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Beagá, 06 de junho de 2005 d.C.
 
Sobrevivendo ao Kool Metal Fest
Por John Gracinha
 

A sensação é de que as minhas costas e todos os meus ligamentos e articulações são a tripulação do Encouraçado Potemkin, e a gravidade representa as forças opressoras do regime czarista da Rússia de 1905. Traduzindo: não é bolinho o meu esgotamento.

A causa foi boa, pelo menos. O Kool Metal Fest 6 foi legal, apesar de eu ter perdido a primeira metade do show (e eu queria bastante ver o Ludovic e o E>D>C). Não sei se alguém daqui foi ao festival, mas eu gostei do que vi. Queimei a língua e as expectativas com o show do U.D.R., que muito embora eu só confessasse a amigos mais chegados que não esperava nada, foi o melhor da noite. O público do KMF também achou, acho. Aprendi também que não é verdade que sangue quica no gelo, como eu li em algum lugar, mas isso é outra estória.

Passando para o campo da música gringa,
aqui tem um update extenso sobre o presente e futuro do Nasum, uma das bandas de grindcore das antigas mais legal que tinha até eles resolverem fazer metal modernoso. Pra quem tem preguiça de ler o texto gigante no site, basicamente ele diz que a banda vai acabar ou, pelo que o baterista indica, no mínimo não manterá o nome.

Pra ficar no lado prático da coisa, a falada
discografia deles vai enfim sair, e o nome deve ser Grind Finale. Originalmente, seria Blueprints for Extinction, mas foi mudado. A morte do vocal dos caras na Indonésia, vítima do tsunami, influenciou na mudança (o nome original “ficou inadequado”, explica o batera – Blueprints for Extinction significa, mais ou menos, “planos para a extinção”).

De muito rápido a muito lento: o novo álbum do Khanate,
Capture & Release, está pronto. Sai 13 ou 27 de agosto, pela Hydrahead, um dos selos mais caros e elitistas do mundo. O álbum vai ter duas faixas em 43 minutos, e será, na definição do guitarrista e mentor do bagulho, Stephen O’Malley, “o mais obtuso (dos álbuns) até agora, uma volta à forma do riff escavador de sepulturas” (a expressão no original em inglês é “return to gravedigging riff-form”). Imagino que ele quis dizer que as músicas vão continuar lerdas e sem muita variação. Enfim, a informação é do site do próprio Stephen O’Malley, que deu um piti feião há uns dias porque o disco novo vazou e apareceu nos programas P2P da vida virtual.

Foi um erro idiota: o diretório onde ele costumava hospedar mp3’s não estava linkado no site oficial, e alguém mais esperto que tinha o link direto pra pasta resolveu dar uma olhada lá e achou as músicas do disco novo. Segundo o SO’M, elas estavam lá pra um executivo que não tinha outra maneira de ouvir as músicas (porque todo mundo sabe que gravar um cdR e mandar pelo correio nos EUA é uma coisa extremamente difícil de ser feita). O chilique terminou com o cara dando uma de “não estou nem aí, porque quem baixa o disco é basicamente: 1) alguém que já ia comprar o cd de qualquer jeito; 2) quem não gosta de Khanate de jeito algum”.

Resta saber como é que ele consegue fazer alguém que não gosta da banda dele baixar os mp3’s do disco novo (quem quiser baixar um do antigo, aqui tem). Talvez o Korn também em algum ponto da carreira soubesse como é esse esquema, já que no passado os caras vendiam discos pra burro, mas se você procurar hoje, terá dificuldades em achar quem diga que gosta do som deles.

Atendendo ao pedido deste espaço, o abacaxinauta Bruno Xavier - eu usaria leitor se o patrão não tivesse dito que chicotearia meus dedos - manda a resenha dele do novo Audioslave:

“Escutei Out of Exile de cabo a rabo e te digo, é excelente! Regular do início ao fim, mantendo o mesmo peso do primeiro disco, porém menos repetitivo. Se o primeiro foi bom, esse está melhor. Chris Cornell mandando sempre bem nos vocais - aliás, toda a banda toca muito, mas o que mais me impressionou foi Tim Commerford, com um baixo sensacional.

“Todas as faixas são ótimas, posso destacar algumas que me chamaram mais a atenção: “Doesn’t Remind Me” (faixa 4), começa simples, morna, e, de repente, explode num refrão de arrepiar, continua revezando entre o vozeirão de Cornell e a linha de bateria bem destacada. No final, um solo de Tom Morello pra fechar com chave de ouro. “Heavens Dead” (faixa 6) é uma balada agradabilíssima, boa pra qualquer hora.

“Logo depois vem “The worm” e “Man or animal”, faixas 7 e 8, retornando com o peso, “The worm” com um pouco de experimentalismo. Lá pelo fim, quando o album não precisava me provar mais nada, vem a faixa 11, “Number 1 zero”, pra mim a melhor do disco. Dá pra sentir o baixo entrando nas veias. Só ouvindo pra entender o que eu digo.

“Pra quem acha que Audioslave é a banda do momento, está mais do que certo. Out of Exile é foda e mostra toda a competência da banda, que já adquiriu uma personalidade própria. Recomendo esse disco pra toda essa renca que gosta de rock’n’roll bem feito e sem muita frescura.”

Essa resenha não teve seu conteúdo original alterado ou editado, à exceção de algumas mudanças na construção de frases (na verdade, foram mais acentos que qualquer outra coisa). Eventuais erros no texto devem ser creditados a este colunista, que ou deixou eles passarem ou, tentando corrigir, fez algo pior.

Aconteceu bastante coisa na política nacional esses dias (e hoje ainda é madrugada de segunda pra terça-feira), de modo que, por mais que os dedos cocem, fica meio inviável arriscar qualquer análise sobre o que passou e o que ainda deve rolar. De concreto (ou será abstrato?), o que fica é que soaram como tática diversionista as acusações do Roberto Jefferson à Folha de S. Paulo de que há um “mensalão” pago pelo Congresso a alguns parlamentares da base aliada, pra usar o termo do presidente do PTB. Em tempo, qual o problema em se falar mesada? Já que mensalão, até onde eu entendi, também se refere a uma espécie de pagamento mensal.

Neologismos à parte, a declaração do homem-bomba© (copyright da Veja) do PTB está mais pra bomba de fumaça, na humilde opinião deste escriba. Senão vejamos: um dia antes da entrevista do Jefferson, no sábado, a Época deu a capa pruma denúncia de que ele teria laranjas atuando em sociedade em uma emissora de rádio não sei aonde (confesso que ainda não consegui ler a matéria). Portanto, para mim está nítido que a idéia era desviar o foco, e não ignoro aí o lance de o Jefferson supostamente ter ameaçado entregar meio mundo caso largassem ele pra morrer sozinho perante a opinião pública.

Ainda assim, teimo em achar que a entrevista à Folha foi uma manobra evasiva no melhor esquema “olha o avião” e que achar o contrário é tão errado quanto acreditar que todo movimento de moléculas cessa em zero absoluto. Por fim, achei uma analogia do Jefferson na entrevista a melhor coisa que li de um político depois que o Severino Cavalcanti foi eleito presidente da Câmara, e reproduzo aqui a fala dele: “A Veja falou que sou o homem-bomba. E o que você faz com a bomba? Ou desativa ou faz explodir. Estou percebendo que estão evacuando o quarteirão, e o PTB está ficando isolado para ser explodido.”

Por ora, é isso.

 
John Gracinha é correspondente voluntário do Abacaxi e louco pra ser aceito na cena glam paulistana. E-mail: johngracinha@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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