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Caramba,
o Lúcio Ribeiro quebrou minhas pernas. Eu queria complementar o
texto do Henry em que ele
respondia os e-mails de dois leitores (Rafael e Anderson), contando
minha relação com o rock dos anos 80 (principalmente o nacional)
e tudo mais. Faça o seguinte, leia sua coluna
na parte em que ele fala sobre sua vitrola e seus primos. E
ai, já leu? Beleza, vamos continuar.
Minha
história é contrária à do Lúcio Ribeiro. Enquanto ele tinha primos
que o entupiam de metal e acabou encontrando seu "caminho" no rock
inglês, eu era entupido pelo rock inglês e pelo rock nacional derivado
do mesmo (leia-se Legião etc.) e encontrei minha salvação no metal
e adjacências.
Graças
a um vizinho, tive acesso à discografia do Black Sabbath, Queen,
Ramones, Deep Purple, Metallica (na época, era em vinil pirata cuja
capa era branca e era vendido na galeria) e demais clássicos, que
me renderam um bocado de coletâneas em fitas Basf que eu levava
para cima e para baixo (algumas das quais guardo até hoje). O skate
me fez descobrir Suicidal Tendencies, Dead Kennedys, DRI e amigos
metaleiros da escola me apresentaram a podreiras como Benediction,
Samael etc. Os anos foram passando e procurei absorver ao máximo
o que rolava em minha volta. Com o grunge, pude presenciar in loco
o nascimento e a morte de um "movimento", já que, até então, eu
só estava pegando o bonde andando em relação a tudo o que escutava.
Por
isso, acho que o rock brasileiro dos anos 80 teve muito mais significado
para os meus irmãos mais velhos, nunca tive o hábito de "curtir
fossa" com determinada banda/música e sempre tive trilha sonora
para me levantar nessas horas. Vai ver que esse é o motivo da única
banda que eu realmente gostava daquela época ser o Camisa de Vênus,
afinal o escracho e palavreado sujo de Marcelo Nova sempre foram
um antídoto às letras quilométricas de um Renato Russo - o que para
um pré-adolescente era o paraíso, já que eu ainda não tinha problemas
de relacionamento, pagar contas e tudo mais. O fã pode até ficar
bravo, mas tudo o que eu falei no texto da Legião foi confirmado
pelo próprio Renato Russo na reprise de sua entrevista na MTV, semanas
atrás.
Reconheço
a importância daquela época, a dificuldade de bandas em um país
recém saído de uma ditadura etc. Mas agora, bola pra frente. Provavelmente,
a falta de objetivo dessa geração pós-redemocratização (a qual me
incluo) seja responsável pelo rock sem cérebro que a gente escuta
atualmente por aqui, já que mesmo com todas as facilidades que temos
há uma falta de idéias absurda. De qualquer modo, sou otimista em
relação ao rock brasileiro, pois existem bandas legais pipocando
no underground.
Ligando
o "esta é sua vida" acima com o fenômeno
samba-rock descrito pelo El Jako, lembrei que já ouvia esse
rótulo nos idos de minha 7ª, 8ª série, onde colegas que estavam
montando um grupo de samba explicavam para o "roqueiro" (no caso,
eu) as diferenças do "samba-samba", para o "samba-rock", que consistia
na "pegada" e "levada" do cavaquinho e/ou violão, que no caso do
samba-rock seria bem mais simples, "quadrada" e "dura", pegada essa
introduzida pelo então Jorge Ben.
Mas
o fenômeno samba-rock é curioso, já que aqui em São Paulo popularizou-se
junto com os bailes black em casas para a playboyzada. Se por um
lado é bom, já que os DJs das principais noites black daqui são
gente "do movimento" das antigas (o que prova que a legitimidade
do negócio não está sendo roubada), por outro fica aquele negócio
"para gringo ver", uma negritude que é linda dentro dessas casas,
mas que será temida lá fora pelas mesmas meninas saradas de academia
que se derretem pelos caras lá dentro. Fica uma impressão de inclusão
social somente no sentido "coluna social" do negócio (o que se aplica
para alguns rappers badalados).
É parecido
com a febre do forró universitário que tomou a cidade tempos atrás.
Onde "gente bonita" se sente mais brasileira dançando e se divertindo
com música nordestina, mas longe dos "baianos" (termo similar ao
"paraíba" usado no RJ). Ah, nada como o cinismo de nossa classe
média alta...
Sem
esquecer de responder o leitor Anderson sobre sua descrença com
a música: acho que você está entendendo errado nossa proposta, pois
caso não gostássemos de nada, não existiria a sessão "Corra Atrás!"
em que indicamos CDs para a galera, isso sem contar que todo abacaxeiro
acaba dando uma dica sobre o que anda ouvindo, lendo etc. Quanto
à música ser relegada a marketing, acho que a era dos seresteiros
e trovadores talvez seja a única época cujo marketing e picaretagens
de indústria não existiam, afinal eles não tinham material para
vender.
Dizem
que até os Beatles explodiram devido à picaretagem. Segundo boatos,
se o Brian Epstein não tivesse comprado 10.000 cópias de Love
Me Do para faze-los figurarem no top 20 inglês, a banda provavelmente
não passaria daquilo. A sorte da humanidade é que a banda possuía
três gênios e um cara lá que tocava bateria, senão...
Não
encano tanto com marketing, o problema mesmo é quando O ARTISTA
"compra" seu próprio marketing acreditando em tudo aquilo que é
dito. É aí que a gente entra, para colocar uns pingos nos is.
Putz...
será que dá tempo para umas notícias? Lá vão:
Música
nova do Sepultura na área. Pode baixar a música "Mind
War" agora. Demorou.
Música
do Mars Volta (minha banda "nova" preferida deste ano) você pode
baixar aqui.
Para quem não sabe, o Mars Volta conta com o vocalista e o guitarrista
do At The Drive In.
"Show
me how to live" será o novo single do Audioslave. TEM QUE SER "WHAT
YOU ARE", CARÁCOLES!!!!
Quer
ver o clipe novo do Marylin Manson? Então clique aqui.
Sabe
quem voltou? The Presidents of United States of America. Como se
já não bastasse um para atazanar a gente.
Aprendiz
é o nome do novo disco do Guilherme Arantes. Não gostei do nome
já que, para fazer músicas irritantes, ele é profissional.
Eu
aqui pensando que esse CD novo do Renato Russo era o máximo que
poderiam chegar em termos de picaretagem, eis que me lançam Tributo
a Ayrton Senna.
Última
semana da promoção do filme 24 Hour Party People. Leva uma
fita que conta a história do nascimento do britpop quem responder
à pergunta que não quer calar: o que você faria se conseguisse R$
1.424.374 para gravar um disco com o Carlinhos Brown?
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