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Beagá, 30 de maio de 2005 d.C.
 
Por um rock'n'roll mais sujo e independente
Por John Gracinha
 

Vou voltar a falar de música e dar um tempo de política na coluna dessa semana, pra variar um pouco. Até porque tem umas coisas legais rolando na música ou não tão legais mas dignas de nota.

Extra-musicalmente, o que há pra se comentar (lembrando que hoje é domingo) é a Parada do Orgulho GLBT de São Paulo, que foi a maior do mundo. Pela contagem de corpos presentes nessa parada, superou em público a Marcha pra Jesus, que rolou na Paulista três dias antes. Se isso é bom ou ruim, não cabe a mim dizer, só sei que o trânsito no entorno ficou um inferno.

Eu sempre achei que todo mundo tem direito a expressar suas posições, mas que o direito de ir e vir também era inalienável. Mas vá lá, passou, deixa eu mudar de assunto antes que alguém venha me tachar de intolerante. (Obs: antes que alguém se ofenda, não sou homofóbico nem tenho problemas com a religião alheia. Como diria aquela música, por mim gays e machões sairiam por aí segurando o bilau um do outro chorando).

O rolê stoner do último fim de semana foi foda. Além do Ästerdon (que eu perdi), tocaram também Ludovic e Vincebuz, e as duas bandas foram foda apesar dos problemas técnicos (hey Outs, vai tomar no c*!). Rolou uma inversão de valores - o Ludovic fez um show mais comportado que o usual e o Vincebuz fez um set mais curto e menos contido do que os que eu já vi deles (em parte, devido ao vocalista estar bêbado pra burro, mas não achei que comprometeu a performance). A música nova do Ludovic, “Desova”, é a melhor coisa.

Fiquei sabendo nesse show que duas coisas acontecerão futuramente com o Vincebuz. A primeira é que eles vão fazer mais um show em julho - esqueci a data, me cobrem depois - e dar um tempo de tocar ao vivo, o que é uma merda. Mas a causa é boa: os caras pretendem se trancar em estúdio e cuidar de gravar as músicas pro split cd com o Ästerdon e o segundo disco. Uma das músicas do split, “Zerando a Existência”, eles já tocam ao vivo, e é animal.

Pra quem não conhece, o som do Vincebuz é um rockão garageiro rápido e sujo à la MC5/Cramps/Stooges, mais pesado ao vivo do que em cd, mas ainda assim legalzão. Decerto não é por coincidência que o nome da banda remete ao disco do Blue Cheer. O primeiro cd dos caras, Avalanche Nuclear, pode ser adquirido direto com o mano da banda, no e-mail vincebuz@hotmail.com. O nome do vocal, que é quem abre o e-mail, é Renato. Não sei quanto ele vende o disco pela internet, mas digam que foram recomendados pelo mano que chamou o batera deles de D2 no show do último sábado e vejam se rola de pagar R$ 10, que é o preço cobrado nos shows.

Enfim, a segunda novidade é que vai entrar um guitarrista na banda, que até então era um trio. Eu me opus à mudança, mas fui voto vencido, talvez por não tocar na banda e ser um mero entusiasta do som dos caras. Paciência. Segundo o vocal dos Vincebuz, o mano “tem uma pegada meio Misfits”. Tem mais uma coisa sobre o quarto mancebo, mas eu estava bêbado e devo ter esquecido o que era quando fui ao banheiro e fiquei cego com o estrobo.

O show do Ludovic foi bom, bem bom. O vocal aproveitou pra pedir pra ninguém votar neles pro Claro que é Rock, e eu achei fodido. Não lembro com quem eu engatei uma conversa sobre o tal Prêmio Claro (ex-Dynamite) de Música Independente, mas a conclusão a que eu e meu(a) interlocutor(a) chegamos é que nada do que concorreu lá presta pra coisa alguma e que, se existe gente que se orienta por aquilo para saber o que ouvir, está fodido. Ficou decidido também que os nomes das bandas são cada dias mais horríveis - me foi dito que os caras do tal Rock Rocket, cujo nome do disco é Por um Rock’n’Roll mais Alcoólatra e Inconseqüente, não bebem! Algum fã da banda se pronuncie. De qualquer jeito, quem dera se o problema fosse só esse. Na conversa, não foi só eu quem manifestei o desejo, mas rolou uma vontade de jogar uma bomba H no Sul. Não tenho nada contra o pessoal de Porto Alegre e outras áreas, mas odiei as bandas que ouvi daí. Sulistas, me digam o que há de errado comigo pra não sacar a qualidade de um Cachorro Grande, Bidê ou Balde, etc.

Voltando ao show Ludovic, além do habitual discurso, rolou uma ameaça de espancamento de um mano da platéia que riu do vocal, mas ficou só nisso. Também teve uma música nova, a supracitada “Desova”, que difere um pouco do som dos caras e por isso mesmo é legal. Mas a principal diferença desse show pros outros do Ludovic é que eles agora estão ensaiando antes de tocar, o que é uma coisa rara, ou assim me foi dito pelo próprio mano da banda. Todo esse trabalho é pro Kool Metal Fest 6, que acontece nesse fim de semana no Jabaquara. Quem quiser dar uma força, apareça nesse show. Quem não quiser ajudar, vá só pelas bandas que dá na mesma.

Eu já disse que o UDR (banda de funk satanista de BH - mp3’s do novo single, “Oh, Mefisto” e outros sons aqui) vai tocar nesse show? E que além deles, vai ter ainda Are you God? (deathgrind grooveado prestes a acabar), E>D>C (new metal, mas não chame eles disso pela frente), Envydust (metalcore não-chato) e Paura (hardcore - tem um texto sobre o último cd deles aqui)? E eu não disse que esse show vai ser gravado pra futuramente ser lançado como DVD e que, por isso, quem for deve se vestir impecavelmente pra se assistir depois em casa? Então, está dito.

Música gringa que foi lançada aqui recentemente: Nine Inch Nails (With Teeth), Audioslave (Out of Exile), The Mars Volta (Frances the Mute) e Queens of the Stone Age (Lullabies to Paralyze - crédito pelo link do flash: Éder Coelho, leitor).

À exceção de uma música do QotSA novo e uma audição bêbada e desatenta do Mars Volta, não ouvi os outros, mas li todo mundo elogiando o NiN novo. Do Audioslave ainda não trombei com nenhum comentário a respeito, portanto, quem quiser se manifestar a respeito destes álbuns, é só entrar em contato. Se quiserem fazer uma resenha - não precisa ser muito grande -, me enviem o texto com a assinatura e eu publico neste espaço.

Tem mais coisas sobre as quais eu pretendo escrever, mas acho que esse texto já está grande demais do jeito que está. Vou parar por aqui e semana que vem mando o resto.

Por ora, é isso.

 
John Gracinha é correspondente voluntário do Abacaxi e louco pra ser aceito na cena glam paulistana. E-mail: johngracinha@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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