baterista do Sadistic Intent.

A propósito de Fear Factory e Megadeth, já falei aqui em que pé anda o disco novo do Fear Factory, mas não sobre a escalação bizarra que o Dave Mustaine fez pra uma turnê aí. Não deve ter sido dessa tour que o Rotting Christ foi expulso, mas eu ficaria feliz no lugar deles se fosse essa, porque tem cor e cheiro de presepada.

A começar pelo próprio nome do festival. Qualquer um que viu Gigantor ou já ouviu a versão do Helmet pra música-tema deve associar com o desenho. Quanto à escalação, que é o que importa, é uma aberração. Symphony X com Dillinger Escape Plan e Life of Agony com Nevermore e Bobaflex (oh Deus, permita que essa onda de nomes abomináveis cesse) é insosso, e olha que eu gosto de grindcore com jazz. Acho que já peguei trens no horário de pico que pareciam menos embaraçosos que a escalação e o nome desse festival, mas eu entendo o lado (financeiro) do Mustaine. Quanto ao nome... Bom, o nome da banda do cara é Megadeth. Melhor deixar pra lá.

Sei lá se alguém gosta, mas saiu agora nos gringos A Day Late, a Dollar Short, do Thrones, projeto do Joe Preston (currículo grande: ex-Melvins, ex-Earth, colaborou com as bandas Karp e The Whip e hoje bate ponto no SunnO))), além de ter tocado no último do High on Fire). Quem lançou foi a Southern Lord (leia-se: caro), e não é um novo álbum de estúdio, mas sim um apanhado de coisas que só saíram em compactos, demos e aparições em gravações de outras bandas. O que vem pra confirmar a tese de que o cara é preguiçoso pra c****** e por isso teria sido expulso do Melvins, já que o último disco dele de fato como Thrones é o EP Sperm Whale, de 2000. E nem é um álbum inteiro! Pra quem curte bizarrices no naipe do Melvins e além, é um prato cheio.

Quem também lançou disco novo foi o Foo Fighters, In Your Honor, mas eu não acompanho a carreira deles a não ser por uma dúzia de músicas que volta e meia escuto acidentalmente. Acho legal, mas ainda não fui atrás dos cd’s dos caras pra ver se presta mesmo. De mais a mais, tem pelo menos três colaboradores deste site que saberiam comentar o cd novo com mais conhecimento de causa que eu. Importunem eles, costuma dar certo. Acredite, os e-mails de sugestão e cobrança funcionam aqui (e eu não diria isso se não fosse espontaneamente, afinal de contas, eu pago por este espaço!).

Por ora, é isso.

 
John Gracinha é correspondente voluntário do Abacaxi e louco pra ser aceito na cena glam paulistana. E-mail: johngracinha@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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