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A sensação é de que as minhas costas e todos
os meus ligamentos e articulações são a tripulação
do Encouraçado Potemkin, e a gravidade representa as forças
opressoras do regime czarista da Rússia de 1905. Traduzindo:
não é bolinho o meu esgotamento.
A causa foi boa, pelo menos. O Kool Metal Fest 6 foi legal, apesar
de eu ter perdido a primeira metade do show (e eu queria bastante
ver o Ludovic e o E>D>C). Não sei se alguém
daqui foi ao festival, mas eu gostei do que vi. Queimei a língua
e as expectativas com o show do U.D.R., que muito embora eu só
confessasse a amigos mais chegados que não esperava nada,
foi o melhor da noite. O público do KMF também achou,
acho. Aprendi também que não é verdade que
sangue quica no gelo, como eu li em algum lugar, mas isso é
outra estória.
Passando para o campo da música gringa,
aqui
tem um update extenso sobre o presente e futuro do Nasum, uma das
bandas de grindcore das antigas mais legal que tinha até
eles resolverem fazer metal modernoso. Pra quem tem preguiça
de ler o texto gigante no site, basicamente ele diz que a banda
vai acabar ou, pelo que o baterista indica, no mínimo não
manterá o nome.
Pra ficar no lado prático da coisa, a falada
discografia
deles vai enfim sair, e o nome deve ser Grind Finale.
Originalmente, seria Blueprints for Extinction, mas foi
mudado. A morte do vocal dos caras na Indonésia, vítima
do tsunami, influenciou na mudança (o nome original “ficou
inadequado”, explica o batera – Blueprints for Extinction
significa, mais ou menos, “planos para a extinção”).
De muito rápido a muito lento: o novo álbum do Khanate,
Capture
& Release, está pronto. Sai 13 ou 27 de agosto,
pela Hydrahead,
um dos selos mais caros e elitistas do mundo. O álbum vai
ter duas faixas em 43 minutos, e será, na definição
do guitarrista e mentor do bagulho, Stephen O’Malley, “o
mais obtuso (dos álbuns) até agora, uma volta à
forma do riff escavador de sepulturas” (a expressão
no original em inglês é “return to gravedigging
riff-form”). Imagino que ele quis dizer que as músicas
vão continuar lerdas e sem muita variação.
Enfim, a informação é do site
do próprio Stephen O’Malley, que deu um piti feião
há uns dias porque o disco novo vazou e apareceu nos programas
P2P da vida virtual.
Foi um erro idiota: o diretório onde ele costumava hospedar
mp3’s não estava linkado no site oficial, e alguém
mais esperto que tinha o link direto pra pasta resolveu dar uma
olhada lá e achou as músicas do disco novo. Segundo
o SO’M, elas estavam lá pra um executivo que não
tinha outra maneira de ouvir as músicas (porque todo mundo
sabe que gravar um cdR e mandar pelo correio nos EUA é uma
coisa extremamente difícil de ser feita). O chilique terminou
com o cara dando uma de “não estou nem aí, porque
quem baixa o disco é basicamente: 1) alguém que já
ia comprar o cd de qualquer jeito; 2) quem não gosta de Khanate
de jeito algum”.
Resta saber como é que ele consegue fazer alguém
que não gosta da banda dele baixar os mp3’s do disco
novo (quem quiser baixar um do antigo, aqui
tem). Talvez o Korn também em algum ponto da carreira
soubesse como é esse esquema, já que no passado os
caras vendiam discos pra burro, mas se você procurar hoje,
terá dificuldades em achar quem diga que gosta do som deles.
Atendendo ao pedido deste espaço,
o abacaxinauta Bruno Xavier - eu usaria leitor se o patrão
não tivesse dito que chicotearia meus dedos - manda a resenha
dele do novo Audioslave:
“Escutei Out of Exile de cabo a rabo e te digo,
é excelente! Regular do início ao fim, mantendo o
mesmo peso do primeiro disco, porém menos repetitivo. Se
o primeiro foi bom, esse está melhor. Chris Cornell mandando
sempre bem nos vocais - aliás, toda a banda toca muito, mas
o que mais me impressionou foi Tim Commerford, com um baixo sensacional.
“Todas as faixas são ótimas, posso destacar
algumas que me chamaram mais a atenção: “Doesn’t
Remind Me” (faixa 4), começa simples, morna, e, de
repente, explode num refrão de arrepiar, continua revezando
entre o vozeirão de Cornell e a linha de bateria bem destacada.
No final, um solo de Tom Morello pra fechar com chave de ouro. “Heavens
Dead” (faixa 6) é uma balada agradabilíssima,
boa pra qualquer hora.
“Logo depois vem “The worm” e “Man or
animal”, faixas 7 e 8, retornando com o peso, “The worm”
com um pouco de experimentalismo. Lá pelo fim, quando o album
não precisava me provar mais nada, vem a faixa 11, “Number
1 zero”, pra mim a melhor do disco. Dá pra sentir o
baixo entrando nas veias. Só ouvindo pra entender o que eu
digo.
“Pra quem acha que Audioslave é a banda do momento,
está mais do que certo. Out of Exile é foda
e mostra toda a competência da banda, que já adquiriu
uma personalidade própria. Recomendo esse disco pra toda
essa renca que gosta de rock’n’roll bem feito e sem
muita frescura.”
Essa resenha não teve seu conteúdo original alterado
ou editado, à exceção de algumas mudanças
na construção de frases (na verdade, foram mais acentos
que qualquer outra coisa). Eventuais erros no texto devem ser creditados
a este colunista, que ou deixou eles passarem ou, tentando corrigir,
fez algo pior.

Aconteceu bastante coisa na política nacional esses dias
(e hoje ainda é madrugada de segunda pra terça-feira),
de modo que, por mais que os dedos cocem, fica meio inviável
arriscar qualquer análise sobre o que passou e o que ainda
deve rolar. De concreto (ou será abstrato?), o que fica é
que soaram como tática diversionista as acusações
do Roberto Jefferson à Folha de S. Paulo de
que há um “mensalão” pago pelo Congresso
a alguns parlamentares da base aliada, pra usar o termo do presidente
do PTB. Em tempo, qual o problema em se falar mesada? Já
que mensalão, até onde eu entendi, também se
refere a uma espécie de pagamento mensal.
Neologismos à parte, a declaração do homem-bomba©
(copyright da Veja) do PTB está mais pra bomba de
fumaça, na humilde opinião deste escriba. Senão
vejamos: um dia antes da entrevista do Jefferson, no sábado,
a Época deu
a capa pruma denúncia de que ele teria laranjas atuando
em sociedade em uma emissora de rádio não sei aonde
(confesso que ainda não consegui ler a matéria). Portanto,
para mim está nítido que a idéia era desviar
o foco, e não ignoro aí o lance de o Jefferson supostamente
ter ameaçado entregar meio mundo caso largassem ele pra morrer
sozinho perante a opinião pública.
Ainda assim, teimo em achar que a entrevista à Folha
foi uma manobra evasiva no melhor esquema “olha o avião”
e que achar o contrário é tão errado quanto
acreditar que todo movimento de moléculas cessa em zero absoluto.
Por fim, achei uma analogia do Jefferson na entrevista a melhor
coisa que li de um político depois que o Severino Cavalcanti
foi eleito presidente da Câmara, e reproduzo aqui a fala dele:
“A Veja falou que sou o homem-bomba. E o que você
faz com a bomba? Ou desativa ou faz explodir. Estou percebendo que
estão evacuando o quarteirão, e o PTB está
ficando isolado para ser explodido.”
Por ora, é isso.
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